quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cientistas constatam aceleração do derretimento em glaciar na Patagônia
 
A geleira Jorge Montt, localizada no Campo de Gelo Sul da Patagônia chilena retrocedeu um quilômetro em um ano devido ao aquecimento global e às condições oceanográficas, indicou um estudo divulgado nesta quarta-feira (7) pelo Centro de Estudos Científicos do Chile.
“Quase todas geleiras da região têm experimentado perdas de áreas por conta do aquecimento global. O glaciar Jorge Montt é o que registrou maior retrocesso”, disse Andrés Rivera, durante a apresentação da pesquisa.
A investigação científica evidenciou que a estrutrura do glaciar de 454 km² “é uma das que apresentaram uma maior perda de tamanho e mais acentuada regressão no Hemisfério Sul”.
Além disso, o recuo da geleira Montt significou mudanças na geografia do Campo de Gelo Sul, que tem 13 mil km² e é a terceira maior superfície congelada do planeta, atrás apenas da Antártida e da Groelândia.
Durante a década de 1990, a geleira Montt retrocedeu cerca de 7 km, mas desta vez, o degelo acelerou, o que produziu um grande número de icebergs, acrescentou Rivera. A pesquisa foi realizada entre fevereiro de 2010 e janeiro deste ano, tempo em que foram feitas 1.445 fotografias por meio de duas câmeras instaladas perto do glaciar, com quatro disparos diários.
Imagem mostra glaciar Jorge Montt, na Patagônia chilena. Estudo afirma que geleira está retrocedendo rapidamente devido ao aquecimento global. (Foto: Divulgação/Centro de Estudos Científicos/AFP)Imagem mostra glaciar Jorge Montt, na Patagônia chilena. Estudo afirma que geleira está retrocedendo rapidamente devido ao aquecimento global.
Primeiro grande predador da história tinha visão privilegiada, diz estudo
 
O primeiro grande predador da história tinha como grande trunfo sua visão, superior à dos outros animais que habitavam nossos mares há mais de 500 milhões de anos. O Anomalocaris, cujo nome significa “camarão estranho” em latim, tinha um metro de comprimento e ocupava o topo da cadeia alimentar em sua época.
Ilustração de como seria o 'Anomalocaris' (Foto: Katrina Kenny / University of Adelaide)Ilustração de como seria o 'Anomalocaris'
A descoberta de como funcionava a visão desse animal aparece na edição desta quinta-feira (8) da revista científica “Nature”. Ela se baseia em fósseis descobertos na Ilha do Canguru, na costa da Austrália, de um animal que viveu 515 milhões de anos atrás.
O artigo é assinado por uma equipe internacional de cientistas, liderada por John Paterson, da Universidade da Nova Inglaterra, nos EUA.
O olho deste animal media entre 2 e 3 centímetros e era composto por cerca de 16 mil lentes – segundo os pesquisadores, é um dos olhos com mais lentes que já existiram. A estrutura se assemelha à das atuais libélulas.
Também por isso, a descoberta fortalece a teoria de que o Anomalocaris era um parente dos artrópodes – grupo que inclui desde insetos a caranguejos e lagostas, passando pelas aranhas.
Os cientistas disseram também que a visão desse animal era precisa e sofisticada, e serviu como uma arma para que ele se mantivesse no topo da cadeia alimentar.
Vulcões são 'engolidos' por fenda tectônica no Pacífico

Novas imagens computadorizadas do fundo do mar obtidas através de sonar - através de ressonância - revelaram como vulcões submarinos são "engolidos" pela fenda entre duas placas tectônicas no Oceano Pacífico.
As imagens feitas pela equipe de pesquisadores das universidades de Oxford e Durham, na Grã-Bretanha, revelaram uma fila de vulcões de milhares de metros de altitude sendo engolida pela falha à medida que estes se deslocam em direção ao abismo.
A falha tem quase 11 quilômetros de profundidade e poderia facilmente acomodar em seu interior o Monte Everest.
Os pesquisadores afirmam que entender melhor esse fenômeno - sobretudo no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma das áreas mais ativas da Terra - pode aperfeiçoar os sistemas de alerta de terremotos subaquáticos e tsunamis.
Imagem mostra erupção de vulcão que está no fundo do mar (Foto: Reprodução/BBC)Imagem mostra erupção de vulcão que está no fundo do mar
Astrônomos obtêm melhor imagem já feita de vítima de vampira espacial

