terça-feira, 1 de maio de 2012

Observatório da Nasa registra explosão causada por buraco negro

A mancha rosa no centro da imagem é a explosão registrada pelo Chandra. Foto: Nasa/CXC/Curtin University/STScI/Middlebury College/Divulgação
A mancha rosa no centro da imagem é a explosão registrada pelo Chandra
À esquerda, a galáxia M83; à direita, em close, a explosão de um buraco negro na galáxia (Foto: ESO/VLT/Nasa/CXC/Curtin University/R.Soria et al./STScI/Middlebury College/F.Winkler et al.)
A imagem à direita mostra em detalhes, combinando imagens ópticas com as obtidas pelo Observatório Chandra de Raios X, a explosão produzida por um buraco negro. Esse buraco negro fica na galáxia M83, a cerca de 15 milhões de anos-luz da Terra, retratada à esquerda. A Nasa descobriu há pouco uma série de buracos negros muito antigos na região. As novas observações dos astrônomos podem explicar a existência de buracos negros que produzem uma quantidade de energia milhões de vezes superior à do Sol.



O telescópio Chandra, da Nasa, registrou uma explosão de raios-X equivalente a milhões de vezes a radiação do Sol em todos os comprimentos de onda de radiação eletromagnética. Segundo a agência espacial, o registro, divulgado nesta quarta-feira, veio de uma galáxia vizinha à Via Láctea e é uma evidência direta de que existe uma população de velhos e voláteis buracos negros ants desconhecidos.
Os pesquisadores usaram o telescópio para descobrir uma fonte ultraluminosa de raios-X (ULX, como chamam os pesquisadores na sigla em inglês). Esses objetos emitem muito mais esse tipo de radiação que os outros sistemas binários - quando uma estrela orbita os restos de uma estrela que entrou em colapso. O astro colapsado pode se tornar uma densa estrela de nêutrons ou um buraco negro.
Acredita-se que os buracos negros dessas fontes ultraluminosas seriam jovens, já que suas companheiras são. Contudo, a descoberta feita com o Chandra indica que alguns seriam bem mais velhos e massivos do que se pensava.
A ULX foi descoberta na galáxia M83, uma espiral a 15 milhões de anos-luz da Terra. Cientistas compararam dados de 2000 e 2001 e descobriram que a emissão de raios-X aumentou pelo menos 3 mil vezes com a explosão, uma das maiores mudanças já vistas nesse tipo de objeto.
"A queima que a ULX teve nos pegou de surpresa e é um claro sinal de que descobrimos algo sobre como os buracos negros crescem", diz Roberto Soria, da Universidade de Curtin (Austrália), que liderou a pesquisa. Essa explosão certamente ocorreu devido à "queda" de matéria no buraco negro.
Outra ULX contendo um velho e volátil buraco negro foi descoberta recentemente em Andrômeda. "Com esses dois objetos, está ficando claro que existem duas classes de ULX, uma com jovens buracos negros que crescem constantemente e outra com velhos que crescem erraticamente", diz Kip Kuntz, coautor da pesquisa, da Universidade Johns Hopkins (EUA). As descobertas serão detalhadas na edição de 10 de maio da publicação especializada The Astrophysical Journal.

Foguete comercial passa em testes e deve ser lançado em 7 de maio

A empresa americana SpaceX realizou com sucesso nesta segunda-feira (30) o teste do foguete Falcon 9, que lançará a nave Dragon em missão de carga à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), no próximo dia 7 de maio.

O teste foi um acionamento estático dos nove motores principais do foguete, que durou apenas dois segundos, mas permitiu aos engenheiros "realizar todos os processos de contagem regressiva, como se fosse o dia do lançamento", destaca a SpaceX em seu site.
O foguete foi testado no Cabo Canaveral, no estado norte-americano Flórida, e "agora os engenheiros continuarão revisando tudo para os preparativos da próxima missão".
Visão por dentro da Dragon, da SpaceX (Foto: SpaceX/Nasa)
Visão por dentro da Dragon, da SpaceX 
SpaceX tem o objetivo de ser a primeira empresa privada a enviar sua propria nave espacial à ISS, algo que atualmente é feito apenas pelos governos de Rússia, Japão e Europa, já que os Estados Unidos encerraram seu programa de ônibus espaciais.
A nave Dragon também é capaz de levar humanos ao espaço e a SpaceX espera que a missão de carga abra caminho para um voo tripulado.
No dia 7 de maio, a cápsula levará 521 quilos de carga ao laboratório espacial e regressará com 660 quilos de carga à Terra, segundo a Nasa.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Cientistas criam arte com microscópios, e faturam com isso


