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quinta-feira, 29 de março de 2012
Último degelo do planeta elevou nível do mar em 20 metros
O último grande degelo do planeta não aconteceu de forma constante. Houve sim um período de aumento abrupto do nível das águas.
Em menos de 500 anos, subiu cerca de 20 metros, segundo Pierre Deschamps, geólogo e pesquisador principal do Cerege (sigla em francês de Centro Europeu de Pesquisa e Ensino de Geociências do Meio Ambiente), em artigo publicado a revista científica "Nature.
O ponto mais ativo desse degelo, que começou há 15 mil anos e acabou há 12 mil, foi no período entre 14.650 anos e 14.310 anos atrás. É nesse intervalo de tempo que, segundo as medições dos analistas, o nível de água subiu no Taiti entre 12 e 22 metros.
Os cientistas participantes do estudo basearam a pesquisa em medições efetuadas nesta ilha do Pacífico e concluíram também que a maior parte de água veio do degelo da Antártida.
Para obter os dados, Deschamps e seus colegas estudaram os fósseis dos corais e de uma espécie de búzio que habitaram no litoral norte, sul e oeste do Taiti.
O aumento das águas que o analista cita em seu artigo coincidiu no tempo com a Oscilação de Boelling, uma época na qual o clima se moderou e as massas de gelo continentais liberaram grandes quantidades de água no mar.
No entanto, a cronologia exata do degelo e a origem de suas águas seguem sem esclarecer tudo, já que o nível dos mares não ascendeu de forma uniforme, e por isso é necessário estudar os aumentos em distintas costas do planeta.
Além disso, os especialistas não só tentam averiguar quanto cresceram os mares, mas também qual foi a fonte que produziu o aumento das águas, ou seja, se o que derreteu foi o Ártico, a Groenlândia ou a Antártida.
Os dados da pesquisa liderada por Deschamps, em combinação com outro estudo realizado em Barbados, sugerem que a maior parte desta água procedia do degelo da Antártida.
Segundo os analistas, conhecer melhor estes fenômenos permitiria compreender como a mudança climática atual afetará os gelos polares nos próximos anos.
Neste sentido, a velocidade com a qual cresceram as águas no período estudado por Deschamps foi "significativamente maior" às estimativas para o século 21, que predizem um aumento inferior a dois metros por século.
Sonda da Nasa faz voo 'rasante' em lua de Saturno
A sonda espacial Cassini fez um voo rasante no Polo Sul da lua Encélado, de Saturno. A nave chegou a uma distância de apenas 74 quilômetros do astro, antes de passar também pelas luas Dione e Jano.O objetivo da aproximação foi procurar sinais de vida na região. Encélado é considerada uma das melhores candidatas a abrigar micro-organismos em nosso Sistema Solar.
De acordo com o Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, a sonda carrega 12 instrumentos científicos. Entre seus achados mais importantes para a ciência, o laboratório lista a descoberta de quatro novas luas, de dois novos anéis ao redor de Saturno e, inclusive, a emissão de partículas de gelo na lua Enceladus.
A Cassini foi lançada em 1997 e entrou na órbita de Saturno em 2004. Sua primeira missão foi completada em 2008 e, desde então, foi prorrogada por duas vezes. Em 2015, ela deve se aproximar ainda mais do Polo Sul de Encelados, chegando a apenas 25 km do astro. Esta mesma distância já foi atingida em 2008 na região do equador.
A missão é uma cooperação entre a Nasa, a agências espaciais da Europa e da Itália e deve durar até 2017.

Os jatos de gelo de Encélado
Além disso, os cientistas esperam que equipamentos da Cassini reunam informações sobre o ambiente magnético entre Saturno e a lua.De acordo com o Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, a sonda carrega 12 instrumentos científicos. Entre seus achados mais importantes para a ciência, o laboratório lista a descoberta de quatro novas luas, de dois novos anéis ao redor de Saturno e, inclusive, a emissão de partículas de gelo na lua Enceladus.
A Cassini foi lançada em 1997 e entrou na órbita de Saturno em 2004. Sua primeira missão foi completada em 2008 e, desde então, foi prorrogada por duas vezes. Em 2015, ela deve se aproximar ainda mais do Polo Sul de Encelados, chegando a apenas 25 km do astro. Esta mesma distância já foi atingida em 2008 na região do equador.
A missão é uma cooperação entre a Nasa, a agências espaciais da Europa e da Itália e deve durar até 2017.
Fotografia de Encélado tirada pela Cassini a 'apenas' 111 mil quilômetros de distância
quarta-feira, 28 de março de 2012
Sonda espacial acha condições favoráveis para a vida em lua de Saturno
A sonda espacial Cassini registrou jatos de água gelada em vários voos próximos à superfície de uma lua de Saturno, Encélado, que poderiam indicar um habitat propício para a existência de vida, informou a Nasa em seu site nesta quarta-feira. "Mais de 90 gêiser de todos os tamanhos estão emitindo vapor de água, partículas de gelo, e componentes orgânicos na superfície do Polo Sul de Encélado", disse Carolyn Porco, chefe da equipe de Imagens Científicas da sonda espacial Cassini.
Estes gêiser, que surgem através de fendas na superfície gelada da sexta lua de Saturno, poderiam revelar a existência de um vasto mar subterrâneo.
"Cassini voou várias vezes através destas partículas e as analisou. Além de água e material orgânico, encontramos sal nas partículas de gelo. A salinidade é a mesma que a existente nos oceanos da Terra", explicou Carolyn.
