quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Cientistas estudam rostos de macacos para entender sua evolução

Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA) analisou 129 rostos de macacos na América Central e América do Sul em busca de pistas sobre a evolução das espécies.
Segundo o professor Michael Alfaro, os cientistas querem entender porque os macacos desenvolveram aspectos tão diferentes em seus rostos - como cores e tamanhos de pelos distintos.
Eles classificaram os rostos em 14 grupos diferentes, e também estudaram os sistemas sociais de cada espécie. Eles também pesquisaram a evolução, para entender quando cada gênero de animal começou se diferenciar dos demais.
As espécies de macacos do continente americano são muito variadas, com cores e rostos complexos. Pesquisadores da Universidade da Califórina Los Angeles (UCLA) estão estudando as diferenças entre eles, como os entorno dos olhos cor-de-rosa deste macaco-de-cheiro. (Foto: J L Alfaro/UCLA) 
As espécies de macacos do continente americano são muito variadas, com cores e rostos complexos. Pesquisadores da Universidade da Califórina Los Angeles (UCLA) estão estudando as diferenças entre eles, como os entorno dos olhos cor-de-rosa deste macaco-de-cheiro. (Foto: J L Alfaro/UCLA)
O resultado da pesquisa surpreendeu os cientistas. "Encontramos fortes evidências para a ideia de que quando uma espécie vive em grupos mais numerosos, os seus rostos são mais simples", disse a pesquisadora Sharlene Santana.
"Acreditamos que isso está relacionado com a habilidade de comunicação mediante expressões faciais. Um rosto mais simples permite transmitir expressões de uma forma mais fácil e clara."
Os cientistas descobriram também que quando os macacos vivem em ambientes com outras espécies semelhantes, seus rostos são mais complexos, para permitir a identificação de cada um.
Alfaro afirma que os humanos não possuem características tão diversas em seus rostos, como foi verificado nos animais, mas que ainda assim os humanos são capazes de comunicar emoções através de uma grande diversidade de expressões faciais.
Em um artigo publicado na revista Royal Society Journal, Proceedings B, a equipe descreve como animais de zonas tropicais, como este macaco-prego, adquiriram suas características faciais - como a cor - para facilitar o reconhecimento à distância entre eles. (Foto: J L Alfaro/UCLA) 
Em um artigo publicado na revista Royal Society Journal, Proceedings B, a equipe descreve como animais de zonas tropicais, como este macaco-prego, adquiriram suas características faciais - como a cor - para facilitar o reconhecimento à distância entre eles. (Foto: J L Alfaro/UCLA)
Animais solitários, ou aqueles que vivem em pequenos grupos, como este macaco-da-noite, têm cores e rostos mais complexos, segundo a cientista Sharlene Santana, que liderou a pesquisa. Isso pode ter evoluído desta forma para que cada macaco tivesse uma identidade diferente, que facilitasse a distinção entre eles. (Foto: C Wolovich/UCLA)Animais solitários, ou aqueles que vivem em pequenos grupos, como este macaco-da-noite, têm cores e rostos mais complexos, segundo a cientista Sharlene Santana, que liderou a pesquisa. Isso pode ter evoluído desta forma para que cada macaco tivesse uma identidade diferente, que facilitasse a distinção entre eles. (Foto: C Wolovich/UCLA)
A cor da face e o tamanho dos pelos são dois indícios de como os animais se adaptaram aos seus ambientes. Santana explica: "A área ao redor dos olhos evoluiu para uma cor mais escura em espécies que vivem em lugares com alta radiação ultravioleta." No caso deste macaco-aranha, o rosto escuro ajuda o animal a lidar com o sol forte. (Foto: J L Alfaro/UCLA) 
A cor da face e o tamanho dos pelos são dois indícios de como os animais se adaptaram aos seus ambientes. Santana explica: "A área ao redor dos olhos evoluiu para uma cor mais escura em espécies que vivem em lugares com alta radiação ultravioleta." No caso deste macaco-aranha, o rosto escuro ajuda o animal a lidar com o sol forte. (Foto: J L Alfaro/UCLA)

Cientistas listam 4 novas descobertas sobre o Universo

 
A 'cor' da Via Láctea é, na verdade, o resultado de
um jogo de luz. (Foto: Nasa / via BBC)