As imagens de nanoarte são desenvolvidades por cientistas em laboratórios. Foto: Daniela Caceta /DivulgaçãoAs imagens de nanoarte são desenvolvidades por cientistas em laboratórios
Desenvolvida por profissionais de áreas como física, química, engenharia, medicina e biologia, a nanotecnologia lida com partículas invisíveis mesmo para um microscópio comum - trata-se de medidas em nanômetro, unidade 1 milhão de vezes menor que 1 mm. Com o aumento significativo das pesquisas envolvendo a nanotecnologia, surgem aparelhos de medicina, computação e até mesmo materiais que impedem o acúmulo de gorduras no fogão. E também nasce um novo tipo de expressão artística: a nanoarte.
A sobreposição de partículas de materiais como óxido de prata, óxido de ferro, polímeros, entre outros, formam imagens únicas, que lembram componentes da natureza como flores e rios. Suas formas são captadas em preto e branco por microscópios de altíssima resolução que realizam fotografias. Depois de captada, um editor de imagens dá o seu toque artístico complementando com cores a partir de um programa de computador.
No Brasil, essa atividade começou a ser praticada em 2009 por um grupo de estudiosos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). "Achávamos que estávamos criando algo inovador no mundo, mas depois descobrimos que obras semelhantes eram feitas anteriormente pelos Estados Unidos", conta o coordenador do projeto e professor do Instituto de Química da Unesp Elson Longo. Ele se refere ao cientista que iniciou a nova modalidade de arte no mundo, o americano Cris Orfescu.
Segundo o professor, o projeto Nanoarte teve início com a ideia de difundir a ciência para um público maior de uma forma diferente. "Queríamos mostrar para as pessoas a estrutura de um material em nanoescala. Para isso, colorimos as imagens e a transformamos em um quadro de pintura", explica. Longo afirma então que a ideia é fazer com que a população se interesse pela atividade dos cientistas e compreenda que os materiais possuem diferentes formas e propriedades.
As obras podem expostas em formato de fotografias ou vídeos. O grupo de pesquisadores está apresentando seus exemplares principalmente na região de São Paulo, mas elas também já circularam pela Europa e pelos Estados Unidos. Foi em Nova York que o Brasil obteve destaque, recebendo prêmios na Mostra Internacional de Nanoarte, ocorrida em 2010. A imagem Net-like, do pesquisador Ricardo Tranquilin, ficou em segundo lugar, e Bees at home, da técnica Daniela Caceta, obteve a quarta posição.
Os exemplares de nanoarte são vendidos a preços que vão de US$ 3 mil até US$ 14 mil. Para o professor da Unesp, o alto valor é justificável. "Quem pode ter um aparelho de mais de 1 milhão de euros para produzir uma obra como essa?", indaga, referindo-se ao custo do microscópio de alta resolução que possibilita a captação da figura. Além disso, Longo ressalta que pelo seu difícil e oneroso modo de produção as imagens obtidas acabam sendo únicas, diferente de obras tradicionais, que podem ter semelhanças entre si.
Os curiosos ou admiradores da nanoarte não precisam, porém, desembolsar tamanha quantia para apreciar as obras. Basta acessar o YouTube e pesquisar o assunto. É possível ainda encomendar um DVD com vídeos e fotos do projeto pelos e-mails de Elson Longo (elson@iq.unesp.br) ou dos autores das imagens Rorivaldo Camargo (rorivaldo@liec.ufscar.br) e Ricardo Tranquilim (ricas@liec.ufscar.br). 

Veja mais obras:

Biólogos descobrem 24 espécies de lagarto, e todas estão ameaçadas


Tipo de lagarto nativo da Jamaica (Foto: Joseph Burgess, Penn State University)
Tipo de lagarto nativo da Jamaica 
Um estudo publicado nesta segunda-feira (30) descreve 24 espécies ainda desconhecidas de lagarto que vivem na região do Caribe. Ao mesmo tempo em que entram nas páginas da “Zootaxa”, revista científica que traz a novidade, as espécies já vão para a lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).
Os lagartos recém-descobertos são todos da família Scincidae. Embora sejam semelhantes aos lagartos comuns, eles possuem características próprias. Alguns destes lagartos, em vez de pôr ovos, geram os filhotes dentro do ventre.
Blair Hegdes, pesquisador da Universidade da Pensilvânia e autor do estudo, acredita que esta peculiaridade esteja entre os fatores que colocaram em risco a existência destes animais. As fêmeas grávidas são mais lentas e vulneráveis aos predadores.
O principal predador dos lagartos é o mangusto, um mamífero carnívoro de pequeno porte. Os colonizadores levaram este animal da Índia para a região no século 19 para controlar o aumento da população de ratos, que tinham se tornado uma praga para as plantações de cana.

