quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Arqueólogos acham moedas romanas no Muro das Lamentações


Arqueólogos israelenses descobriram nesta quarta-feira (23) moedas da época dos romanos debaixo do Muro das Lamentações, em Jerusalém, local sagrado para os judeus. As moedas foram cunhadas por volta do ano 25 d.C. e podem mudar as teorias sobre a construção do muro, há cerca de 2 mil anos.
Durante séculos, se pensou que o muro havia sido construído pelo rei Herodes -- que, na tradição cristã, também é considerado infame por seus esforços de caçar o menino Jesus na história original do Natal.
Porém, Herodes morreu em 4 d.C., cerca de 20 anos antes da produção das moedas. Isso indica que o muro foi finalizado por seus sucessores.
Uma das 17 moedas encontradas sob o Muro das Lamentações (Foto: AP Photo/Sebastian Scheiner)Uma das 17 moedas encontradas sob o Muro das Lamentações (Foto: AP Photo/Sebastian Scheiner)
Arqueólogo israelense Eli Shukron, à esquerda, mais abaixo, mostra onde foram achadas as moedas (Foto: AP Photo/Sebastian Scheiner)Arqueólogo israelense Eli Shukron, à esquerda, mais abaixo, mostra onde foram achadas as moedas (Foto: AP Photo/Sebastian Scheiner)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Agência espacial russa dá por perdida sonda phobos-Grunt

Sonda interplanetária russa Phobos-Grunt

A agência espacial russa (Roscosmos) deu nesta terça-feira (22) por quase perdida a sonda interplanetária Fobos-Grunt. Ainda é desconhecida a causa para a nave ter ficado na órbita terrestre ao invés de seguir para Marte.
"É preciso ser realista. Se não conseguimos estabelecer comunicação (com a estação) durante tanto tempo, são poucas as possibilidades de levarmos essa missão adiante", declarou o subdiretor da Roscosmos, Vitaly Davydov, citado pela agência "Interfax".
Davydov acrescentou que a próxima janela para voo deverá se abrir dentro de dois anos, prazo em que - no melhor dos cenários - a Fobos-Grunt terá perdido suas funções.
"Não recebemos informações da estação. Simplesmente não entendemos o que aconteceu", admitiu Davydov, ressaltando que a falta de dados não permite aos especialistas estabelecer as causas da conduta incomum da estação. A circunferência descrita pela nave ao girar pela Terra se "alarga" diariamente um quilômetro no perigeu - o ponto na órbita mais próximo do planeta.
Pelos cálculos da Roscosmos, a Fobos-Grunt poderia entrar nas camadas densas da atmosfera e cair na Terra entre o fim de dezembro e fevereiro de 2012. "É interessante ver como se comportará (a estação), porque tem combustível a bordo", destacou Davydov.
Para a agência, não é possível dizer de antemão que tipo de fragmentos da Fobos-Grunt alcançarão a superfície terrestre. Segundo o subdiretor da Roscomos, o que chegará até o solo sem dúvida é a cápsula da sonda que devia trazer à Terra 200 gramas de amostras do solo da lua marciana Fobos.
"Mas se calcularmos a probabilidade da cápsula cair na cabeça de alguém, esta com certeza será próxima de zero", disse. A Roscosmos poderá informar as coordenadas da região onde cairão os fragmentos da estação somente com 24h de antecedência.
Davydov indicou que se a expedição da Fobos-Grunt fracassar, a Roscosmos estuda continuar as expedições a Marte ou concentrar-se na pesquisa da Lua.
A Fobos-Grunt, lançada no último dia 8 de novembro, deveria completar sua missão dentro de 34 meses, incluindo um voo a Fobos, uma descida na superfície e, finalmente, o retorno à Terra de uma cápsula com mostras do solo do satélite marciano.
O projeto, com custo US$ 170 milhões, tinha como objetivo estudar a matéria inicial do sistema solar e ajudar a explicar a origem de Fobos e Deimos, a segunda lua marciana, assim como dos demais satélites naturais no Sistema Solar.
Cientistas testam lentes de contato com projeção holográfica

 Ilustração mostra como seria lente com projeção holográfica 

Uma nova geração de lentes de contato capazes de projetar imagens na frente do usuário está um passo mais perto da realidade, depois que os cientistas testaram com sucesso o aparelho em animais.
A tecnologia permitiria a leitura de textos, como emails, através de projeções holográficas, assim como o aperfeiçoamento da visão através de imagens geradas por computador.
Os pesquisadores das Universidades de Washington, nos EUA, e de Aalto, na Finlândia, responsáveis por desenvolver a lente biônica, dizem que os primeiros testes, realizados com coelhos, não registraram efeitos adversos evidentes da invenção.
Incrementada através da implantação de centenas de pixels (o menor elemento de uma imagem digital), a lente poderia ser usada por motoristas para ver mapas através de realidade virtual, ou checar a velocidade do seu carro projetada no pára-brisa.
Na mesma linha, as lentes poderiam elevar o mundo virtual de um vídeo game a um nível totalmente novo.
Em outro tipo de uso, os instrumentos podem ser conectados a biossensores no corpo do usuário e prover informações, por exemplo, sobre o nível de açúcar no sangue.
Desenvolvimento
O produto final ainda precisa ser aperfeiçoado em relação ao protótipo, como a questão de uma fonte de energia confiável. Atualmente, a lente só funciona em um raio de poucos centímetros da bateria sem fio.
Além disso, os microcircuitos do equipamento possibilitam apenas um diodo emissor de luz (LED, na sigla em inglês), o tipo de tecnologia usada em computadores que transforma energia elétrica em luz.
Apesar das limitações, os cientistas reforçaram seu otimismo em relação ao experimento em um artigo na revista científica "Journal of Micromechanics and Microengineering".
O coordenador das pesquisas, professor Babak Praviz, disse que o grupo já conseguiu superar um importante obstáculo, o de adaptar a lente para permitir ao olho humano focalizar um objeto gerado na sua superfície.
Normalmente, conseguimos ver com clareza apenas os objetos localizados a vários centímetros de distância.
"O próximo passo é acrescentar textos pré-determinados nas lentes de contato", disse o cientista.
Material delicado
Segundo os pesquisadores, um dos maiores desafios na fabricação da lente foi trabalhar com os materiais adequados.
Enquanto os materiais usados em uma lente tradicional são delicados, a fabricação de circuitos elétricos envolve materiais inorgânicos, altas temperaturas e produtos químicos tóxicos.
Os circuitos deste protótipo foram feitos com uma camada de metal da espessura de apenas alguns nanômetros - cerca de um milésimo do cabelo humano -, com LEDs medindo apenas um terço de milímetro.
Babak Praviz diz que equipe não é a única a desenvolver esse tipo de tecnologia.
A companhia suíça Sensimed já pôs no mercado lentes de contato inteligentes que usam tecnologia de informática para monitorar a pressão dentro do olho a fim de identificar condições para glaucoma.
Médicos implantam em cérebro de cobaia neurônio criado em laboratório