A cientista afirmou que parece "coisa de louco", mas parece como "se nevasse sobre a superfície deste pequeno mundo", em referência às condições favoráveis à vida microbiana neste satélite.
"No fim, esse é o lugar mais promissor que conhecemos para a pesquisa em astrobiologia. Não precisamos sequer mexer na superfície. Basta voar entre estas colunas de partículas. Ou podemos pousar sobre a superfície e tirar mostras", disse.
A sonda Cassini, lançada em 1997, é uma missão na qual participam a Nasa, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Italiana, cujo objetivo é estudar as mudanças climáticas em Saturno e em suas luas.
No ano passado a Nasa decidiu prolongar a missão, que transmitiu informações do sistema de Saturno durante quase seis anos, até 2017.
"O tipo de ecossistemas que Encélado pode abrigar poderiam ser como os existentes nas profundezas de nosso planeta. Embora tudo aconteça inteiramente à revelia de luz solar", acrescentou.
Cassini foi lançada ao espaço em outubro de 1997 junto com a sonda Huygens da ESA, e chegou às imediações de Saturno em 2004 para iniciar o estudo de Titã, a maior lua do planeta.
Estes gêiser, que surgem através de fendas na superfície gelada da sexta lua de Saturno, poderiam revelar a existência de um vasto mar subterrâneo.
"Cassini voou várias vezes através destas partículas e as analisou. Além de água e material orgânico, encontramos sal nas partículas de gelo. A salinidade é a mesma que a existente nos oceanos da Terra", explicou Carolyn.
A cientista afirmou que parece "coisa de louco", mas parece como "se nevasse sobre a superfície deste pequeno mundo", em referência às condições favoráveis à vida microbiana neste satélite.
"No fim, esse é o lugar mais promissor que conhecemos para a pesquisa em astrobiologia. Não precisamos sequer mexer na superfície. Basta voar entre estas colunas de partículas. Ou podemos pousar sobre a superfície e tirar mostras", disse.
A sonda Cassini, lançada em 1997, é uma missão na qual participam a Nasa, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Italiana, cujo objetivo é estudar as mudanças climáticas em Saturno e em suas luas.
No ano passado a Nasa decidiu prolongar a missão, que transmitiu informações do sistema de Saturno durante quase seis anos, até 2017.
"O tipo de ecossistemas que Encélado pode abrigar poderiam ser como os existentes nas profundezas de nosso planeta. Embora tudo aconteça inteiramente à revelia de luz solar", acrescentou.
Cassini foi lançada ao espaço em outubro de 1997 junto com a sonda Huygens da ESA, e chegou às imediações de Saturno em 2004 para iniciar o estudo de Titã, a maior lua do planeta.
Cientistas refazem pelo excremento, genoma de hiena extinta
Pesquisadores franceses conseguiram reconstituir uma parte do genoma da hiena das cavernas, uma espécie pré-histórica há muito tempo extinta, a partir do seu próprio excremento, o que confirmou o seu parentesco com o hiena pintada de hoje. Cientistas da Comissão de Energia Atômica (CEA) também descobriram nestes excrementos fossilizados o DNA de veados vermelhos, que serviram de alimento para estas hienas. É a prova de que as fezes antigas carregam uma enorme quantidade de informações sobre carnívoros pré-históricos.
Os primeiros testes de DNA com os restos de animais extintos (ossos, dentes, pelos, etc) foram realizados em 1984, com um quagga, uma espécie de zebra extinta no final do século 19. Mas foi necessário esperar até 2001 para conseguir o primeiro genoma completo de uma espécie extinta, os moas, aves gigantes da Nova Zelândia que desapareceram por volta de 1500.
Os recentes avanços da genética e da informática têm permitido acumular dados mais precisos e descriptografar genomas muito mais velhos como, por exemplo, o do homem de Neandertal e do mamute, a partir de seus restos mortais.
Assim, os "coprólitos", excremento fóssil mineralizado, são de particular interesse para os paleontólogos, pois contêm tanto o DNA dos seus donos quanto o de seus alimentos. Mas este DNA antigo continua difícil de analisar. O processo de digestão adicionando à degradação de sequências de DNA associadas com a passagem do tempo tornam a tarefa complicada.
Por esta razão, nenhuma análise de DNA de coprólitos do período Pleistoceno Médio ou posterior (780 mil anos até 11 mil anos atrás) havia sido realizada até hoje. Os pesquisadores do CEA assumiram o desafio, a começar com a coleta das fezes fossilizadas no solo da gruta de Coumère Ariege (sudoeste da França), atribuídas a hienas das cavernas (Crocuta crocuta spelaea), um animal muito difundido na Europa durante o Pleistoceno.
Das nove amostras coletadas, eles selecionaram duas que pareciam particularmente ricas em DNA exploráveis, explica o estudo, publicado nesta quarta-feira na revista britânica Proceedings of the Royal Society B. Os resultados da análise mostraram ainda que esses excrementos pertenciam a duas hienas distintas. A comparação do genoma extraído com o de hienas modernas "estabeleceu, sem dúvida, a relação de parentesco entre a hiena das cavernas e a hiena malhada" (Crocuta crocuta), que ainda vive no cerrado africano.
Apesar das diferenças significativas na anatomia e tamanho entre as duas espécies, "o genoma da hiena das cavernas tem apenas 115 diferenças com a sequência genética da hiena malhada", afirma o estudo, liderado por Jean-Marc Elalouf, do Instituto de Biologia e Tecnologia de Saclay.