Além de atacar os ratos, os mangustos rapidamente incluíram os lagartos na dieta. A população dos répteis é muito pequena desde o início do século passado, por isso levou tanto tempo até que cientistas os descobrissem.
Os lagartos têm pequenas diferenças entre si que justificam a separação em tantas espécies. Desde o século 19, não havia na ciência a descrição de mais de 20 espécies de répteis de uma só vez.
Tipo de lagarto nativo de Antigua (Foto: Karl Questel, Penn State University)
Tipo de lagarto nativo de Antigua

domingo, 29 de abril de 2012

Austríacos testam traje espacial para futura missão tripulada em Marte

O Programa de Pesquisa Análoga sobre Marte testou neste sábado (28) um traje espacial que está sendo desenvolvido pelo Fórum Espacial da Áustria para futuras visitas ao chamado "Planeta Vermelho".

A roupa, batizada de Aouda.X, foi mostrada para a imprensa em uma caverna de gelo no monte Dachstein, perto da vila de Obertraun. Ela permite simular uma possível missão tripulada a Marte.
O Programa de Pesquisa Análoga sobre Marte é uma iniciativa internacional que envolve estudos em diferentes países, desenvolvendo tecnologia para uma futura viagem espacial ao planeta.
O físico Daniel Schildhammer exibe o traje espacial para jornalistas na caverna austríaca (Foto: Lisi Niesner/Reuters)
O físico Daniel Schildhammer exibe o traje espacial para jornalistas na caverna austríaca 
A roupa está sendo desenvolvida para uma futura missão tripulada no 'Planeta Vermelho' (Foto: Lisi Niesner/Reuters)
A roupa está sendo desenvolvida para uma futura missão tripulada no 'Planeta Vermelho'

sexta-feira, 27 de abril de 2012

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Empresa construirá sonda de R$ 400 milhões para examinar o Sol


A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) anunciou ter firmado um contrato de US$ 400 milhões com uma empresa britânica de tecnologia para construir um satélite com vistas a examinar o Sol de uma proximidade nunca conseguida antes.
O Orbitador Solar, a ser construído pela Astrium UK, tem previsão de lançamento para janeiro de 2017 e se aproximará a 45 milhões de km do Sol, mais perto do que Mercúrio, seu planeta mais próximo.
O cientista encarregado do projeto, Daniel Mueller, afirmou que o satélite, medindo cerca de 8 m³, terá que resistir dez vezes o calor do sol em comparação com o que chega à Terra. "O satélite terá que ser equipado com um escudo maciço de calor que deverá ser capaz de suportar cerca de 500 graus centígrados no lado voltado para o Sol e deverá ter temperatura controlada na parte de trás para proteger seus sensíveis equipamentos eletrônicos", afirmou.
O escudo deverá ter cerca de 30 cm de espessura e poderá ser composto de titânio envolvido em uma chapa isolante ou composto de fibra de carbono. A nave espacial examinará o vento solar, um fenômeno que afeta as comunicações por satélite.
Também estudará os polos da estrela para compreender como o Sol gera seu campo magnético. O contrato com a Astrium, subsidiária da gigante de defesa EADS, é um dos maiores já feitos entre a ESA e uma empresa britânica, ressaltou um comunicado. Algumas companhias europeias fornecerão componentes, enquanto Estados Unidos e membros da ESA financiarão alguns equipamentos científicos.
"O Orbitador Solar é uma missão fantástica", disse Alvaro Gimenez Canete, diretor de ciência e exploração robótica da ESA. "Ele nos ajudará a compreender como o Sol, essencial para quase toda vida na Terra, forma a helioesfera ('bolha' magnética que cerca nosso sistema solar) e dá origem ao clima espacial, que pode ter enorme influência na nossa civilização moderna", acrescentou.