 Neurônios criados em laboratório foram implantados no cérebro de camundongos adultos e conseguiram se comunicar normalmente com as demais células, como se sempre tivessem feito parte daquele corpo. A pesquisa foi descrita na edição desta semana da revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)”.
Os neurônios foram criados a partir de células-tronco embrionárias humanas, que foram estimuladas em laboratório para tomar essa forma.
Fazer com que a célula implantada se integre ao tecido em que é colocada, como essa pesquisa da Universidade de Wisconsin, em Madison (EUA), conseguiu, é um dos maiores desafios para o uso terapêutico das células-tronco.
“Nós mostramos pela primeira vez que essas células transplantadas conseguem ouvir e falar com os neurônios vizinhos em um cérebro adulto”, afirma Jason Weick, autor do estudo.
Para conseguir fazer essa integração, a equipe de cientistas usou luz, em vez de correntes elétricas, para estimular a atividade dos neurônios. Essa tecnologia é conhecida como optogenética.
“Antes, estávamos limitados na eficiência com que conseguíamos estimular as células transplantadas. Agora, temos uma ferramenta que nos permite estimular especificamente as células humanas transplantadas, e muitas delas de maneira não invasiva”, explica Weick.
As células-tronco embrionárias, assim como as células-tronco de pluripotência induzida, podem se transformar em células de qualquer um dos 220 tipos de tecidos do corpo humano
Astronautas retornam à Terra depois de 165 dias na estação internacional

 Astronautas minutos antes do pouso (Foto: AP)
Três astronautas da Expedição 29 que estavam na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) retornaram à Terra no início da madrugada desta terça-feira (22). A nave Soyuz pousou nas estepes do Cazaquistão às 02h26 GMT.
A bordo estavam o comandante da missão, o norte-americano Mike Fossum, e dois engenheiros de voo: o russo Sergei Volkov e o japonês Satoshi Furukawa. Eles passaram 165 dias na ISS.
A estação agora fica com os cosmonautas russos Anton Shkaplerov e Anatoly Ivanishin e o astronauta americano Dan Burbank, da Expedição 30. Eles chegaram na semana passada, pois o lançamento da nave que os levou foi atrasado por uma série de fracassos da agência espacial russa.
Em dezembro, os demais membros da Expedição 30 – o norte-americano Don Pettit, o holandês Andre Kuipers e o russo Oleg Kononenko – devem se juntar à equipe na ISS.
 Americano Mike Fossum e engenheiros de voo Sergei Volkov (russo) e Satoshi Furukawa (japão) voltam à Terra após 165 dias na Estação Espacial Internacional. (Foto: Nasa / Bill Ingalls / AP Photo
Recorde na transmissão de informações quânticas

 O complicado e sensível fenômeno do entrelaçamento quântico foi mantido por até uma hora entre as duas nuvens de átomos de césio.[Imagem: Christine Muschik]
Recorde de entrelaçamento
Cientistas dinamarqueses bateram um recorde de preservação e transmissão de informações quânticas.
O entrelaçamento quântico, ou emaranhamento, é um fenômeno que produz uma espécie de "conexão fantasmagórica" entre duas partículas distantes - elas compartilham seus estados mesmo depois de distanciadas uma da outra.
Isto torna o fenômeno interessante para a transmissão de informações quânticas à distância, assim como para um novo tipo de criptografia essencialmente à prova de espionagem.
O problema é que o entrelaçamento é muito frágil - em um experimento típico, ele não dura mais do que uma fração de segundo.
Agora, Eugene Polzik e seus colegas da Universidade de Copenhague conseguiram preservar o entrelaçamento quântico por até uma hora.
Link óptico quântico
O entrelaçamento foi estabelecido e mantido entre os spins de duas nuvens isoladas de átomos de césio, usando os fótons de um raio laser.
Mas os átomos das nuvens de césio emitem fótons em todas as direções, de forma descontrolada, o que quebra o entrelaçamento.
"O que nós fizemos foi desenvolver uma técnica onde nós renovamos o entrelaçamento mais rapidamente do que sua tendência a desaparecer," explica Hanna Krauter, membro da equipe.
Isto essencialmente cria um link óptico quântico, permitindo a transmissão das informações de forma sustentada.
Físicos teóricos vinham sugerindo essa técnica há cerca de cinco anos, mas só agora ela foi realizada na prática, abrindo novas possibilidades para a comunicação quântica em condições reais de operação.
"Este é um passo para viabilizar as comunicações quânticas na prática - não apenas no laboratório, mas também no mundo real das redes típicas da internet," disse Polzik.

Esta memória quântica pode permitir o desenvolvimento de repetidores quânticos, reforçando os sinais e permitindo sua transmissão por longas distâncias. [Imagem: Reim et al.]
Memória quântica
Em uma dessas coincidências muito comuns na ciência, Ian Walmsley e seus colegas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, acabam de criar uma memória quântica para fótons que funciona a temperatura ambiente.
Esta memória quântica pode permitir o desenvolvimento de repetidores quânticos, um equipamento necessário para que as informações quânticas sejam transmitidas a longas distâncias.
Como visto, os qubits podem ser transmitidos usando fótons. Mas os fótons também se degradam ao viajar por um meio como uma fibra óptica. Por isso é necessário constantemente reforçar o seu sinal - esse é o papel do repetidor, ou hub quântico.
A memória quântica é necessária para receber o fóton "desgastado" , recuperar sua informação e reemití-lo com força total, para que ele percorra o próximo trecho até o seu destino.
O problema é que a maioria das memórias quânticas feitas até agora funciona em temperaturas criogênicas, próximas ao zero absoluto, e em condições de alto vácuo.
O grupo de Walmsley preparou uma nuvem de átomos de césio, que funciona como um qubit, aquecendo-a a uma temperatura de 62 °C - um tanto quente, mas algo bem mais fácil de se obter do que as temperaturas criogênicas normalmente usadas.
Embora a eficiência da re-emissão dos fótons seja baixa - cerca de 30% - os pesquisadores afirmam que o design do experimento é promissor e tem espaço para melhorias.
Aço superforte surpreende indústria e cientistas