"A distância genética entre a hiena das cavernas e a hiena pintada é notavelmente menor do que entre as diferentes espécies da família das hienas" atuais, acrescentaram os biólogos franceses.
No total, cerca de 50% do DNA encontrado em duas amostras pode ser atribuído a uma hiena das cavernas, uma taxa que rivaliza com os restos de animais conservados em gelo: 40% para um dente de urso polar e 55% para alguns ossos de mamute, por exemplo. Por comparação, as amostras de dentes ou ossos de animais pré-históricos, onde o congelamento não contribuiu para a preservação de DNA, geralmente contem menos de 6% de DNA animal ou humano, revela o estudo.
Nasa produz imagem de correntes oceânicas no litoral da África
Uma foto divulgada nesta quarta-feira pela Nasa (agência espacial americana) mostra as correntes oceânicas no litoral leste do continente africano.
Para compor a imagem, usou-se informações coletadas no período 2005-2007, usadas posteriormente por um equipamento de estudo da circulação e clima dos oceanos, o Ecco02.
Veja o vídeo das correntes em todo o planeta
Esse sistema faz simulações do movimento das águas oceânicas em seus níveis mais profundos, mas aqui, na visualização intitulada "Oceano Perpétuo", é exibida somente a superfície.
| Imagem exibe correntes oceânicas na região sudeste do continente africano; |
Fóssil de pé de hominídeo pode mudar estudo da evolução humana
Ossos encontrados na Etiópia, comparados à
estrutura do pé de um gorila
estrutura do pé de um gorila
O fóssil de um pé encontrado na Etiópia pode mudar concepção dos cientistas sobre as espécies que deram origem aos humanos modernos. Segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (28) pela revista científica “Nature”, estes ossos mostram que diferentes espécies de hominídeos evoluíram paralelamente.
Os pesquisadores não sabem ao certo a que espécie pertencem os dedos e parte do peito do pé analisados. No entanto, eles têm certeza de que não se trata do Australopithecus afarensis, espécie da “Lucy”, famosa ossada de hominídeo encontrada na década de 1970 -- e esta é uma descoberta importante.Até agora, os cientistas pensavam que o Australopithecus era a única espécie de hominídeo que viveu na região entre três milhões e quatro milhões de anos atrás. O fóssil analisado é de um animal que viveu há 3,4 milhões de anos, o que indica que estas duas espécies coexistiram.
Mesmo sendo uma parte pequena do corpo, o pé diz muito sobre a vida destes hominídeos. A estrutura lembra a do Ardipithecus ramidus, que viveu há 4,4 milhões de anos.
O dedo polegar se opõe aos demais – como em uma mão humana –, o que é um sinal de que eles eram adaptados a viver em árvores. O Australopithecus, por outro lado era bípede e tinha os dedos dos pés alinhados, como os humanos modernos.
Além do pé, os pesquisadores encontraram apenas alguns dentes, que não serviram para nenhuma conclusão científica. Estes achados foram feitas em 2009, e os paleontólogos seguem procurando por mais vestígios que possam esclarecer que espécie é esta.
Mostra em Londres exibirá cérebro de Einstein
Cérebro de Einstein foi fatiado pelo médico que fez
sua autópsia, em 1955
Um pedaço do cérebro de Albert Einstein (1879-1955) é um dos destaques da exposição 'Cérebro: A Mente como Matéria', em cartaz a partir desta quinta-feira (29) até 17 de junho no centro de exposições Wellcome Collection, em Londres.sua autópsia, em 1955
A mostra tem como objetivo explorar o que os humanos fizeram com cérebros em nome da medicina, da pesquisa científica, das relações sociais e da tecnologia, reunindo 'o que artistas e cientistas investigaram, nas últimas centenas de anos, sobre a natureza cerebral -- medindo, classificando, mapeando e tratando' os órgãos, explicam os organizadores da exposição.
É a primeira vez que uma parte do cérebro de Einstein será colocado em exibição na Grã-Bretanha. O corpo do genial cientista foi cremado, mas, segundo o jornal 'The Guardian', o patologista Thomas Harvey, responsável pela autópsia, disse que o filho de Einstein deu-lhe permissão para preservar o cérebro para pesquisas -- alegação que posteriormente foi contestada.
Harvey dividiu o cérebro em 240 partes, e duas delas estão sendo exibidas em Londres.
A mostra também conta com cerca de outros 150 objetos, entre cérebros inteiros preservados, desenhos do órgão, vídeos, fotos e manuscritos com estudos.
Segundo os organizadores, esses objetos mostram 'a longa jornada para manipular e decifrar o mais especial e misterioso dos órgãos humanos, cujos segredos continuam a nos confundir e inspirar'.
Cérebro mumificado
O curador convidado da exposição, Marius Kwint, disse à BBC que outro destaque é um cérebro mumificado do Egito Antigo, de quase 5 mil anos atrás.
Também estão expostos cérebros preservados de pessoas completamente diferentes entre si: por exemplo, o do assassino do século 19 Edward Rulloff, dono de um dos maiores cérebros de que se tem notícia, acusado de ter matado sua mulher e filho e sentenciado à morte em 1871, por um outro assassinato cometido em Nova York em 1871; e o de Helen H. Gardener (1853-1925), uma respeitada defensora do voto feminino, que doou seu cérebro à ciência na tentativa de provar que cérebros de homens e mulheres eram igualmente capazes.