Ônibus espacial Enterprise é aplaudido em último voo


Ônibus espacial foi o primeiro, mas, como era um protótipo, nunca chegou ao espaço. Foto: APÔnibus espacial foi o primeiro, mas, como era um protótipo, nunca chegou ao espaço
O ônibus espacial Enterprise, um protótipo que jamais viajou ao espaço, chegou nesta sexta-feira a Nova York em um último voo espetacular, acoplado a um Boeing 747 modificado para este fim. Depois de sobrevoar a Estátua da Liberdade e os arranha-céus de Manhattan, acompanhado ao vivo pelos canais de televisão, a nave aterrissou no aeroporto John F. Kennedy no fim da manhã, de onde será levado para seu destino final, o Intrepid Sea, Air and Space Museum.
O sobrevoo da nave foi saudado por aplausos e assobios ao longo do rio Hudson, onde centenas de turistas e nova-iorquinos se mostraram emocionados com a ocasião. "Acho que é a coisa mais legal que já vi. Estou sem palavras", afirmou Leuinda Field, 37 anos, uma professor que levou seu filho de 3 anos para participar do momento.
O ônibus espacial e o Boeing deixaram Washington nesta sexta-feira, pela manhã. A nave foi concluída em 1976 para ser usada para testes de voo atmosférico, mas não numa missão no espaço, ao contrário dos demais cinco ônibus da frota.
Na ocasião, foi lançada num grande evento que contou com a participação dos atores de Jornada nas Estrelas (Star Trek), uma vez que Enterprise é o mesmo nome da nave espacial usada nas missões do capitão Kirk e sr. Spock, os heróis do seriado criado por Gene Roddenberry na década de 1960.
Depois, o Enterprise virou uma atração turística. "Várias semanas após a chegada, o Enterprise será desacoplado do 747 e colocado em uma barcaça que será puxada por rebocadores pelo rio Hudson ao Intrepid Sea, Air and Space Museum", informou a Nasa em um comunicado.
As viagens finais dos outros ônibus espaciais também atraíram uma multidão de fãs. O Discovery se tornou, no dia 19 de abril, o primeiro ônibus espacial da antiga frota da Nasa - com exceção do protótipo Enterprise - a entrar em um museu, com uma festa com honras militares que marcou o fim de um programa de três décadas de voos espaciais tripulados. O Discovery também realizou uma espetacular despedida sobrevoando a capital americana carregado por um Boeing 747, procedente da Flórida.
Nos próximos meses será a vez do Endeavour e do Atlantis. O Endeavour será levado do Central Espacial Kennedy para o California Science Center em Los Angeles. O Atlantis, que ainda está na Flórida, também será exibido no Kennedy Center.
Os outros dois ônibus espaciais da frota, o Challenger e o Columbia, foram destruídos em acidentes. O Challenger explodiu pouco depois do lançamento, em 1986, e o Columbia se desintegrou durante a reentrada na atmosfera, em 2003. Os dois desastres mataram todos os tripulantes a bordo. Com o encerramento do programa do ônibus espacial, em julho de 2011, a Rússia ficou como único país capaz de enviar astronautas ao espaço.

asteroide 'gigante' passa próximo à Terra após 12 anos


O asteroide 4183 Cuno, descoberto em 1959, passará próximo à Terra após 12 anos. O Cuno possui diâmetro estimado entre 3,5 km e 7,8 km, muito acima da média deste tipo de corpo celeste que costuma se aproximar do planeta. A passagem ocorrerá no próximo dia 20 de maio.
De acordo com o Jet Propulsion Laboratory (JPL), da Nasa - a agência espacial americana - o asteroide passará a 47,4 LD (distâncias lunares) da Terra, cerca de 18 mi de km. O JPL é o órgão que coordena esforços da Nasa para detectar, rastrear e caracterizar asteroides potencialmente perigosos e cometas que se aproximam da Terra.
O 4183 Cuno possui magnitude 14,4 e viaja a cerca de 14,4 km/s. Não há risco de colisão com a Terra. No dia 22 de dezembro de 2000, última vez que passou perto do planeta, ele viajava a 21,1 km/s.
A próxima passagem do 4183 Cuno próximo à órbita terrestre está prevista para o dia 8 de dezembro de 2014. O asteroide foi descoberto em 1959 por Cuno Hoffmeister, astrônomo alemão, em análise realizada na cidade de Bloemfontein, na África do Sul

Curiosity: A mais completa sonda em marte


                                                                  Curiosity

Astronomia de A a Z

Você sabe a diferença entre nova, supernova e hipernova? A diferença de um parsec(ou como os astrônomos chegaram até ela) é algo que lhe encomoda? Não consegue dormir antes de descobrir de qual estado da matéria o sol é feito?
Este pequeno guia tenta desvendar, de forma simples e direta, algumas das questões mais comuns e necessárias na astronomia. Veja a seguir as principais delas:
Astronomia de A a Z