O novo super-aço permite que a indústria automobilística construa chassis, carrocerias e monoblocos 30% mais leves sem qualquer perda de segurança para os carros.[Imagem: Bainite Steel]
Melhor que titânio
Um empreendedor norte-americano surpreendeu a indústria e a comunidade científica ao inventar um novo tratamento térmico que cria um aço superforte em poucos segundos.
O novo tratamento térmico deixa o aço mais forte do que as ligas de titânio usadas pela indústria - e em menos de 10 segundos.
Além de ser mais forte do que qualquer aço conhecido, o novo processo resulta em um aço com maior capacidade de absorção de choques.
Maturidade questionada
O processo básico de tratamento térmico do aço mudou muito pouco na era moderna. Isso explica porque tão poucos pesquisadores se dedicam ao assunto hoje: ninguém acreditaria ser possível um incremento tão grande.
Um grupo de engenheiros da Universidade de Ohio, está agora trabalhando juntamente com Gary Cola, o inventor do super-aço, para entender o aparente "milagre".
"O aço é o que podemos chamar de uma tecnologia 'madura'. Nós gostamos de pensar que já sabemos tudo a respeito dele," afirmou o professor Suresh Babu, que está tentando desvendar o mistério.
"Se alguém inventa uma forma de tornar o mais forte dos aços ainda mais forte um mínimo que seja, isso já seria um grande feito. Mas [o que foi obtido por Gary] é astronômico," estranha Babu.
Carros mais leves
Embora varie de uma indústria para outra, o tratamento térmico do aço é feito aquecendo-o a cerca de 900 graus Celsius e depois deixando-o esfriar por algumas horas.
Gary Cola elevou a temperatura do aço comum até 1.100 graus Celsius, e depois esfriou-o rapidamente em água - tudo em cerca de 10 segundos.
O pesquisador confessa que não acreditou no inventor: "Esse processo não deveria funcionar. Eu não acreditei nele," afirma.
O novo aço pode ser laminado e estirado 30% mais do que os aços martensíticos tradicionais e ainda preservar suas qualidades superiores.
Isto significa que o novo super-aço pode permitir que a indústria automobilística construa chassis, carrocerias e monoblocos 30% mais leves sem qualquer perda de segurança para os carros.
Martensita, austenita, bainita e carbetos
Uma análise preliminar mostrou que, além da martensita, o aço possui uma microestrutura chamada bainita, salpicada de compostos ricos em carbono, chamados carbetos.
Nos tratamentos térmicos tradicionais, mais lentos, as microestruturas iniciais do aço sempre se dissolvem em uma fase homogênea, chamada austenítica. Mas um choque rápido de temperatura normalmente transforma toda a austenita em martensita.
"Nós acreditamos que, como o processo é tão rápido, os carbetos não têm chance de se dissolver completamente no interior da austenita, permanecendo no aço e formando essa microestrutura única contendo bainita, martensita e carbetos," propõe Babu.

Edwin Hubble Georges Lemaitre descobriu a expansão do Universo

  George Lemaitre descobriu a expansão do Universo e criou a Teoria do Big Bang, entre outras contribuições à ciência. [Imagem: NASA/ESA/A. Feild(STScI)]

Segundo famoso
Um artigo publicado na edição desta semana da revista Nature vem corrigir duas injustiças históricas na área da cosmologia.
O verdadeiro descobridor da expansão do Universo foi o cosmólogo belga Georges Lemaitre, que publicou seus cálculos no ano de 1927, dando finalmente uma solução dinâmica para as equações de Einstein.
A segunda injustiça a ser corrigida é que Edwin Hubble, a quem vem sendo atribuída incorretamente a autoria da descoberta, não usou sua influência para ganhar a primazia sobre o feito.
As revelações foram feitas graças ao trabalho de detetive do astrofísico Mario Livio, que trabalha justamente no instituto que coordena as pesquisas do Telescópio Espacial Hubble - o telescópio mais famoso do mundo, cujo nome homenageia justamente o agora demovido Edwin Hubble.
Lemaitre descobre a expansão do Universo
Georges Lemaitre publicou suas conclusões sobre a expansão do Universo em 1927, baseando-se em dados sobre o desvio para o vermelho de galáxias distantes.
Seu grande erro parece ter sido publicar seus resultados em francês, em um jornal científico belga pouco conhecido, chamado Annales de la Société Scientifique de Bruxelles.
O norte-americano Edwin Hubble só publicou seus resultados, em inglês, dois anos mais tarde, em 1929, chegando às mesmas conclusões de Lemaitre.
Hubble nunca ganhou um Nobel por isto, embora o Nobel de Física de 2011 tenha homenageado a descoberta de que esta expansão está se acelerando.
Mas seu nome passou a constar dos livros de história, do nome da chamada Constante de Hubble, que mostra a taxa de expansão do Universo, e do telescópio mais famoso do mundo.
Lemaitre, por sua vez, é praticamente desconhecido.
Trechos deletados
O mundo provavelmente ainda não saberia da descoberta de Lemaitre se não fosse o fato de que o seu trabalho foi traduzido para o inglês, e publicado na renomada Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
Esta tradução foi publicada em 1931, quando as coisas estavam bem recentes, e Hubble ainda não havia entrado para a história de forma definitiva. Ou seja, daria tempo para corrigir a injustiça.
Mas entra então em cena o segundo episódio desta história intrigante: a tradução para o inglês do estudo de Lemaitre simplesmente deletou as partes sobre a descoberta da expansão do Universo.
Teoria da conspiração? O fato é que muitos dedos resolveram apontar para o próprio Hubble, que teria usado de sua influência para eclipsar a descoberta de seu rival e ficar com a fama.
Mas quem teria sido o verdadeiro responsável? A própria revista teria cortado os parágrafos comprometedores para Hubble? Ou seria mesmo o próprio Hubble que teria usado sua influência para eliminar o concorrente?
O trabalho de Mario Livio vem corrigir também esta injustiça.
Ele revisou uma série de cartas na Royal Astronomical Society, incluindo uma de Lemaitre, que mostram que o cosmólogo belga sabia do corte e concordou com ele.