Via Láctea tem bilhões de planetas teoricamente habitáveis, diz estudo
Um estudo publicado nesta quarta-feira (28) descobriu que a nossa galáxia, a Via Láctea, abriga dezenas de bilhões de “superterras” em zonas habitáveis. “Superterra” é o termo usado pelos astrônomos para definir planetas com a massa um pouco maior que a da Terra. Já a zona habitável é uma distância da estrela parecida com a que separa a Terra e o Sol, que permite a existência de água líquida.
O estudo foi conduzido pelo Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), um projeto que conta com participação brasileira. Os dados foram obtidos pelo espectrógrafo Harps, um aparelho colocado dentro de um telescópio, feito especialmente para procurar planetas.
Esta pesquisa foi focada nas anãs vermelhas, um tipo de estrela brilhante e menor que o nosso Sol que constitui cerca de 80% de todas as estrelas da Via Láctea.
Os cientistas concluíram que cerca de 40% das estrelas deste tipo têm “superterras” em seu redor. Como há cerca de 160 bilhões de anãs vermelhas na Via Láctea, o estudo estima que haja dezenas de bilhões de planetas teoricamente habitáveis na galáxia.
terça-feira, 27 de março de 2012
Nasa descobre nebulosa que brilha ao misturar gases e poeira de estrelas
Um imagem registrada pela Nasa (agência espacial norte-americana), nesta terça-feira (27), mostra um emaranhado de poeira e gases estelares em luzes ultravioleta provenientes da nebulosa Cygnus Loop, que fica a cerca de 1.500 anos-luz de distância.
A nebulosa é o que restou de uma supernova, que sofreu uma enorme explosão estelar entre 5.000 e 8.000 anos atrás.
A nebulosa tem mais de três vezes o tamanho da Lua cheia, e está situada próximo a uma das "asas de cisne “ da constelação de Cygnus.
Os filamentos de gás e pó visíveis foram aquecidos pela onda de choque da supernova, que ainda se espalha a partir da explosão original. A supernova original teria sido brilhante o suficiente para ser vista a olho nu da Terra.
Nasa lança 5 foguetes em sequência na madrugada desta terça
A Agência Espacial Americana (Nasa) lançou na madrugada desta terça-feira (27) cinco foguetes de sondagem suborbitais, dotados de um novo mecanismo de voo, como parte de um estudo. Os equipamentos fazem parte do projeto Atrex.
O primeiro foguete foi lançado às 4h58, hora local (5h58, horário de Brasília) e os outros quatro projéteis foram acionados na sequência, com intervalos de 80 segundos.
Cada foguete liberou na atmosfera um marcador químico. Isto vai colaborar com informações para entender melhor o processo responsável pela corrente de vento localizada entre 60 e 65 quilômetros acima da superfície da Terra.
Por que existe desequilíbrio entre matéria e antimatéria
Há algumas semanas, resultados científicos obtidos pelo Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern) e por uma experiência que utilizou um reator nuclear chinês conquistaram manchetes, ao menos no mundo da Física de partículas.
No Cern, em Genebra, átomos de antimatéria foram estudados pela primeira vez, por algumas dezenas de cientistas que trabalham no projeto Alpha. Na China, o reator da baía de Daya, na província de Guangdong, perto de Hong Kong, foi usado para confirmar que os neutrinos podem em breve assumir posição central em nossa compreensão de como o universo surgiu. Os dois resultados envolvem um dos maiores problemas não resolvidos na física fundamental: por que resta matéria no universo?
Ainda bem que resta matéria, porque por matéria designamos partículas como os elétrons e prótons, que formam átomos, pessoas, planetas e estrelas. Mas a situação é precária. Para cada partícula de matéria no universo existem cerca de um bilhão de partículas de luz. Em outras palavras, o universo é feito quase inteiramente de luz.
As partículas de matéria, em vasta inferioridade numérica, parecem ser um minúsculo resíduo deixado da espetacular queima de fogos que ocorreu no segundo posterior ao Big Bang. Aquele momento fugaz viu a produção de quantidades praticamente iguais de matéria e antimatéria, combinadas em um plasma quente. À medida que o universo se expandia e resfriava, os antielétrons começaram a se fundir com os elétrons e os antiprótons a se fundir com prótons, convertendo-os em partículas de luz.
Dessa forma, matéria e antimatéria se cancelavam mutuamente, deixando para trás um universo repleto de luz --excetuado aquele ínfimo resíduo.
A mensagem é clara: algo deve ter interferido para impedir que matéria e antimatéria se cancelassem de modo perfeito, e sem isso não estaríamos aqui para refletir sobre nosso notável universo.
RACIOCÍNIO MATEMÁTICO
A existência da antimatéria foi prevista em 1928 pelo físico britânico Paul Dirac, que mais tarde ganhou um Nobel. O feito de raciocínio puramente matemático de Dirac foi comprovado quatro anos mais tarde quando Carl Anderson descobriu o antielétron, em seu laboratório na Califórnia. De acordo com as equações de Dirac, a antimatéria devia se comportar exatamente como a matéria comum, com a exceção de que portaria a carga elétrica oposta.
A "simetria" entre matéria e antimatéria é a razão para que tenham sido criadas em volume igual no nascimento do universo e para que se tenham cancelado mutuamente de maneira quase completa.
Hoje, experiências de Física de partículas e hospitais (ao usarem tomografia por emissão de pósitrons) de todo o mundo produzem partículas de antimatéria rotineiramente e, na maioria dos casos, elas se comportam exatamente como Dirac previu. Assim, o que impede a perfeita simetria entre matéria e antimatéria?