'Atacada' pelo Sol, nave pode ajudar missão tripulada a Marte


Gráfico mostra em verde rota da nave rumo a Marte. Foto: Nasa/DivulgaçãoGráfico mostra em verde rota da nave rumo a Marte
Marte é um dos grandes - senão o grande - alvo da pesquisa espacial. Após o plano do presidente americano Barack Obama de mandar astronautas ao planeta vermelho, cada vez mais pesquisas e estudos se juntam aos já existentes para tentar descobrir se é possível chegar ao nosso vizinho. Contudo, nós já visitamos o solo marciano há décadas, mas não presencialmente. E a próxima sonda já está a caminho - faltam apenas 100 dias para o fim da viagem.

A Curiosity segue na nave Mars Science Laboratory, lançada em 26 de novembro de 2011 em um foguete Atlas V, da Nasa - a agência espacial americana. Curiosamente, no meio do trajeto o equipamento sofreu uma experiência que pode ajudar no projeto de levar o homem a Marte.
A espaçonave foi alvejada diretamente por uma tempestade solar X-2 (na escala "Richter" do Sol, as tempestades X são as mais poderosas). Foi uma fuzilada de elétrons e prótons de altíssima energia que viajaram próximos à velocidade da luz - na Terra, essas partículas formam as auroras boreais e austrais. Ao atingir os escudos externos da nave, espatifaram moléculas e átomos em seu caminho, o que produziu uma segunda onda de energia.
E é essa radiação cósmica uma das maiores preocupações em uma viagem interplanetária. Astronautas podem acabar torrados pelos prótons do Sol ou por raios de uma supernova ou de um buraco negro. A boa notícia para a exploração espacial é que a sonda resistiu a toda esse bombardeio do Sol. A segunda boa notícia é que é a primeira que tem um equipamento para medir a radiação recebida (chamado de RAD). Contudo, não conseguimos saber com precisão como essa radiação atuou dentro da nave.
"Mesmo supercomputadores têm problemas em calcular o que exatamente ocorre quando raios cósmicos de alta energia e partículas energéticas solares atingem os escudos de uma espaçonave. Uma partícula atinge outra; fragmentos voam; os fragmentos atingem uns aos outros e batem em outras moléculas", diz um artigo da própria Nasa.
Mas sabemos que serão muitos os dados recebidos e analisados pelo RAD durante a viagem. Afinal, o Sol está em uma temporada de poderosas tempestades que deve durar ainda alguns anos. Além disso, diversas partículas de outras fontes varrem o Sistema Solar com frequência e devem - ou até já atingiram a Curiosity. E tudo isso vira know how para os cientistas. Aliás, a Nasa afirma que espera que o equipamento seja atingido. E ainda faltam 100 dias para isso.
Curiosity
A sonda é não apenas a mais moderna, mas também a mais bem equipada a já chegar a Marte. São 10 instrumentos científicos que deixam o robô 10 vezes mais pesado e com o dobro do comprimento que as sondas Spirit e Opportunity, lançadas em 2003.

Ao contrário das irmãs mais velhas, a Curiosity é capaz de colher (após pulverizar, triturar e/ou "explodir" com um laser) amostras de solo e rocha e analisá-las em um "laboratório" interno - ou com suas muitas câmeras e espectrômetros (equipamento que analisa o espectro eletromagnético).
Segundo o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês), da Nasa, o robô é capaz de passar por obstáculos de até 65 cm de altura e percorrer até 200 m por dia no terreno marciano. Um gerador radioativo, alimentado por plutônio-238, vai produzir energia suficiente para um ano marciano (687 dias da Terra), tempo previsto para a missão.
O local onde a sonda vai pousar não foi escolhido ao acaso. A cratera Gale seria um dos locais potencias para a existência de vida em Marte. Contudo, a sonda não foi projetada para determinar se existe - ou existiu - vida no planeta, já que não carrega instrumentos para registrar processos biológicos nem registrar imagens microscópicas. A ideia é preparar o terreno para futuras missões com esses objetivos e até para uma possível missão tripulada.