Astrônomos divulgaram nesta quarta-feira (7) as melhores imagens já feitas de uma estrela vampira com sua vítima. A fotografia foi feita combinando o trabalho de quatro telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) – o que rendeu uma imagem 50 vezes mais nítida que a do Hubble.
As chamadas “estrelas vampiras” recebem esse nome porque sugam a massa de uma vizinha.
Estrela gigante vermelha perde massa para a azul, mais quente. (Foto: ESO/PIONIER/IPAG)Imagem 50 vezes mais nítida que a do Hubble mostra estrela vampira canibalizando companheira 
As estrelas observadas estão na constelação da Lebre, a uma distância uma da outra equivalente à da Terra ao Sol. A maior delas é também a mais fria e por estar tão perto, acaba perdendo massa para sua companheira mais quente – a vampira. Os astrônomos acreditam que metade de sua massa original já foi perdida.
A fotografia surpreendeu os cientistas ao mostrar que o “roubo” ocorre de forma mais “gentil” do que eles imaginavam. Antes, eles acreditavam que essa transferência era automática, de uma para a outra. Agora, se questionam se a massa não pode estar sendo expelida pela estrela mais fria, levada pelo vento estelar e capturada pela mais quente.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Planeta segue rumo a aquecimento de 3,5ºC, diz estudo
 
Enquanto negociadores de quase 200 países tentam chegar a um acordo climático para redução de emissões de gases do efeito estufa, um estudo divulgado nesta terça-feira em Durban, na África do Sul, indica que, mesmo cumprindo as metas atualmente propostas pelos principais poluidores, o planeta deve ter um aquecimento de 3,5ºC.
Nos Acordos de Cancún, além de prometer metas de redução de emissões voluntárias, os países assumiram o compromisso de manter o aquecimento global abaixo de 2ºC, patamar considerado seguro pela ciência atual.
Acima desta elevação de temperatura, as consequências para o planeta podem ser potencialmente catastróficas, segundo os cientistas.
O estudo Rastreador de Ação Climática, uma iniciativa alemã da consultoria Ecofys em parceria com o Instituto de Pesquisas sobre o Impacto do Clima de Potsdam e a organização não-governamental Climate Analytics, também recomenda a tomada de ações mais ambiciosas para manter mais baixos os custos de redução de emissões.
'Quanto mais esperarmos, mais caro vai ficar. Se as metas só forem revisadas em 2015 ou mais tarde, as oportunidades de mitigação caem drasticamente', afirmou o diretor de Política Climática e Energética da Ecofys, Niklas Höhne.
Com outras pesquisas recentes indicando um salto na emissão de dióxido de carbono, (CO2), nos últimos anos, seriam necessárias medidas urgentes para seguir as recomendações dos estudiosos.
De acordo com o diretor da Climate Analytics, Bill Hare, o mundo teria que atingir o seu pico de emissões antes de 2020 para então entrar em um caminho seguro.
'Atualmente, emitimos cerca de 50 gigatoneladas de carbono equivalente (GtCO2-eq) - medida que leva em consideração todos os gases que provocam o efeito estufa - por ano. Em 2020, teríamos que estar em 44 GtCO2-eq ', afirmou Hare.
Mudança no estudo
O Rastreador de Ação Climática traça perfis individuais dos países. No caso do Brasil, os pesquisadores recomendam a mudança na linha base usada para calcular a redução de emissões prevista na lei de mudança climática já em vigor.
A redução de 36,1% a 38,9% estabelecida na lei deve ser calculada a partir das emissões previstas para 2020. O problema, segundo o estudo, é que essa previsão de emissões era mais baixa na proposta original do que na que foi enviada e aprovada pelo Congresso.
A diferença foi provocada pela inclusão de novas fontes de emissão no histórico usado para o cálculo e por aumento nas previsões de emissões provenientes de desmatamento e outras fontes.
Com isso, se nada for feito, o Brasil chegaria a 2020 produzindo cerca de 500 milhões de toneladas de CO2 equivalente a mais que na proposta original, segundo o estudo.
Mesmo assim, as ações climáticas do país são classificadas como 'médias'.
Em Durban, nem os mais otimistas esperam que seja produzido um acordo que vincule os países obrigatoriamente às metas resumidas no documento aprovado em 2010, em Cancún.
Até o momento, negociadores dão a entender que, na melhor das hipóteses, seria produzido um documento com indicações de como o processo seria conduzido até 2015.
Aquecimento global não dá sinais de que irá abrandar, afirmam cientistas