Crédito a Lemaitre
O fato de ter concordado em não publicar os parágrafos cruciais, contudo, não tira sua primazia da descoberta da expansão do Universo.
Porque ele concordou com isto, mesmo depois de Hubble ter publicado conclusões semelhantes mais tarde, ninguém sabe.
A revista Nature levanta algumas conjecturas:
"Talvez Lemaitre estivesse simplesmente lisonjeado demais por ser convidado a traduzir o seu artigo e, consciente da importância de Hubble entre os falantes em inglês, e com medo das repercussões, ou talvez desejoso de ingressar na Royal Astronomical Society - talvez ele próprio tenha se autocensurado."
A revista conclui que o caso contra Hubble, com as acusações de tentativa de anular o concorrente, devem ser arquivadas.
Mas igualmente devem ser levantados os verdadeiros créditos para Lemaitre.
"O nome do belga é um candidato valioso para o nome de uma futura missão espacial," conclui a revista.
Lemaitre lança a Teoria do Big Bang
O fato é que esta não é a única injustiça contra Lemaitre.
Afora o fato de ser reconhecidamente muito modesto e avesso à fama, talvez o "grande erro" de Georges Lemaitre seja bem outro.
Sempre houve um enorme preconceito contra ele na comunidade científica porque, embora fosse físico, astrônomo e professor universitário, ele tinha também outra ocupação - a maioria dos textos fala sobre o físico Hubble e o padre Lemaitre.
O fato é que o padre-cientista foi um dos gênios de uma geração que começou com Maxwell e incluiu Einstein, Heisenberg, Planck, Bohr, Schrodinger e Godel.
E a expansão do Universo não foi sua única contribuição para a ciência.
Partindo de sua descoberta da expansão do Universo, ele inverteu o movimento e idealizou sua "hipótese do átomo primordial", mais tarde refinada por George Gamow.
Esta teoria é hoje bem conhecida do público, mas com o nome de "Teoria do Big Bang" - este foi um termo sarcástico criado por Fred Hoyle, um físico defensor do universo estacionário, mas foi o nome que pegou.
Os créditos adequados para Lemaitre provavelmente serão dados apenas quando uma outra geração de gênios conseguir superar todas as teorias atuais, as dele inclusive, e ninguém mais der peso à autoria de teorias ultrapassadas.

Aceleradores cósmicos de partículas começam a ser compreendidos 

 


No espaço, grandes campos magnéticos guiam as partículas conhecidas como raios cósmicos ao longo do Universo a uma velocidade próxima à da luz - são os aceleradores naturais de partículas. [Imagem: NASA/ESA/Hubble Heritage Team et al.]
Aceleradores naturais
As sondas espaciais da missão Cluster, da ESA, descobriram que os aceleradores de partículas cósmicas são mais eficientes do que se pensava.
A descoberta revelou, pela primeira vez, as fases iniciais dos aceleradores naturais de partículas do Universo.
Todos os aceleradores de partículas necessitam de uma forma de iniciar o processo de aceleração.
Por exemplo, o Large Hadron Collider (LHC), recorre a uma série de pequenos aceleradores que põem as partículas em movimento antes de estas serem injetadas no anel principal, de 27 km de comprimento, onde atingem a velocidade desejada.
No espaço, grandes campos magnéticos guiam as partículas conhecidas como raios cósmicos ao longo do Universo a uma velocidade próxima à da luz, mas são pouco eficientes em dar o empurrão inicial.
Como as partículas de alta energia atingem a Terra, os cientistas sabiam que os aceleradores naturais funcionam, embora ainda não compreendessem como se dava essa aceleração inicial.
Arco de choque magnético
A missão Cluster agora mostrou que, também no espaço, ocorre um processo semelhante ao que acontece no LHC, com acelerações graduais.
As quatro sondas da missão Cluster passaram pela região conhecida como arco de choque magnético da Terra.
O alinhamento das quatro era quase perfeito, o que permitiu analisar o que se passava com os elétrons em escalas temporais muito curtas, de 250 milissegundos ou menos.
As medições mostraram que a temperatura dos elétrons aumenta bruscamente, criando condições favoráveis a uma aceleração em larga escala.
Já se suspeitava que o arco de choque magnético tinha esta capacidade, mas a dimensão do mesmo, bem como os detalhes do processo, eram difíceis de compreender.
As quatro sondas da missão CLUSTER ficaram quase perfeitamente alinhadas ao longo do arco de choque magnético da Terra. [Imagem: ESA/AOES Medialab]
Arco fino
A equipe de Steven Schwartz, do Imperial College, em Londres, usou os dados das sondas Cluster para estimar a espessura do arco de choque. Isto é importante porque, quanto mais fino o arco, mais fácil é acelerar as partículas.
"Com estas observações, descobrimos que o arco é o mais fino possível," diz Schwartz.
"Fino", neste caso, corresponde a cerca de 17 km - estimativas anteriores previam espessuras das camadas de choque acima da Terra de cerca de 100 km.
É a primeira vez que se vê com tal detalhamento a região inicial de aceleração das partículas cósmicas.
Este conhecimento é importante já que os arcos de choques estão por todo o lado no Universo - eles são criados sempre que um meio em movimento atinge um obstáculo ou outro fluxo.
Arcos de choque
O processo pode ser compreendido comparando-o com o que ocorre com um avião supersônico.
O avião atinge continuamente a atmosfera antes que as moléculas de ar consigam desviar-se, formando uma onda de choque à frente do avião, que provoca um som característico, conhecido com "boom sônico".
No Sistema Solar, o Sol libera um vento solar acelerado e carregado eletricamente. Quando este vento solar encontra o campo magnético terrestre, forma-se um arco de choque permanente à frente do nosso planeta.
As sondas Cluster têm sido essenciais no estudo deste fenômeno - os cientistas acreditam que os novos resultados, mesmo obtidos para um ponto em particular, podem ser aplicáveis em larga escala.

Também se encontram arcos de choque em volta de estrelas em explosão, estrelas jovens, buracos negros e galáxias. Os cientistas suspeitam que estes possam estar na origem dos raios cósmicos de altas energias que preenchem o universo.
A missão Cluster demonstrou que os arcos de choque muito finos podem ser vitais para desencadear o processo de aceleração nestes locais. Pode não ser a única forma de iniciar as coisas, mas é definitivamente uma forma.

Existem sondas alienígenas no Sistema Solar?