A caminho de museu, Enterprise sobrevoa Nova York


Acoplada a um avião, Enterprise sobrevoa a Estátua da Liberdade (Foto: Reuters/Brendan McDermid)
Acoplada a um avião, Enterprise sobrevoa a
Estátua da Liberdade 
A Nasa transportou na manhã desta sexta-feira (27) a Enterprise de Washington para Nova York. O Boeing 747 adaptado para levar a nave decolou do aeroporto de Dulles, na capital, rumo ao aeroporto JFK, na maior cidade norte-americana.
No caminho, o avião sobrevoou a ilha de Manhattan, exibindo a Enterprise perto de importantes pontos turísticos de Nova York.
A nave, que serviu como protótipo para os ônibus espaciais, mas nunca saiu da Terra, ficará exposta no Museu Marítimo e Aeroespacial Intrepid a partir de julho.
Antes, a Enterprise ficava Museu Aeroespacial do Instituto Smithsonian, mas foi retirada para dar lugar ao ônibus espacial Discovery no último dia 17.
O transporte das duas naves foi feito da mesma maneira. Elas foram acopladas a um Boeing 747, que as leva “nas costas”.

Os outros ônibus espaciais sobreviventes, Endeavour e Atlantis, serão expostos ainda neste ano no Centro de Ciências da Califórnia, em Los Angeles, e no Complexo de Visitantes do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, respectivamente.
Enterprise acima dos prédios de Manhattan, em Nova York (Foto: AP Photo/Julio Cortez)Enterprise acima dos prédios de Manhattan, em Nova York

Astronautas retornam à Terra após seis meses na estação espacial


Soyuz TMA-22 pousa no Cazaquistão (Foto: AFP Photo/Kirill Kudryatsev)
Soyuz TMA-22 pousa no Cazaquistão
Três astronautas -- os russos Anton Shklaperov e Anatoli Ivanishin e o americano Dan Burbank -- retornaram nesta sexta-feira (27) à Terra depois de uma missão de seis meses na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), anunciou o Centro Russo de Controle dos Voos Espaciais (TSOUP).
"Pouso de sucesso", afirma uma mensagem do TSOUP nas câmeras de controle, quando a nave espacial Soyuz tocou a terra às 8h45 (horário de Brasília, 17h45 no horário local) no Cazaquistão. A viagem durou cerca de três horas de meia.
Pouco depois da aterrissagem, os astronautas apareceram em boa forma e sorridentes diante das câmeras.
Depois de sair da cápsula Soyuz, os três astronautas foram envolvidos por um cobertor azul, enquanto os médicos iniciavam os primeiros exames.
Anatoli Ivanishin é retirado da Soyuz pela equipe de apoio em Terra (Foto: AFP Photo/Kirill Kudryatsev)Anatoli Ivanishin é retirado da Soyuz pela equipe de apoio em terra
O russo Anton Shklaperov foi o primeiro a sair, seguido por Ivanishin e Burbank.
Os três haviam decolado do cosmódromo de Baikonur para a ISS em 14 de novembro de 2011.
A nova missão para a estação orbital decolará em 15 de maio do mesmo cosmódromo no Cazaquistão. Atualmente, a ISS conta com as presenças do russo Oleg Kononenko, do americano Don Pettit e do holandês André Kuipers.
Soyuz TMA-22, poucos minutos depois de desacoplada da ISS, em foto feita pelo astronauta Andre Kuipers (Foto: ESA/Nasa)Soyuz TMA-22, poucos minutos depois de desacoplada da ISS, em foto feita pelo astronauta Andre Kuipers 

Evaporação e formação de chuvas estão mais rápidas, dizem cientistas


Estudo realizado por pesquisadores da Austrália e dos Estados Unidos afirma que os eventos extremos da natureza como a seca e as chuvas, decorrentes da mudança climática global, ficarão mais intensos nas regiões onde esses fenômenos já ocorrem com frequência.
Segundo artigo publicado na revista científica “Science” nesta quinta-feira (26), foram analisados 50 anos de medições de níveis de salinidade do mar e na atmosfera da Terra e verificou-se que o processo de evaporação e precipitação (chuva) tem ocorrido de forma mais rápida.
Os cientistas sugerem que este ciclo global da água poderá se intensificar em até 24% se as temperaturas globais aumentarem entre 2º C e 3ºC – conforme previsão feita pelo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).
O efeito é classificado como “ricos cada vez mais ricos”, ou seja, onde já há secas intensas, a probabilidade de agravamento é alta e onde as regiões já são umidas, as chuvas devem se acentuar.
Os estudiosos afirmam que essa mudança na disponibilidade de água doce (proveniente das chuvas), em resposta à mudança climática, representa um importante risco para a sociedade humana e ecossistemas. Uma redistribuição de chuvas afetaria, por exemplo, a disponibilidade de alimentos no mundo.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Agricultores e caçadores se miscigenaram na Europa