Estudo publicado nesta terça-feira (6) afirma que o aquecimento global não tem dado sinais de que irá abrandar e que fenômenos relacionados à mudança do clima são esperados para as décadas seguintes. A pesquisa, publicada no jornal científico “Environmental Research Letters”, reuniu dados sobre a temperatura global do período de 1979 e 2010.
Foram retiradas dessa análise três principais fatores que respondem por flutuações a curto prazo da temperatura global: o fenômeno El Niño, de erupções vulcânicas e variações no brilho do sol.
Com isso, os pesquisadores do Instituto Potsdam para pesquisa do Impacto Climático apontaram que a temperatura do planeta cresceu 0,5 ºC nos últimos 30 anos, sendo que 2009 e 2010 foram os dois anos mais quentes da história.
“Nossa abordagem mostra que a ideia de que o aquecimento global tem diminuído ou mesmo demonstrado ter dado uma pausa na última década é um equívoco sem fundamento”, disse Stefan Rahmstorf, um dos autores do estudo.
“A ausência de alterações no aquecimento é uma evidência poderosa de que podemos esperar mais aumento na temperatura nas próximas décadas, enfatizando a urgência de enfrentar a influência humana sobre o clima”, disse Grant Foster, também autor da pesquisa.
2011 será o mais quente com o La Niña
Na semana passada, durante a COP 17, que acontece até a próxima sexta-feira (9) em Durban, na África do Sul, a Organização Meteorológica Mundial (OMM, na sigla em inglês), afirmou que o ano de 2011 será o mais quente com a ocorrência do fenômeno La Ninã já registrado.
"La Niña tem um efeito de resfriamento. Ainda assim, 2011 aparece como o 10º ano mais quente já registrado “, explicou o vice-secretário-geral do organismo, Jerry Lengoasa.
O fenômento é climático cíclico causa a queda das temperaturas superficiais do Oceano Pacífico. A temperatura do ar na altura da superfície do solo e do mar, nos primeiros dez meses de 2011, ficou 0,41 grau acima da média registrada no planeta entre 1961-1990.
Outro sinal de que este ano não fugiu da tendência de aquecimento do planeta é que a calota polar ártica teve seu segundo menor tamanho já registrado durante o verão boreal. Na mínima deste ano, em setembro, havia 35% menos gelo na região ártica do que na média dos anos 1979-2000. “Vai haver uma perda significativa, não dá para dizer completa, mas signifitcativa”, respondeu Lengoasa ao ser quetionado sobre um possível desaparecimento total do gelo no norte do planeta.
Sonda Voyager entra em zona entre o Sistema Solar e o espaço interestelar
 