As partículas de matéria e antimatéria foram observadas, em raras ocasiões, agindo de maneira diferente uma da outra, em experiências de laboratório. Os quarks e antiquarks (partículas usadas para construir o núcleo do átomo), especialmente, às vezes se desviam da simetria perfeita.
Em 1973, em outro feito de raciocínio matemático, os físicos japoneses Makoto Kobayashi e Toshihide Maskawa concluíram que a única maneira de enquadrar os resultados anormais era supor que deveriam existir pelo menos seis tipos de quark na natureza.
Na época, apenas quatro tipos haviam sido observados; deve ter sido muito satisfatório para eles quando os tipos restantes foram enfim observados, em 1977 e 1995. Assim, ainda que cada átomo do universo seja formado por apenas dois tipos de quark, ao que parece os quatro tipos restantes desempenham papel central na quebra da simetria entre matéria e antimatéria.
Uma reviravolta fascinante revelou que as diferenças entre os quarks e antiquarks não bastariam para explicar o volume de matéria existente no universo. A mensagem é clara: ainda não compreendemos plenamente as sutis diferenças entre matéria e antimatéria.
ESFORÇO
A experiência Alpha, do Cern, é mais um esforço com o objetivo de descobrir essas sutis diferenças, mas o que torna o projeto Alpha especial é a singularidade do teste que ele pode executar. O Cern produz anti-hidrogênio desde 1995, mas apenas agora esses átomos podem ser desacelerados, aprisionados (usando ímãs) e estudados por sondas de micro-ondas.
A expectativa teórica é de que o hidrogênio e o anti-hidrogênio absorvam e emitam luz (micro-ondas são uma forma de luz) exatamente da mesma maneira. Os resultados até o momento confirmam a premissa, mas o projeto apenas começou e a experiência planeja realizar mensuração precisa; a descoberta de qualquer desvio entre o hidrogênio e o anti-hidrogênio seria nada menos que sensacional.
Até o momento, as experiências de Física de partículas se concentraram primordialmente nas diferenças entre os quarks e os antiquarks. Os mais recentes esforços quanto a isso foram liderados por cientistas que trabalham no projeto Beauty do Large Hadron Collider, no Cern, mas quarks não são a única possibilidade.
Os neutrinos também têm parceiros de antimatéria. Foram menos bem estudados, basicamente porque detectá-los é muito mais difícil; só nos últimos anos a situação começou a mudar.
A experiência com o reator da baía de Daya, na China, envolve contar o número de antineutrinos emanados de um reator nuclear; o resultado, publicado em 8 de março, fez uma contribuição decisiva ao demonstrar, sem sombra de dúvida, que os neutrinos também podem contribuir para o debate sobre matéria e antimatéria.
JEFF FORSHAW é professor de Física teórica na Universidade de Manchester e coautor de "The Quantum Universe: Everything That Can Happen Does Happen" ["o universo quântico: tudo que pode acontecer, acontece"], com Brian Cox.
Imagem feita por astronauta mostra formação apelidada de 'olho da África'
Brasileiro ajuda a descobrir espécie de crocodilo pré-histórico
Foto do fóssil de crocodilo encontrado por
pesquisadores na Inglaterra
pesquisadores na Inglaterra
Um brasileiro é um dos responsáveis pela descoberta e descrição de uma nova espécie de crocodilo que teria vivido na Terra há 130 milhões de anos, juntamente com os dinossauros.
A pesquisa se baseou em um crânio fossilizado, com um metro de comprimento, encontrado ao acaso em 2007, nos arredores dos pântanos de Swanage, uma vila litorânea de Dorset, no Sul da Inglaterra.A espécie batizada de Goniopholis kiplingi foi examinada durante cinco anos por cientistas da Universidade de Bristol, que compararam o fóssil com amostras de outras espécies.
De acordo com Marco Brandalise de Andrade, pós-doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) -- e um líder da descoberta, feita em parceria com outros cientistas britânicos -- a nova espécie tem parentesco com outros crocodilianos.
“Foi uma experiência fantástica, porque este é provavelmente o exemplar de Goniopholis com melhor preservação já encontrado e eu o tive à disposição por um longo tempo. Foi então que pude verificar o parentesco estreito com outros Goniopholis europeus, mas também suas diferenças, como ossos lacrimais muito mais alongados", disse Andrade ao G1.
Escritor inspirou nome da espécie
Ainda segundo Andrade, as diferenças permitiram reconhecer a nova espécie. O nome G. kiplingi foi em homenagem ao autor Rudyard Kipling, que escreveu a obra “O Livro da Selva” (a história no Brasil é conhecida como “Mogli, o menino lobo”).
“O autor influenciou um grande número de pessoas, eu inclusive, a gostar das ciências naturais”, disse Andrade.
O réptil media entre quatro e cinco metros do nariz à ponta da cauda, se alimentava de peixes, tartarugas e, provavelmente, de pequenos dinossauros que habitavam os pântanos e lagos das florestas tropicais.
Embora outros restos do Goniopholis já tenham sido encontrados na Inglaterra há mais de um século, os ossos do crânio descoberto são mais alongados, além de apresentarem outras diferenças sutis em sua mandíbula superior.
Tecnologias avançadas de scanner e reconstrução por computador foram utilizadas na análise do fóssil para elaborar um modelo em 3D. A descoberta deve ajudar os pesquisadores a calcular o número de espécies, já que esta espécie teria vivido apenas na Inglaterra.