Uma análise de DNA de quatro humanos da Idade da Pedra, publicada nesta quinta-feira, revela como fazendeiros provavelmente migraram para o norte da Europa a partir do Mediterrâneo e acabaram se misturando com caçadores-coletores.
O estudo, realizado por uma equipe sueco-dinamarquesa e publicado na revista científica americana Science, lança luz sobre um capítulo muito discutido da história humana: Como a agricultura se disseminou do Oriente Médio para a Europa?
Os cientistas acreditam que a agricultura tenha se originado no Oriente Médio por volta de 11 mil anos atrás e alcançou a maior parte da Europa continental há cerca de 5 mil anos. As últimas descobertas sugerem que técnicas de plantio foram introduzidas por populações do sul que viviam na região do Mediterrâneo e levaram seu conhecimento para os caçadores-coletores do norte.
Os cientistas chegaram a esta conclusão após o uso de análise avançada de DNA em quatro restos mortais da Idade da Pedra na Suécia - um fazendeiro e três caçadores-coletores - de cinco mil anos atrás. Os estudiosos conseguiram diferenciá-los, em parte, pela forma como os restos foram sepultados: o fazendeiro em uma tumba elevada de pedra megalítica e os caçadores coletores, em covas rasas.
"Nós analisamos dados genéticos de duas diferentes culturas, uma de caçadores-coletores e outra de fazendeiros, que coexistiram mais ou menos na mesma época, a menos de 400 km de distância uma da outra", explicou o autor do estudo, Pontus Skoglund.
"Após comparar nossos dados com os de populações de humanos modernos da Europa, nós descobrimos que os caçadores-coletores da Idade da Pedra estavam fora da variação genética das populações modernas, porém mais próximos dos indivíduos finlandeses, e que o fazendeiro que analisamos combinava estreitamente com as populações mediterrâneas", acrescentou.
Este dado produz a imagem de uma migração de culturas de fazendeiros que levaram seus plantios e expertise de semeadura e acabaram se misturando aos locais, ensinando-os como cultivar a própria comida. "O perfil genético do fazendeiro da Idade da Pedra combinava com o de pessoas que atualmente vivem nas adjacências do Mediterrâneo, em Chipre, por exemplo", explicou Skoglund, estudante da Universidade de Uppsala, na Suécia.
"Os resultados sugerem que a agricultura se espalhou pela Europa, em conjunto com uma migração das pessoas", acrescentou Skoglund. "Se a agricultura tivesse se disseminado exclusivamente como processo cultural, não esperaríamos ver um fazendeiro no norte com tal afinidade genética com as populações do sul", emendou.
O coautor da pesquisa, Mattias Jakobsson, também da Universidade de Uppsala, disse que os dois grupos "tinham heranças genéticas totalmente diferentes e viveram lado a lado por mais de mil anos até finalmente se miscigenarem".
O resultado é a população europeia moderna, que mostra fortes influências genéticas dos fazendeiros imigrantes da Idade da Pedra, embora alguns genes de caçadores-coletores tenham permanecido, afirmaram os cientistas.
O estudo foi financiado pelo Conselho Nacional Dinamarquês de Pesquisa, pela Academia Real de Ciências Sueca e pelo Conselho de Pesquisas Sueco, assim como por instituições privadas.

Lava vulcânica esculpiu solo de Marte em passado geológico recente

Imagem fornecida pela Nasa (agência espacial norte-americana), nesta quinta-feira (26),  mostra fluxo de lava em formas circulares próximo à região equatorial de Marte. Analisando as imagens de alta resolução da região, pesquisadores da agência determinaram que a área foi esculpida por atividade vulcânica no passado geológico recente. Esta é a primeira vez que essas características geológicas foram descobertas fora da Terra.  (Foto: AP Photo / Nasa)Imagem da Nasa (agência espacial norte-americana), divulgada nesta quinta-feira (26), mostra fluxo de lava em formas circulares próximo à região equatorial de Marte. Analisando as imagens em alta resolução da região, pesquisadores da agência determinaram que a área foi esculpida por atividade vulcânica no passado geológico recente. Esta é a primeira vez que tais características geológicas foram descobertas fora da Terra.