A sonda espacial Voyager 1, lançada pela agência espacial norte-americana (Nasa) em 1997, alcançou uma região entre o Sistema Solar e o espaço interestelar, segundo nota divulgada nesta semana.
Máquina criada por humanos que mais se distanciou da Terra, a Voyager 1 já percorreu 18 bilhões de quilômetros - ainda pouco quando se considera a distância de quase 40 trilhões de quilômetros do Sol até Proxima Centauri, a estrela mais próxima.
A região onde a Voyager 1 "passeia" atualmente é considerada pela Nasa como um "purgatório cósmico": o vento de partículas carregadas vindas do Sol se acalma ao chegar naquele local do espaço e o campo magnético do Sistema Solar apresenta características diferentes.
Os últimos dados recebidos pela Nasa mostram que a Voyager 1 ainda não alcançou o espaço interestelar, mas se aproxima da borda da heliosfera - uma espécie de "bolha" ao redor do Sistema Solar, repleta de partículas de alta energia emitidas pelo Sol, que protege os planetas da radiaç
Ainda não é possível dizer a data exata quando a nave deverá cruzar a fronteira rumo ao espaço desconhecido, mas os astrônomos acreditam que isso pode levar de meses até alguns anos.
Até o meio de 2010, a quantidade de partículas detectadas nas proximidades da Voyager permanecia estável. Desde então, o número não para de cair, indicando que a sonda se caminha cada vez mais para a fronteira de "influência" do Sistema Solar. Atualmente, as partículas estão duas vezes menos abundantes do que nos últimos cinco anos.
A Voyager 1 foi lançada junto com a sonda Voyager 2, que atualmente está a 15 bilhões de quilômetros da Terra. Ambas as máquinas continuam com boas condições de conservação.
Imagem mostra a posição atual da Voyager 1, a 119 unidades astronômicas de distância ou 18 bilhões de quilômetros. Uma região de "estagnação" é descrita na ilustração, mostrando a fronteira da heliosfera onde o vento de partículas solares começa a diminuir. Essa faixa começa a 113 unidades astronômicas de distância ou 15 bilhões de quilômetros. (Foto: JPL - Caltech / Nasa)Imagem mostra a posição atual da Voyager 1, a 119 unidades astronômicas de distância ou 18 bilhões de quilômetros. Uma região de "estagnação" é descrita na ilustração, mostrando a fronteira da heliosfera onde o vento de partículas solares começa a diminuir. Essa faixa começa a 113 unidades astronômicas de distância ou 17 bilhões de quilômetros. Uma unidade astronômica vale 150 milhões de quilômetros e corresponde à distância entre a Terra e o Sol.
Estrela que gira a 2 milhões de km por hora é a mais rápida já detectada
  Astrônomos ligados ao Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) descobriram a estrela que gira mais rápido no espaço. O astro se chama VFTS 102 e tem uma rotação que ocorre a 2 milhões de quilômetros por hora - velocidade 300 vezes superior à do Sol ao fazer o mesmo movimento.
A estrela foi revelada por observações com o Telescópio Muito Largo (VLT), um dos principais instrumentos telescópicos do mundo, situado no Observatório do Paranal no Chile. Os cientistas pesquisavam a região da Nebulosa da Tarântula, uma formação de poeira e gás localizada na Grande Nuvem de Magalhães, uma das galáxias que serve como satélite da Via Láctea - assim como a Lua em relação à Terra.
VFTS 102 tem uma massa 25 vezes maior que a do Sol e chega a brilhar 100 mil vezes mais. Sua velocidade ao percorrer o espaço também impressiona os especialistas, que acreditam que o astro possa ter sido ejetado de um sistema de estrelas duplas. Ela está a uma distância de 160 mil anos-luz daqui - um ano-luz equivale a quase 10 trilhões de quilômetros.
Segundo esta hipótese, uma das estrelas teria explodido sob a forma de uma supernova, expulsando a companheira VFTS 102 da região. A prova pode estar na presença de resquícios de supernova próximos à região observada pelos cientistas na Grande Nuvem de Magalhães, além de um pulsar - uma estrela muito pequena e com muita massa, que poderia ter sido originada após a explosão.
Ilustração mostra como seria a estrela de rotação mais rápida já detectada. (Foto: G. Bacon / ESA / Nasa)Ilustração mostra como seria a estrela de rotação mais rápida (em azul).
Telescópio acha estrela que gira 300 vezes mais rápido que o Sol


Uma equipe internacional de astrônomos que lida com o Very Large Telescope do ESO (Observatório Europeu do Sul), instalado no Chile, descobriu uma estrela pesada e brilhante na Nebulosa da Tarântula, situada na Grande Nuvem de Magalhães.
A VFTS 102 gira a mais de 2 milhões de quilômetros por hora --mais de 300 vezes mais depressa do que o Sol-- e está muito próxima do ponto onde seria desfeita em pedaços devido às forças centrífugas. Ela é a estrela em rotação mais rápida que se conhece até hoje.