"As varreduras feitas até hoje no Sistema Solar são incompletas o bastante para não podermos descartar a possibilidade de que existam artefatos extraterrestres, que podem até mesmo estar nos observando," dizem os cientistas.[Imagem: NASA]
É preciso procurar
Se os discos voadores não existem - ou, pelo menos, se escondem muito bem - porque é que nunca encontramos nem mesmo sinais de sondas alienígenas não-tripuladas?
De um ponto de vista estritamente matemático, a razão é que ainda não procuramos em um número suficiente de lugares.
Esta é a resposta dada por Jacob Haqq-Misra e Ravi Kumar Kopparapu, da Universidade do Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos.
"A vastidão do espaço, combinada com nossas buscas limitadas até o momento, implica que qualquer sonda exploratória não-tripulada de origem extraterrestre ainda não foi notada," escrevem eles.
Sondas espaciais alienígenas
As sondas espaciais alienígenas, tais como as nossas, devem ser pequenas, e podem estar escondidas em inúmeros lugares.
"Artefatos extraterrestres podem existir no Sistema Solar sem que saibamos simplesmente porque nós ainda não procuramos o bastante," afirmam eles, exemplificando que dificilmente um instrumento construído pelo homem até hoje seria capaz de detectar uma sonda espacial entre 1 e 10 metros.
Em seu método probabilístico, os dois pesquisadores estabeleceram o Sistema Solar como um volume fixo e calcularam o percentual desse volume onde seria necessário procurar, considerando que essas sondas não estejam se camuflando intencionalmente.
Eles concluíram que não procuramos em lugares suficientes para encontrá-las, não sendo possível, por decorrência, afirmar que elas não existam - eles levaram em conta vários pressupostos diferentes, tais como "O Universo tem vida por todo os lados" e "A vida é extremamente rara".
Equação para encontrar ETs
O resultado do trabalho é uma equação que pode ser aplicada a qualquer volume determinado do Sistema Solar.
O resultado mostra se já foi feita busca suficiente naquele local para que se possa dizer com confiabilidade que naquele espaço não existe nenhum objeto extraterrestre.
"A superfície da Terra é um dos poucos lugares no Sistema Solar que já foi quase completamente examinado com uma resolução espacial menor do que um metro," afirmam os pesquisadores.
Este é apenas um cálculo estatístico: a Terra possui desertos, florestas e cavernas que nunca foram rastreadas - sem contar os oceanos.
Mas, mesmo levando tudo isso em conta, afirmam eles, a equação responde que pode-se afirmar com um alto índice de confiabilidade que não existem artefatos extraterrestres na superfície terrestre.
A Lua também já está sendo mapeada. A sonda LRO, da NASA, está fazendo um mapeamento do nosso satélite com resolução espacial de cerca de meio metro por pixel.
Contudo, os dois autores afirmam que seria difícil distinguir entre uma rocha e uma sonda alienígena com as imagens da sonda.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Futuro das viagens espaciais é tema de exposição em N.York





O que está por vir das viagens espaciais é o ponto central de uma exposição no Museu de História Natural de Nova York, que recria por meio de simuladores, maquetes e objetos reais os próximos avanços na área.
"O que nos mostra esta exibição é que a prospecção espacial só está começando, que existem coisas fabulosas por fazer", disse à Agência Efe o responsável de astrofísica no museu e curador da amostra, Michael Shara.
A exposição, que abriu neste sábado, com o título de "Beyond Planet Earth: The Future of Space Exploration" (Além do Planeta Terra: o futuro da prospecção espacial, em livre tradução), repassa alguns destes avanços fabulosos, como a possibilidade de fazer turismo espacial e a colonização de Marte.
Até alguns anos atrás, essas missões espaciais só faziam parte do cinema e da literatura de ficção científica, mas atualmente são centros de diversos projetos científicos.
É o caso do plano de colonizar Marte, que estará um pouco mais perto depois que a Agência Aeroespacial Americana (Nasa) enviar em 2012 ao planeta seu robô explorador "Curiosity", um passo importante para que os humanos possam estabelecer-se ali no futuro.
A mostra tem ainda uma réplica em tamanho real desse robô, além de simuladores interativos para dar uma ideia ao visitante de como será explorar o planeta vermelho e transformá-lo em um local habitável.
"No futuro poderemos ir a Marte e começar a torná-lo um lugar mais parecido com a Terra", revelou Shara. Segundo ele, "de um mundo frio e sem vida, Marte se transformará em um local de plantações, animais e humanos, o que será um apoio para nós".
Através de uma minuciosa maquete, o museu nova-iorquino aborda o projeto de construir uma base no polo sul da Lua, já que há um ponto neste local que oferece horas de luz quase constantes e suficientes para gerar eletricidade.
Assim, o mundo que imaginaram cineastas como Georges Méliès (1861-1938), diretor de "Viagem à Lua" (1902), é cada vez menos de ficção científica.
Méliès mostrou uma Lua habitada que recebeu o impacto de um foguete com exploradores a bordo. Agora o museu nova-iorquino revela aos visitantes um protótipo de moradia que talvez algum dia sirva de lar aos astronautas na Lua.
A exposição inclui uma reprodução do que seria um "elevador lunar", uma estrutura para facilitar o transporte de humanos e mercadorias entre a base lunar e a Terra.
Outras seções da mostra tratam de explorações de uma das luas de Júpiter, que para os estudiosos poderia abrigar vida e das estrelas que ficam fora do sistema solar e contam com planetas próprios.
Apesar de os projetos serem cada vez mais próximos da realidade, o responsável pelo museu lembrou que seguem dependendo de grandes investimentos, o que amplia as dificuldades.
"Se a Rússia, os Estados Unidos, a Europa e o Japão se unissem ao invés de investirem em projetos separadamente, poderíamos ir a Marte em 20 anos, mas se não agirem conjuntamente podemos demorar 50 ou até 100 anos", estimou Shera.
Nesta mesma linha, a mostra aborda não só as viagens ao espaço, mas também a importância da colaboração neste tipo de projetos, "o que permitiu a construção, por exemplo, da estação espacial internacional", disse Shera.
Outra vertente que explora a mostra são as viagens turísticas espaciais, com veículos como o avião que desde 2009 está sendo desenvolvido pela empresa Virgin Galactic, que projeta oferecer voos ao espaço ao preço de US$ 200 mil por passagem.
O museu ainda dedica espaço a uma exposição a missões espaciais históricas como o lançamento do satélite Sputnik em 1958, a primeira viagem do homem ao espaço, feita pelo russo Yuri Gagarin (1934-1968) em 1961, e o início em 1990 do telescópio espacial Hubble, que ainda funciona
Rara cobra albina de duas cabeças faz sua primeira refeição

