sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Pesquisadores criam material que torna objetos em 3D invisíveis

Cientistas americanos conseguiram pela primeira vez criar um material que permite envolver um objeto tridimensional e fazê-lo invisível sob qualquer ângulo.
Os autores da pesquisa publicada no "New Journal of Physics" afirmam que, embora outros cientistas já houvessem ocultado objetos em duas dimensões, agora é possível fazer objetos comuns serem envolvidos em seu ambiente natural e desaparecer sob os olhos dos observadores em todas as direções e a partir de todas as posições.Os pesquisadores utilizaram um método conhecido como "cloaking plasmonic" (disfarce plasmônico). O material conseguiu ocultar um cilindro de 18 centímetros dentro do espectro eletromagnético das micro-ondas, mas não até a luz visível. Com isso, fazer alguém desaparecer seguirá possível, ao menos por enquanto, apenas para cineastas de Hollywood.
Durante a apresentação do feito, os especialistas explicaram que as pessoas são capazes de enxergar objetos porque os raios de luz ricocheteiam nos materiais e nossos olhos são capazes de processar a informação.
Devido a suas propriedades únicas, o metamaterial plasmônico usado nesta pesquisa dispersa a luz dos materiais, causando a "invisibilidade em todos os ângulos de observação", segundo explicou o professor Andrea Alu, cientista do Departamento de Engenharia Elétrica e Informática da Universidade de Austin, no estado norte-americano do Texas.
O desafio de sua equipe agora é ocultar um objeto em três dimensões usando a luz visível.

Material mais forte que o aço é também superpermeável, diz estudo

Um novo estudo sobre o grafeno, material tido como 100 vezes mais forte que o aço, revela que o composto pode também ser capaz de permitir a evaporação da água e, ao mesmo tempo, impedir a passagem de quase todos os outros tipos de líquidos e gases dentro de um recipiente.
O grafeno é feito por átomos de carbono compactados em uma superfície com a espessura de uma molécula. Segundo os cientistas, o grafeno tem a capacidade de conduzir eletricidade e calor melhor do que qualquer outro material conhecido. Ele também é o material mais maleável que os cientistas conhecem.
A nova pesquisa foi conduzida pelo holandês Andre Geim, um dos cientistas que recebeu o Nobel de Física em 2010 por conta de estudos anteriores com o material. O trabalho foi divulgado na revista “Science” desta semana.
No experimento da equipe da Universidade de Manchester, no Reino Unido, a “folha” de grafeno foi combinada com moléculas compostas por átomos de hidrogênio e oxigênio (hidroxilas).
Cada uma dessas folhas é colocada em cima de outra, formando uma lâmina. Essas membranas são centenas de vezes mais finas que um fio de cabelo humano, mas continuaram resistentes, fáceis de manipular e flexíveis.
                                 
                                       Moléculas de água teriam o formato ideal para
                                                   passar pelo lacre de grafeno.

 O passo seguinte foi usar as lâminas para lacrar um container de metal. Os cientistas verificaram que nenhum gás ou líquido saiu de dentro do recipiente, nem mesmo o gás hélio.
Mas ao repetirem experimento usando um recipiente com água, os pesquisadores ficaram surpresos ao ver que o líquido se evaporava como se o lacre de grafeno não existisse.
Para Rahul Nair, coordenador da parte experimental do estudo, uma explicação possível é o fato de existirem “buracos” entre as moléculas de grafeno, que deixariam passar apenas as pequenas moléculas de água.
Essa propriedade seria útil para retirar água de uma mistura ou de um recipiente sem que os outros ingredientes se percam. Geim acredita que o caráter superpermeável do grafeno também poderá servir para filtros de água ou objetos que sirvam para isolar o líquido.Outras pesquisas sugerem que o grafeno ainda tenha aplicações na telefonia celular e como possível substituto do silício em computadores.
  
Rahul Nair, um dos autores do trabalho, com uma
fina lâmina de óxido de grafeno.
 DiversãoDurante uma brincadeira, o grupo chegou a usar as membranas de grafeno para fechar uma garrafa de vodca. Com o tempo, a bebida ficou cada vez mais forte, pois a água presente na garrafa se evaporou aos poucos.
Não é a primeira vez que Geim se diverte nos laboratórios europeus. Em 2000, ele foi um dos "premiados" do Ig Nobel, uma sátira do Nobel promovida pela revista de humor científico "Anais da Pesquisa Improvável", que presta homenagem a pesquisas científicas incomuns, óbvias ou bizarras.