O pesquisador brasileiro Marco de Andrade, junto com Ray Barnet e Remmert Schoutenm co-autores do estudo científico, no dia em que foram realizar a tomografia do crânio do crocodilo pré-histórico.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Mosca das Trevas: Japoneses criaram moscas por 57 anos no escuro em uma pesquisa inédita
Investigadores japoneses analisaram o DNA de uma variedade de moscas
que ficaram quase seis décadas aprisionadas em total escuridão.
No dia 11 de novembro de 1954, o Dr. Syuichi Mori, da Universidade de Tóquio, aprisionou um grupo de moscas de fruta, da espécie Drosophila melanogaster, em várias garrafas, mantendo-as em completa escuridão.
O estudo foi publicado na PLoS One, mostrando que nenhuma mudança radical ocorreu. As moscas continuaram com a visão perfeita,
não tornaram-se albinas e seu ciclo circadiano (o que faz o organismo
entender o que é dia e o que é noite) continuou o mesmo de seus
ancestrais.
Uma “Mosca das Trevas”
é exatamente igual ao grupo controle, exceto nos filamentos da cabeça
que se tornaram mais numerosos. O fato de terem ficado aprisionadas por
57 anos e formado mais de 1.400 gerações, pode oferecer possíveis
pistas sobre a adaptação.
Para testar isso os cientistas começaram a estudar a sua capacidade de
reprodução, um indicador muito importante na adaptação para a
sobrevivência. Os cientistas levaram as moscas para diferentes
condições de luz, por 24 horas e em seguida para escuridão total
durante 30 minutos por 3 dias.
Os pesquisadores contaram o número de descendentes e eles descobriram
que as moscas do grupo controle possuíam vantagens reprodutivas
comparadas com as “Moscas das Trevas”.Após o sequenciamento do DNA, os pesquisadores encontraram 220.000 pontos de mutações e 4.700 inserções ou exclusões. “Isto sugere que uma alteração genômica ocorreu em larga escala nas Moscas das Trevas”, comentou a equipe de cientistas.
No entanto, a maioria das mutações não possui significado real, mas há
algumas mudanças que sugerem modificações no metabolismo e produção de
substâncias que combateriam toxinas produzidas pelo organismo, o que
teria ocorrido pela ausência de luz.
Em resumo, o estudo não mostrou claramente o processo de adaptação, mas
tem recolhido dezenas de dicas sobre como alterar o código genético de
uma espécie de modo global, modificando suas condições de vida.
Vespa encontrada na Indonésia possui mandíbulas maiores que suas patas
Uma nova espécie de vespa foi descoberta na ilha de Sulawesi, Indonésia, possuindo 2,5 centímetros de comprimento.
Suas mandíbulas são tão grandes que o pesquisador Lynn Kimsey, descobridor da nova espécie comentou: “Eu não sei como ela consegue andar!”.
Kimsey que é professor de entomologia da Universidade da Califórnia, disse: “Suas mandíbulas são tão grandes que ela as embrulha para os lados quando se movimenta”.
A nova espécie já é chamada informalmente de “dragão de Komodo das vespas”. O pesquisador decidiu nomeá-lo de Garuda, homenageando o país com um nome que é considerado símbolo nacional.
A palavra Garuda significa “Rei dos Pássaros” sendo um poderoso guerreiro mítico parte humano e parte águia, com envergadura de grande porte, habilidades marciais e uma velocidade vertiginosa.
“A
primeira vez que vi essa vespa percebi que existia algo incomum. Eu
nunca tinha visto nada parecido com esta espécie. Nós não sabemos nada
sobre a biologia desta espécie, apenas sabemos que é encontrada no
sudoeste de Sulawesi”, comentou Kimsey
Os biólogos imaginam que as grandes mandíbulas desempenhem papel de reprodução e defesa.
Área com duas mil gravuras rupestres é alagada na Amazônia
Há milhares de anos, povos amazônicos criaram um enorme complexo de gravuras rupestres nos arredores do Rio Madeira, na área onde hoje está localizada a capital de Rondônia, Porto Velho. Ao longo de 200 metros, eles esculpiram em blocos de rochas pelo menos duas mil gravuras geométricas e desenhos que lembram animais, como gato, macaco e lagarto.
As gravuras, que podem ter até 8 mil anos, segundo arqueólogos que trabalharam na área, foram encontradas durante pesquisas que antecederam a construção da usina hidrelétrica Santo Antônio. Os pesquisadores esperaram o período de seca para catalogar os desenhos, já que a área ficava submersa durante as cheias do Rio Madeira. Em janeiro deste ano, a área foi alagada permanentemente para dar origem ao reservatório da usina.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acompanhou as obras e afirma que não existem irregularidades. “A existência de sítios arqueológicos não inviabiliza a implementação do investimento. Pode inviabilizar, se o sítio for considerado de grande relevância científica, dependendo da força política do Iphan e do apoio de comunidades”, afirma Rogério Dias, coordenador de pesquisa e licenciamento arqueológico do Iphan.
Pedral com figura geométrica em alto relevo, uma das duas mil gravuras encontradas na área do Rio Madeira alagada para construção de reservatório de usina hidrelétrica
Impacto
De acordo com a Sciencia Consultoria Científica, contratada pela Santo Antônio Energia, concessionária responsável pela construção e operação da usina Santo Antônio para realizar pesquisas arqueológicas na área, não existe um estudo do impacto do alagamento permanente na preservação das gravuras.