Cobra comeu rato morto. Foto: EFE Cobra comeu rato morto
Uma cobra falsa coral (Lampropeltis triangulum hondurensis) de duas cabeças que nasceu em outubro, em uma incubadora no Estado americano da Flórida, fez nesta segunda-feira sua primeira refeição: um filhote de rato morto. A ONG Sunshine Serpents informou que, como costuma acontecer com a maior parte dos ofídios, este raro exemplar de cobra albina de duas cabeças só se alimentou após ter trocado de pele pela primeira vez.
"As serpentes de duas cabeças podem viver até 20 anos em cativeiro. Com dois cérebros dando ordens a um só corpo, trata-se de uma existência confusa. Esta cobra não poderia sobreviver em segurança em um ambiente selvagem", afirmou o biólogo americano Daniel Parker.
O pesquisador, da Universidade Central da Flórida (UCF) e um dos líderes da ONG, explicou que a cabeça direita da serpente foi a única que comeu o pequeno rato, enquanto a outra cabeça apenas olhava. O cientista indicou que a maioria das serpentes com duas cabeças apresenta uma coloração típica, "sendo extremamente rara" para esta espécie.
As serpentes albinas perdem toda a pigmentação escura da pele, que no caso das cobras corais é preta e vermelha. No entanto, com esta anomalia, elas acabam ficando brancas e alaranjadas. O cientista, que pôs à venda esta cobra por um valor mínimo de US$ 25 mil, espera que alguma instituição compre o animal para ajudá-lo a financiar suas pesquisas: "Espero que alguma instituição adquira essa cobra, a trate e a mostre ao público".
Sobre a alimentação das cobras, Parker explicou que muitas pessoas acreditam, erroneamente, que os ofídios só se alimentam de outros animais vivos. No entanto, o cheiro é o fator mais importante. "Se tem cheiro de comida, a cobra tentará provavelmente comer, esteja vivo ou não. Neste caso, o alimento congelado pode ser uma boa alternativa", afirmou o cientista
Lixo espacial pode dificultar uso de satélites no futuro, diz especialista

 
Mais um objeto espacial deve cair na Terra nos próximos dias. Agora, trata-se da sonda interplanetária Phobos-Grunt, lançada de uma base do Cazaquistão e que se perdeu no espaço. Segundo especialistas, ela deve "aparecer" em algum ponto do planeta a partir de 3 de dezembro. O caso alerta, mais uma vez, para a quantidade de objetos espaciais que são lançados sem preocupação com o fim de sua vida útil. "Podemos chegar a uma época em que não poderemos mais usar tecnologias como o satélite devido ao grande número de dejetos que vão estar no espaço", explica Renato Las Casas, professor do Departamento de Física do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A Nasa já informou que a quantidade de detritos suspensos no espaço alcançou um ponto crítico, o que gera perigo, principalmente, para satélites e astronautas. De acordo com a agência espacial americana, são tantos os objetos que vagam pelo espaço no momento que é grande a chance de colisão. Com isso, ainda mais lixo seria gerado, aumentando os riscos de danificar outros aparelhos espaciais. "Os detritos espaciais aumentam geometricamente", declara Las Casas.
Embora a ONU tenha um subcomitê jurídico que aponta diretrizes para o uso espacial, os países dificilmente as cumprem, e acidentes graves já ocorreram em decorrência do acúmulo de aparelhos e fragmentos deles no espaço. Na opinião de Las Casas, a legislação não ganha força porque as agências espaciais estão mais preocupadas com o lucro que suas atividades podem gerar.
Quando o lixo espacial vira terrestre
Quando os objetos espaciais param de funcionar como deveriam (por perder sua validade ou ser afetado por algum problema), perdem a velocidade com a qual orbitam a Terra. Quando essa velocidade diminui muito, a força gravitacional terrestre puxa os objetos em direção ao planeta, gerando as quedas. Thais Russomano, coordenadora do Centro de Microgravidade da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) afirma que, apesar da frequência com que detritos de lixo espacial retornam à Terra, a probabilidade do objeto acertar alguém é rara porque nosso planeta tem mais água do que terra - e esta, por sua vez, não é totalmente habitada.
Estatisticamente, a chance é pequena de algum objeto espacial cair em porção habitada. Mas especialistas que procuram a sonda russa projetam que sua queda possa ocorrer sobre os territórios dos Estados Unidos, China, África, Austrália, sul da Europa ou Japão. Já foi divulgado que os EUA e a China têm mísseis capazes de abater a espaçonave, que pesa 13,5 t. Contudo, esta proposta só aumentaria ainda mais o número de detritos espaciais.
Segundo Thais Russomano, explodir satélites ou outros objetos espaciais pode agravar ainda mais o problema, pois vários componentes, bem como a poeira originada na explosão, ficariam orbitando o planeta.
Há solução?
Se a população mundial começou a se preocupar com o lixo produzido no planeta apenas há 50 anos, a consciência de que a atividade espacial também produz dejetos veio ainda mais tarde. O professor da UFMG relata que há 20 anos cientistas já falavam em lixo espacial, mas em lugares restritos. A preocupação com o tema é recente e é consequência dos artefatos que volte e meia caem e são divulgados pela mídia.
Thais Russomano diz que já existem planos de que as agências espaciais, responsáveis por terem colocado os satélites (ou outros objetos) em órbita ou mesmo tenham produzido lixo cósmico de outras formas, comecem um processo de limpeza. No entanto, o custo da limpeza é muito alto e ainda não há solução para este problema.
Já Renato Las Casas conta que existem ideia para se fazer esta faxina - como uma grande rede que recolheria os dejetos ou pistolas a laser que consumissem com os detritos. Porém, todas elas são impraticáveis por enquanto. "Por enquanto, o que podemos fazer é diminuir o envio de artefatos para o espaço", alerta.
Uma medida apontada por Las Casas seria a instalação obrigatória de um dispositivo que o lançasse para mais longe da Terra após sua vida útil - não evitaria o lixo, mas diminuiria a concentração dele na órbita da Terra.
A sonda perdida
A missão da sonda interplanetária Fobos-Grunt seria de 34 meses e teria o objetivo de trazer a Terra uma amostra de 200 gramas do solo de Marte. O projeto custou US$ 170 milhões e tinha a intenção de estudar a matéria inicial do sistema solar e explicar a origem de Fobos e Deimos, a segunda lua de Marte, e de outros satélites naturais do sistema solar.
A tentativa anterior da Rússia de enviar um aparelho a Marte, em 1996, terminou fracassada depois da queda da sonda Mars-96, no oceano Pacífico, sem sequer alcançar a órbita terrestre
Chilenos encontram 75 esqueletos de baleias no meio do deserto



Estima-se que as baleias morreram há mais de 2 milhões de anos. Foto: AP Estima-se que as baleias morreram há mais de 2 milhões de anos
Em meio ao deserto do Atacama, no Chile, a cerca de 1 km de distância do mar, cientistas encontraram um cemitério de baleias pré-históricas. São 75 esqueletos bem conservados, com cerca de 2 milhões de anos de idade, todos enterrados próximos uns dos outros. As informações são do jornal britânico Daily Mail.
Alguns pesquisadores acreditam que elas teriam encalhado milhões de anos atrás, outros pensam que um deslizamento de terra fez com que elas ficassem presas em um lago que depois secou. Arqueólogos chilenos e equipes do instituto americano Smithsonian estão estudando o caso.
As baleias foram encontradas perto da cidade de Caldera em junho de 2010 durante obras de expansão de uma rodovia. Dos 75 esqueletos encontrados, mais de 20 estão em estado quase perfeito de preservação. Como as escavações continuam, cientistas acreditam que possa haver centenas mais de baleias enterradas.
Sonda que não chegou a Marte pode cair na Terra em janeiro