A verdadeira cor da Via Láctea, exoplanetas, um observatório voador e a matéria escura estão entre as últimas descobertas da astronomia.
No último congresso da Sociedade Astronômica Americana, realizado em Austin, nos Estados Unidos, de 8 a 12 de janeiro, especialistas de todo o mundo apresentaram os últimos desenvolvimentos no estudo do cosmos.
Embora não se conheça vida fora da Terra, para os especialistas estamos iniciando uma nova era no que diz respeito ao nosso conhecimento sobre outros planetas.
"O telescópio Kepler e as microlentes gravitacionais estão abrindo uma espécie de nova era para a descoberta dos planetas", diz James Palmer, especialista em ciência da BBC.
Mais planetas são revelados e novas formas de observação e ferramentas acrescentam dados que ajudam a esclarecer, aos poucos, alguns mistérios do espaço. Veja alguns deles.
A verdadeira cor da Via Láctea
A aparência branca da Via Láctea vista da Terra é, na verdade, resultado de um jogo de luz.
"Para os astrônomos, um dos parâmetros mais importantes é a cor das galáxias. Isso nos indica a idade das estrelas", diz Jeffrey Newman, da Universidade de Pittsburgh
Uma comparação entre várias galáxias também teve um resultado pouco surpreendente: a cor é de fato branca.
A novidade, no entanto, refere-se à tonalidade específica.
Trata-se do branco da neve da primavera logo depois do amanhecer ou antes do entardecer, segundo os pesquisadores, o que poderá trazer informações sobre a idade da Via Láctea.
Até então, um problema recorrente para detectar a tonalidade era a poeira espacial que interfere nos observatórios instalados na terra.
Os pesquisadores reuniram, então, informações de milhões de galáxias similares à Via Láctea. A partir de um modelo especificamente elaborado para o estudo, foi feita uma média de cor, cujo resultado foi o branco da neve.
Atualmente, são conhecidos mais de 700 exoplanetas no Universo. (Foto: Nasa / via BBC) 
Atualmente, já foram detectados mais de 700
exoplanetas no Universo. (Foto: Nasa / via BBC)
Com o resultado, será possível avançar no estudo sobre a origem da Via Láctea, que já tem várias estrelas em fase de decadência, diz o professor.
Estrelas e planetas
Usando uma microlente gravitacional, a equipe de cientistas encontrou uma série de exoplanetas (que estão fora do sistema solar) girando em torno de outras estrelas. A descoberta indica a existência de milhões de outros planetas, apenas na Via Láctea.
O método que permitiu a descoberta consiste em usar a gravidade de uma estrela grande para amplificar a luz de estrelas ainda mais distantes e com planetas ao seu redor.
Os astrônomos usam uma série de telescópios relativamente pequenos, conectados em rede, e através destes observam o raro evento de uma estrela passando diante da outra, como se vê da Terra.
A equipe de cientistas usou recentemente esse sistema para observar planetas e ainda que o número de descobertas tenha sido relativamente pequeno, pode-se chegar a uma estimativa de quantos podem existir na galáxia.
Embora o telescópio Kepler seja a principal ferramenta para descobrir novos exoplanetas nos últimos anos, as microlentes são melhores para localizar planetas de todos os tamanhos e em diferentes distâncias.
"Apenas nos últimos 15 anos fomos de nenhum planeta conhecidos além do sistema solar aos 700 que temos hoje", diz Martin Dominik, da Universidade de Saint Andrews, no Reino Unido.
Observatório voador
O congresso também mostrou dados captados por um telescópio bastante incomum, cuja particularidade é estar instalado na carcaça de um avião 747.
A matéria e a energia escuras responderiam por 96% da massa do Universo, segundo parte dos teóricos. (Foto: Nasa / via BBC) 
A matéria e a energia escuras responderiam por
96% da massa do Universo, segundo parte dos
teóricos. (Foto: Nasa / via BBC)
O grande feito do Sofia (Observatório Estratosférico para Astronomia Infravermelha) foi captar imagens do que parece ser uma estrela em formação.
"Esta parte da Nebulosa de Órion tem sido observada por décadas. É o mais próximo da formação de uma estrela na galáxia, o que nos dá a melhor medida de como as estrelas se formam", explica o professor James De Buizer, da Universities Space Research Association (USRA).
Com 15 toneladas, o telescópio é montado em um suporte giratório para que possa permanecer com suas lentes fixas nas estrelas.
Ele foi projetado especialmente para analisar o cosmos na porção infravermelha do espectro eletromagnético, uma vez que os telescópios instalados na Terra não conseguem enxergar essa parte porque o vapor de água na atmosfera absorve essa luz infravermelha.
Os mistérios da matéria escura
No congresso, uma equipe franco-canadense apresentou as maiores imagens já vistas da chamada matéria escura, a misteriosa substância que compõe 85% do universo.
As imagens cobrem um espaço cem vezes maiores que aquele até então captado pelo telescópio Hubble e são compatíveis com as teorias em voga até então.
Na nova imagem, os aglomerados de matéria escura podem ser visto circundando as galáxias, conectados por filamentos soltos de matéria escura.
A professora Catherine Heymans, da Universidade de Edimburgo, explica que "as teorias da matéria escura indicavam que ela formaria uma intrincada e gigante rede cósmica".
"É exatamente o que vemos nesses dados, uma rede cósmica abrigando as galáxias", diz.
A matéria escura não emite nenhum tipo de radiação eletromagnética e por isso não pode ser observada, sozinha, por telescópios. Ela pode, no entanto, ser detectada por meio de um estudo de como a luz é refletida por elementos que ficam à sua volta.
As quatro imagens foram feitas em diferentes estações do ano, cada uma capturando uma parcela do céu que, vista da terra, é tão grande como a palma de uma mão.
Essas descobertas constituem um grande salto adiante no entendimento da matéria escura e da forma como ela afeta o jeito que vemos a matéria normal nas distintas galáxias pela noite.
Juntas, as imagens mostram mais de 10 milhões de galáxias, cuja luz traz indícios da estrutura mais ampla da matéria escura.
A professora Catherine Heymans, da Universidade de Edimburgo, explica que "a luz de uma galáxia distante que chega até nós é curva, por causa da gravidade da massa da matéria que se encontra no meio" do caminho.
"A Teoria da Relatividade de Einstein nos diz que a massa altera o espaço e o tempo, então quando a luz chega até nós, vinda do universo, caso cruze a matéria escura, essa luz torna-se curva e a imagem que vemos é distorcida", explica a professora.