“Não há um estudo do impacto nas gravuras quando ficam na água por um bom tempo. Nós não sabemos qual será o impacto. Pode ser que elas ainda estejam lá”, afirmou Renato Kipnis, diretor da Sciencia.
Segundo o Iphan, os blocos de rocha com as gravuras rupestres “não sofreriam processo de destruição, ficariam embaixo de água, preservados como estavam”. “Vamos supor que se resolva esvaziar o lago. As gravuras vão continuar lá embaixo. Também é possível fazer pesquisa subaquática”, afirma Rogério Dias, do Iphan.
"É melhor deixar isso lá que retirá-los. O processo de retirada de lá é muito complicado e às vezes há risco de rachar o bloco, quebrar. É melhor que fique lá. Mas [antes do alagamento] fica registrada a existência [das gravuras]", explica Dias.
Características
Ainda não existe uma cronologia exata das gravuras, mas sabe-se que alguns sítios arqueológicos na área têm cerca de 8 mil anos de ocupação, segundo Kipnis. “A ocupação da área do rio madeira começou por volta de 8 mil anos atrás. Por isso, a área pode ter entre 8 mil anos”, diz.
Para tentar descobrir a idade das gravuras esculpidas, os arqueólogos vão compará-las com cerâmicas pintadas encontradas em outros sítios arqueológicos da região, explica Kipnis. De acordo com a semelhança dos desenhos , será possível estimar a idade. “Como conseguimos datar a cerâmica, talvez por associação possamos ter uma ideia da cronologia dessas gravuras”, diz.
Para esculpir as gravuras nas rochas, os povos amazônicos que viveram na região utilizavam uma técnica chamada “picotamento”, explica a Sciencia. Eles batiam na rocha com alguma pedra ou outro artefato rígido até produzir a forma desejada em baixo relevo. Segundo Kipnis, provavelmente não era usada tinta nas gravuras.
Equipe de arqueologia faz registro em tecido de um dos painéis de sítio arqueológico do Rio Madeira
Registro em 3D “A área era pouco conhecida do ponto de vista da arqueologia. O projeto Santo Antônio possibilitou um trabalho sistemático de [estudo de] coleções arqueológicas”, defende Kipnis.
Depois do achado das gravuras, foi iniciado um trabalho sistemático de catalogação das imagens com uso de alta tecnologia, que incluiu um registro digital para reconstituição em modelos 3D. Um dos equipamentos empregados emitia 900 mil feixes de laser por segundo, em 360°, com precisão de 2 milímetros, de acordo com a Santo Antônio Energia. Assim, será possível reconstitui os desenhos em alto relevo.
Também foram feitos registros em 3D da topografia da área e dos pedrais onde estão localizados as gravuras, que são importantes para compreender a espacialidade das gravuras. O objetivo do registro em 3D é criar uma plataforma voltada para comunidade científica onde será possível visualizar a área, agora alagada, e dar zoom para visualizar as gravuras.
“O nível de detalhe é tão grande que será possível reconstituir os pedrais com gravuras”, afirma Kipnis. Além da Scientia, participou da catalogação em 3D a empresa portuguesa Dryas Arqueologia. O trabalho se concentrou em cinco áreas com extensos pedrais, chamadas Ilha Dionísio, Ilha do Japó, CPRM 2, Ilha das Cobras e Teotônio.
“Fizemos um registro que nunca foi feito no Brasil. A contrapartida [da construção da hidrelétrica] é a concentração de recursos para fazer a pesquisa, de alta qualidade”, defende Kipnis. Os gastos da Santo Antônio Energia com estudos arqueológicos na área foram de R$ 12 milhões.
Decalque em tecido de um dos painéis do sítio arqueológico
As gravuras, que podem ter até 8 mil anos, segundo arqueólogos que trabalharam na área, foram encontradas durante pesquisas que antecederam a construção da usina hidrelétrica Santo Antônio. Os pesquisadores esperaram o período de seca para catalogar os desenhos, já que a área ficava submersa durante as cheias do Rio Madeira. Em janeiro deste ano, a área foi alagada permanentemente para dar origem ao reservatório da usina.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acompanhou as obras e afirma que não existem irregularidades. “A existência de sítios arqueológicos não inviabiliza a implementação do investimento. Pode inviabilizar, se o sítio for considerado de grande relevância científica, dependendo da força política do Iphan e do apoio de comunidades”, afirma Rogério Dias, coordenador de pesquisa e licenciamento arqueológico do Iphan.
De acordo com a Sciencia Consultoria Científica, contratada pela Santo Antônio Energia, concessionária responsável pela construção e operação da usina Santo Antônio para realizar pesquisas arqueológicas na área, não existe um estudo do impacto do alagamento permanente na preservação das gravuras.
“Não há um estudo do impacto nas gravuras quando ficam na água por um bom tempo. Nós não sabemos qual será o impacto. Pode ser que elas ainda estejam lá”, afirmou Renato Kipnis, diretor da Sciencia.
Segundo o Iphan, os blocos de rocha com as gravuras rupestres “não sofreriam processo de destruição, ficariam embaixo de água, preservados como estavam”. “Vamos supor que se resolva esvaziar o lago. As gravuras vão continuar lá embaixo. Também é possível fazer pesquisa subaquática”, afirma Rogério Dias, do Iphan.
"É melhor deixar isso lá que retirá-los. O processo de retirada de lá é muito complicado e às vezes há risco de rachar o bloco, quebrar. É melhor que fique lá. Mas [antes do alagamento] fica registrada a existência [das gravuras]", explica Dias.