Projeção de computador mostra a sonda Phobos-Grunt , que iria avaliar a superfície da lua marciana. Foto: AFP Projeção de computador mostra a sonda Phobos-Grunt , que iria avaliar a superfície da lua marciana
A agência espacial russa lançou durante a semana passada uma nave espacial para Fobos, a maior e a mais próxima lua de Marte. A missão russa trazia em um compartimento da sonda cerca de 20 espécies de vida microscópicas. A missão seria avaliar, durante três anos, a evolução e comportamento de tais formas de vida na superfície da lua marciana. Porém, a nave, chamada de Phobos-Grunt teve problemas logo após sua decolagem e dificilmente cumprirá sua missão inicial.
No momento, segundo a ABC, a Phobos-Grunt, que se encontra a 200 km da Terra, está presa na órbita terrestre e está impossibilitada de iniciar sua jornada até Marte porque seus foguetes não funcionam. O provável é que a nave e seus pequenos passageiros caiam na Terra em janeiro.
Segundo o site Jot Zoom, o general russo Vladimir Popovkin afirmou que os cientistas responsáveis pelo projeto estão tentando retomar a comunicação com a Phobus Grunt e que, mesmo que ela venha a cair, os riscos são mínimos para o população. As chances da sonda se desintegrar enquanto rompe a atmosfera terrestre são grandes, segundo o general. "Há a bordo da sonda uma quantidade enorme de combustível. Assim que reentrar na atmosfera terrestre, ela explodirá. É altamente improvável que haja algum dano (em terra)."
Em setembro desse ano, um satélite americano da Nasa caiu sobre o Oceano Pacífico. O satélite não se desintegrou totalmente ao penetrar a atmosfera terrestre e, por sorte, não atingiu nenhuma área populosa.
Nasa adia para sábado lançamento de jipe-robô rumo a Marte


A agência espacial americana (Nasa) adiou o lançamento do jipe-robô Curiosity em um dia, para o próximo sábado (26), para poder trocar uma bateria que apresentou defeito. A "janela de oportunidade" para o lançamento abre às 13h02.
O objetivo da missão é investigar se o planeta vermelho já teve um dia as condições necessárias ao desenvolvimento de vida.
O Curiosity é o veículo mais avançado já projetado para explorar outro planeta, mas não foi feito para responder se existe ou já existiu vida em Marte. Sua missão é apenas determinar se há condições no ambiente para isso.
Ilustração de um artista de como será a exploração do Curiosity em Marte (Foto: Nasa/JPL-Caltech)Ilustração de um artista de como será a exploração do Curiosity em Marte (Foto: Nasa/JPL-Caltech)
O Curiosity já está a bordo de um foguete Atlas V no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
A chegada a Marte deve ocorrer em agosto de 2012. A primeira missão, que vai durar em torno de dois anos (terrestres), será uma investigação da cratera Gale, que tem 5 quilômetros de profundidade.
“A parte da cratera onde o Curiosity vai pousar tem um depósito provavelmente formado por sedimentos que vieram com a água. As camadas na base da montanha contêm argila e sulfatos, e os dois sabidamente se formam na água”, completa.
O Curiosity é do tamanho de um carro: 3 metros de comprimento, 2,8 m de largura, 2,1 m de altura e pesa cerca de 900 kg. Tem duas vezes o comprimento e cinco vezes o peso de seus antecessores Spirit e Opportunity
Crânio de 126 mil anos tem primeiro registro de violência entre humanos


Cientistas descobriram indícios do que pode ser o mais antigo registro de violência entre seres humanos em um crânio de 126 mil anos encontrado na China. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (21) na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a PNAS.
Detalhe do pedaço amassado do crânio de 126 mil anos (Foto: University of the Witwatersrand)Detalhe do pedaço amassado do crânio de 126 mil anos (Foto: University of the WitwatersrandO pedaço de osso apresenta uma lesão parecida com a que ocorre quando a cabeça recebe uma pancada forte com um objeto pesado.
Não é possível saber se o ferimento foi um acidente ou intencional, mas, segundo os pesquisadores, há uma boa chance de que tenha sido mesmo causado por outro humano.
A lesão de 14 mm mostra a depressão de um pedaço do crânio e a cicatrização que ocorreu a seguir. Isso indica que a vítima sobreviveu ao ataque. De acordo com os cientistas, ela teria precisado de apoio e cuidados de outros humanos para poder se recuperar de um ferimento como esse.
Cientistas criam método para dizer se exoplaneta pode abrigar vida

 Um grupo de pesquisadores internacional divulgou nesta segunda-feira (21) o primeiro método de análise de exoplanetas para dizer se eles podem ou não abrigar vida. Detalhes do estudo serão conhecidos na edição de dezembro da revista científica "Astrobiology" (astrobiologia, em inglês).
Com cientistas da agência espacial norte-americana (Nasa), do Centro Espacial alemão e do projeto SETI - que busca por sinais de vida inteligente fora da Terra, o artigo defende que a procura deve se basear em duas questões: se as condições encontradas na Terra podem existir em outros planetas e se o ambiente nesses mundos pode abrigar formas de vida diferentes das terrestres.
Para isso, eles criaram dois índices, que avaliam as condições de um exoplaneta para abrigar vida extraterrestre. O primeiro deles se chama Índice de Similaridade Terrestre (ESI, na sigla em inglês) e classifica mundos parecidos com o nosso. Já o outro é o Índice de Habitabilidade Planetária (PHI, na sigla em inglês), que avalia parâmetros químicos e físicos que poderiam dar origem a formas "menos" terrestres de vida em exoplanetas.
Atualmente, o número de exoplanetas conhecidos está em 600. A missão espacial Kepler, da Nasa, encontrou 1,2 mil candidatos a exoplanetas em 2011 por meio de interferências na luz que vem de estrelas. Estes possíveis mundos fora do Sistema Solar ainda deverão ser confirmados.
Ilustração de um exoplaneta com luzes artificiais (Foto: David A. Aguilar (CfA))Ilustração de um exoplaneta com luzes artificiais (Foto: David A. Aguilar (CfA))
Como o número de exoplanetas revelados não para de crescer, o interesse dos astrônomos começa a se voltar mais para aqueles que possam reunir conduições parecidas com as da Terra: presença de atmosfera, água líquida na superfície e uma temperatura amena.
Normalmente, mundos fora do Sistema Solar com essas condições encontram-se a distâncias convenientes em relação às estrelas que orbitam. Essa distância ideal é conhecida como região de "goldilocks".
Mas os cientistas não querem se limitar a pesquisar apenas locais que tenham ambientes parecidos com o da Terra. Eles consideram que esta atitude seria uma "limitação" das possibilidades de estudos sobre exoplanetas e vida fora da Terra.
Eles citam o exemplo de Titã, a maior das luas de Saturno, que possui lagos com hidrocarbonetos que poderiam abrigar formas diferentes de vida. Eles também não descartam as chances de vida em exoplanetas sem estrelas ao seu redor.
Nasa lança nesta sexta jipe para procurar vida em Marte