Cientistas descobrem aglomerado de galáxias mais longínquo do espaço


Astrônomos japoneses anunciaram nesta quarta-feira (25) a descoberta de um cluster (aglomerado) de galáxias há 12,72 bilhões de anos-luz de distância da Terra, o que alegam ser o mais longínquo já encontrado. A pesquisa será publicada no periódico americano "Astrophysical Journal".
Usando um poderoso telescópio baseado no Havaí, a equipe fez uma viagem no tempo, observando o espaço como era cerca de um bilhão de anos após o Big Bang, a grande explosão que deu origem ao universo.
Astrônomos japoneses Imagem captada pelo telescópio japonês Subaru.  (Foto: National Astronomical Observator / AFP)
O telescópio Subaru baseado no Havaí detectou um cluster de galáxias há 12, 72 bilhões de anos-luz de distancia da Terra. 
"Isto mostra que um cluster de galáxias já existia nos estágios mais remotos do universo, quando ainda tinha menos de um bilhão de anos de sua história de 13,7 bilhões de anos", anunciaram os astrônomos em um comunicado.
A descoberta foi feita em conjunto por cientistas da estatal Universidade de Estudos Avançados e do Observatório Astronômico Nacional do Japão, usando o Telescópio Subaru do Havaí.
Eles encontraram um "protocluster de galáxias", que deve ajudar os cientistas a compreender a estrutura do universo e como as galáxias se desenvolveram.
Usando o telescópio Hublle, da Nasa, os cientistas tinham anunciado anteriormente a descoberta de um possível cluster de galáxias cerca de 13,1 bilhões de anos-luz distante da Terra, mas esta ainda não foi confirmada, segundo os cientistas japoneses.

Homem encontra meteoritos recém-caídos nos Estados Unidos


Robert Ward encontrou dois meteoritos na Califórnia (Foto: AP Photo/Rich Pedroncelli)
Robert Ward encontrou dois meteoritos na
Califórnia 
Um caçador de meteoros encontrou no estado norte-americano da Califórnia duas rochas que vieram do espaço – a origem destas pedras foi confirmada por cientistas.
No último fim de semana, uma chuva de meteoros atingiu a Terra, e foi vista na região oeste dos Estados Unidos.
Robert Ward acredita que as duas pedrinhas que encontrou – cada uma com cerca de 10 gramas – sejam parte do mesmo meteoro. Segundo os especialistas, este meteoro teria o tamanho de uma minivan antes de se desintegrar devido ao atrito com a atmosfera.
A análise mostrou que os meteoritos são “condritos carbonáceos”, como os cientistas classificam. São rochas da época da formação do Sistema Solar, cerca de 5 bilhões de anos atrás.
“É uma das coisas mais antigas conhecidas pelo homem e um dos tipos mais raros de meteoritos que existem”, apontou Ward. “Contém aminoácidos e compostos orgânicos que são extremamente importantes para a ciência”, completou.
Em mais de 20 anos com o hobby, Ward diz que já encontrou meteoritos em todos os continentes, com exceção da Antártica.
No domingo (22), a Nasa registrou a chuva de meteoros no estado de Nevada (Foto: AP Photo/Lisa Warren, NASA/JPL)
No domingo (22), a Nasa registrou a chuva de meteoros no estado de Nevada

Torres de telecomunicações matam 7 milhões de pássaros por ano


Cerca de 7 milhões de pássaros morrem anualmente na América do Norte devido à torres de telecomunicações, sobretudo as mais altas, durante sua migração para América Central e América do Sul, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira. Estas aves são vítimas das 84 mil torres instaladas nos Estados Unidos e Canadá, algumas das quais alcançam 600 m de altura, ou seja, duas vezes a altura da Torre Eiffel.
"Tal tragédia poderia ser evitada", disse Travis Longcore, um ornitólogo da Universidade da Califórnia do Sul, principal autor do estudo publicado na revista americana PLoS ONE (Public Library of Science). Quanto maior a torre, maior a ameaça para os pássaros.
Os pássaros não morrem por se chocar contra a torre, mas por atingir os numerosos cabos metálicos que rodeiam essas estruturas para mantê-las firmes em seu lugar. Em caso de mau tempo, as nuvens obrigam as aves a voar mais baixo, impedindo os animais de contar com elementos de navegação como as estrelas, e deixando como única referência visual os focos vermelhos dessas antenas enormes.
"Os pássaros não podem se desprender destas lâmpadas vermelhas fixas que têm como referência, o que os obriga a voar em círculos ao redor das torres e acabam atingindo estes cabos", explica Travis Longcore.
Ele completou que as torres com luzes intermitentes são por esta razão menos perigosas para as aves. Substituir luzes fixas por luzes intermitentes tornaria as torres menos perigosas para as aves.