Características
Ainda não existe uma cronologia exata das gravuras, mas sabe-se que alguns sítios arqueológicos na área têm cerca de 8 mil anos de ocupação, segundo Kipnis. “A ocupação da área do rio madeira começou por volta de 8 mil anos atrás. Por isso, a área pode ter entre 8 mil anos”, diz.
Para tentar descobrir a idade das gravuras esculpidas, os arqueólogos vão compará-las com cerâmicas pintadas encontradas em outros sítios arqueológicos da região, explica Kipnis. De acordo com a semelhança dos desenhos , será possível estimar a idade. “Como conseguimos datar a cerâmica, talvez por associação possamos ter uma ideia da cronologia dessas gravuras”, diz.
Para esculpir as gravuras nas rochas, os povos amazônicos que viveram na região utilizavam uma técnica chamada “picotamento”, explica a Sciencia. Eles batiam na rocha com alguma pedra ou outro artefato rígido até produzir a forma desejada em baixo relevo. Segundo Kipnis, provavelmente não era usada tinta nas gravuras.
Depois do achado das gravuras, foi iniciado um trabalho sistemático de catalogação das imagens com uso de alta tecnologia, que incluiu um registro digital para reconstituição em modelos 3D. Um dos equipamentos empregados emitia 900 mil feixes de laser por segundo, em 360°, com precisão de 2 milímetros, de acordo com a Santo Antônio Energia. Assim, será possível reconstitui os desenhos em alto relevo.
Também foram feitos registros em 3D da topografia da área e dos pedrais onde estão localizados as gravuras, que são importantes para compreender a espacialidade das gravuras. O objetivo do registro em 3D é criar uma plataforma voltada para comunidade científica onde será possível visualizar a área, agora alagada, e dar zoom para visualizar as gravuras.
“O nível de detalhe é tão grande que será possível reconstituir os pedrais com gravuras”, afirma Kipnis. Além da Scientia, participou da catalogação em 3D a empresa portuguesa Dryas Arqueologia. O trabalho se concentrou em cinco áreas com extensos pedrais, chamadas Ilha Dionísio, Ilha do Japó, CPRM 2, Ilha das Cobras e Teotônio.
“Fizemos um registro que nunca foi feito no Brasil. A contrapartida [da construção da hidrelétrica] é a concentração de recursos para fazer a pesquisa, de alta qualidade”, defende Kipnis. Os gastos da Santo Antônio Energia com estudos arqueológicos na área foram de R$ 12 milhões.
Ancestral de baleia ajuda a entender espécie moderna
Ilustração mostra a espécie ancestral em primeiro
plano. Ao fundo, a beluga e o nardal.
As baleias belugas e os narvais vivem somente em águas geladas do Ártico e subártico. Agora, os cientistas descreveram uma espécie ancestral que vivia em águas temperadas entre 3 milhões e 4 milhões de anos atrás. A descoberta, publicada no periódico científico "Journal of Vertebrate Paleontology", pode indicar que as belugas sos os narvais se adaptaram a águas frias mais recentemente.plano. Ao fundo, a beluga e o nardal.
A espécie ancestral foi descrita pelos cientistas a partir de um crânio completo encontrado em 1969 na Virgínia, nos Estados Unidos. Eles fizeram comparações anatômicas do fóssil com esqueletos de belugas e confirmaram que se tratava de uma nova espécie de baleia sem dentes -- o grupo das belugas. O animal, que recebeu o nome de Bohaskaia monodontoides, vivia no clima temperado da Virgínia.
"As belugas e os narvais são encontradas somente no Ártico e subártico, apesar de que os registros de fósseis mais antigos terem sido encontrados em regiões tropicais e temperadas", afirmou Nicholas Pyenson, geólogo que fez parte da pesquisa, em material de divulgação. "Para obter evidências sobre quando e como as belugas e os narvais se adaptaram ao Ártico, nós precisaremos buscar respostas em tempos mais recentes".
Estudo de brasileiro recalcula o tamanho do Sol com mais precisão
Um estudo publicado nesta semana chegou ao cálculo mais preciso já feito do tamanho do Sol. O "astro rei" tem 696.342 quilômetros de raio – com margem de erro de 65 km. A precisão é dez vezes maior que as disponíveis até então.
Como comparação de tamanho, a Terra tem 6.371 km em seu raio médio.
O cálculo foi feito a partir do chamado “trânsito de Mercúrio”, que acontece quando o planeta fica no caminho entre o Sol e a Terra. A pesquisa foi feita na Universidade do Havaí, nos EUA, com a participação do astrônomo brasileiro Marcelo Emílio, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR).
O cálculo se baseou em dados do trânsito de Mercúrio ocorrido em 2003 – o evento não é muito comum, acontece 12 ou 13 vezes a cada 100 anos. O resultado demorou a ser obtido porque foi preciso elaborar um programa complexo de computador para processar os dados corretamente.
Os astrônomos contaram com dados obtidos pelos projetos Soho e SDO, da Nasa feitos para estudar o Sol, que observam o astro a partir do espaço.
“A maioria dos valores publicados não leva em conta os erros sistemáticos. Um deles é a atmosfera da Terra. Medidas espaciais permitem um cálculo mais preciso, pois não há a atmosfera da Terra para interferir na medida”, explicou Emílio.
Segundo o astrônomo, medidas mais precisas devem ser obtidas em pouco tempo, a partir do trânsito de Vênus, que acontece em junho.
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