 Nesta sexta-feira (25), a Nasa tenta iniciar uma nova investida até o planeta vermelho. O objetivo: achar os ingredientes da vida em Marte.
O encarregado de realizar a tarefa é o jipe Curiosity, um grandalhão que tem quase o tamanho de um automóvel (três metros de comprimento e quatro toneladas).
O projeto custou US$ 2,5 bilhões, e a missão deve durar pelo menos um ano marciano (687 dias).
Movido a energia nuclear, o jipe terá mais eletricidade que qualquer outro dispositivo em Marte, sem depender de painéis solares. Poderá trabalhar dia e noite.

Divulgação/Nasa
Ilustração do jipe Curiosity em solo marciano; missão no planeta vermelho começa com lançamento nesta semana
Ilustração do jipe Curiosity em solo marciano; missão no planeta vermelho começa com lançamento nesta semana
VIVENDO E APRENDENDO
Em 1976, duas espaçonaves, Viking-1 e 2, levaram ao solo marciano experimentos dedicados à detecção de vida. A ideia era misturar nutrientes ao solo. Se desse reação positiva, pronto: bactérias extraterrestres.
Quando o experimento foi conduzido na prática, ocorreu o inesperado.
A superfície marciana parecia estar cheia de uma substância capaz de degradar a solução nutritiva enviada nas naves. Resultado: muitos bilhões de dólares para um teste inconclusivo.
Desde então, a Nasa tem sido cautelosa. A estratégia foi quebrada em três etapas, e o novo jipe que está prestes a decolar representa uma transição para a segunda.
Primeiro, os cientistas decidiram se pautar pelo mote: "siga a água". Foi com base nele que as sondas Mars Global Surveyor e Mars Reconnaissance Orbiter buscaram sinais de fluxos de água (passados, recentes e presentes).
A sonda Mars Odyssey mapeou a presença de gelo no subsolo, e a sonda Phoenix confirmou o achado.
Finalmente, os jipes Spirit e Opportunity buscaram sinais minerais de interação da água com as rochas, indicando que no passado Marte já foi mais quente e teve atmosfera mais densa.
Além da água, há outras duas coisas de que a vida precisa para prosperar. Uma delas é energia, que o Sol pode fornecer em Marte, a despeito da maior distância que o planeta guarda da estrela, em comparação com a Terra.
A outra é a presença de compostos orgânicos, os tijolos da vida. Por isso, o foco agora não é mais a água (que já existiu na cratera Gale, onde o novo jipe deve pousar), e sim o carbono.
"Entre 2010 e 2020 mudamos o foco, queremos procurar os chamados ambientes habitáveis", disse à Folha o engenheiro brasileiro Ramon de Paula, executivo de programa no quartel-general da Nasa envolvido com missões marcianas.
"Entre 2020 e 2030, a última etapa: o retorno de amostras de Marte, em busca de sinais de vida", afirma.
O Curiosity está equipado com dez instrumentos científicos. Ele vai perfurar o solo para análise, buscar compostos orgânicos e medir o nível de radiação solar e cósmica.
Para descer o "jipão" até o solo, a Nasa usará uma técnica inédita: um sistema de propulsores que executará a parte final do pouso e descerá o jipe por um cabo, para depois soltá-lo e voltar a voar, caindo mais adiante. Nada de airbags, como os jipes anteriores enviados a Marte.
"Isso foi testado na Terra, mas podemos ter imprevistos lá", diz Ramon de Paula.
O teste final será na madrugada do dia 6 de agosto de 2012, quando o Curiosity deve tocar o solo marciano.
Estudo rejeita descoberta sobre partícula mais rápida que a luz

 Uma equipe internacional de cientistas na Itália, estudando os mesmos neutrinos que alguns de seus colegas dizem ter se deslocado a velocidade superiore à da luz, rejeitou a polêmica constatação neste final de semana, afirmando que novos testes determinaram que os resultados devem estar incorretos.
O anúncio da descoberta, em setembro, sustentado por novos estudos divulgados na semana passada, causou agitação no mundo científico porque parecia sugerir que as ideias de Albert Einstein sobre a relatividade, e boa parte da física moderna, se baseavam em uma premissa errônea.
A primeira equipe, responsável pela experiência OPERA, no laboratório Gran Sasso, ao sul de Roma, anunciou ter registrado que neutrinos transmitidos à instalação do centro de pesquisa CERN, na Suíça, haviam chegado lá 60 nanossegundos mais cedo do que um raio de luz teria chegado.
Mas os cientistas do ICARUS, outro projeto do Gran Sasso - um laboratório subterrâneo operado pelo Instituto Nacional de Física Nuclear italiano em uma cadeia de montanhas próxima da capital da Itália - agora argumentam que suas mensurações da energia dos neutrinos ao chegar contradizem a leitura dos colegas.
Em estudo publicado no sábado (19) no mesmo site que divulgou os resultados do Opera, a equipe do ICARUS afirma que suas constatações "refutam uma interpretação supraluminar (mais rápida que a luz) dos resultados do OPERA".
Eles argumentam, com base em estudos recentemente publicados por dois importantes físicos norte-americanos, que os neutrinos transmitidos do CERN, perto de Genebra, teriam perdido a maior parte de sua energia se tivessem se deslocado a velocidade superior à da luz, mesmo que por margem ínfima.
Mas na verdade, dizem os cientistas do ICARUS, o feixe de neutrinos testado por seus equipamentos registrou um espectro de energia correspondente ao que deveria exibir caso as partículas estivessem se deslocando no máximo à velocidade da luz.
O físico Tomasso Dorigo, que trabalha no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), e no Fermilab, laboratório nuclear norte-americano perto de Chicago, afirmou em texto no site Scientific Blogging que o estudo do ICARUS era "muito simples e definitivo".
Segundo ele, o estudo determinou que "a diferença entre a velocidade dos neutrinos e a da luz não podia ser tão grande quanto a observada pelo OPERA, e era certamente menor por três ordens de magnitude, e compatível com zero".