Efe
Foto feita pelo ESO mostra estrela que gira a uma velocidade maior que o Sol; ela fica na Nebulosa da Tarântula
Foto feita pelo ESO mostra estrela que gira a uma velocidade maior que o Sol; ela fica na Nebulosa da Tarântula
Os astrônomos descobriram também que a estrela, que tem cerca de 25 vezes a massa do Sol e é cerca de cem mil vezes mais brilhante, se desloca no espaço a uma velocidade muito diferente da das suas companheiras.
"A extraordinária velocidade de rotação aliada ao movimento incomum relativamente às estrelas situadas na sua vizinhança, levou-nos a perguntar se esta estrela não teria tido um começo de vida incomum. Ficamos desconfiados." explica autor principal do artigo científico, Philip Dufton, da Universidade Queen, na Irlanda do Norte.
A diferença de velocidade poderia apontar para o fato da VFTS 102 ser uma estrela fugitiva --um astro que foi ejetado de um sistema de estrelas duplas depois da sua companheira ter explodido sob a forma de supernova.
Esta hipótese é corroborada por mais duas pistas adicionais: um pulsar e um resto de supernova a ele associado, encontrados na vizinhança da estrela.
A equipe desenvolveu um possível cenário evolutivo para esta estrela tão incomum.
O objeto poderia ter começado a sua vida como uma componente de um sistema estelar binário. Se as duas estrelas estivessem próximas uma da outra, o gás da companheira poderia ter fluído continuamente na sua direção, fazendo com que a estrela começasse a rodar mais e mais depressa, o que explicaria um dos fatos incomuns --o porquê da sua rotação extremamente elevada.
Após um curto espaço de tempo na vida da estrela, de cerca de dez milhões de anos, a companheira de elevada massa teria explodido como uma supernova --o que explicaria a nuvem de gás característica conhecida como resto de supernova que se encontra nas proximidades.
A explosão teria também dado origem à ejeção da estrela, o que poderia explicar a terceira anomalia --a diferença entre a sua velocidade e a das outras estrelas da região.
Ao colapsar a companheira de grande massa ter-se-ia transformado no pulsar que observamos hoje, completando assim a solução do quebra-cabeça.
Embora os astrônomos não possam ter a certeza deste cenário, Dufton conclui: "Esta é uma hipótese com muito mérito, uma vez que explica todas as caraterísticas incomuns que observamos. Esta estrela mostra-nos claramente lados inesperados das vidas curtas mas dramáticas das estrelas mais pesadas."
Geleiras do Himalaia diminuíram até 22% em 30 anos, afirmam cientistas


Novos estudos científicos sobre o derretimento das geleiras do Himalaia revelam o impacto das mudanças climáticas nesta região e a ameaça que pesa sobre 1,3 bilhão de habitantes.
Segundo os estudos publicados em três relatórios do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), com base em Katmandu, as geleiras diminuíram 21% no Nepal e 22% no Butão nos últimos 30 anos.
Estas descobertas seriam a primeira confirmação oficial sobre o derretimento das geleiras, após várias declarações empíricas. Elas corrigem também um anúncio errado do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que afirmou em seu 4º relatório em 2007 que as geleiras do Himalaia derretiam mais rápido do que as outras do mundo e "poderiam desaparecer até 2035, ou antes".
O IPCC afirmou que foi "um lamentável erro" provocado por "procedimentos que não foram devidamente acompanhados".
Apoiados pelo projeto de pesquisa financiado pela Suécia e realizado pela ICIMOD durante três anos, os especialistas descobriram que as dez geleiras observadas estão em processo de derretimento em uma velocidade que acelerou entre 2002 e 2005.
Imagem de dezembro de 2009 mostra montanhas e uma geleira na região do monte Everest, a 140 km de distância de Kathmandu. Milhões de pessoas estão sob ameaça de derretimento das geleiras do Himalaia, de acordo com cientistas, (Foto: Prakash Mathema/AFP)Imagem de dezembro de 2009 mostra o Himalaia e uma geleira na região do monte Everest, a 140 km de distância de Kathmandu. Milhões de pessoas estão sob ameaça de derretimento da neve nesta região, de acordo com cientistas.
Redução significativa
De acordo com os resultados de um outro estudo, o volume de neve que cobre a região diminuiu de maneira significativa nos últimos 10 anos. "Estes relatórios fornecem um novo ponto de comparação e informações sobre as zonas geográficas específicas para compreender a mudança climática em um dos ecossistemas mais vulneráveis do mundo", comentou o presidente do IPCC, o indiano Rajendra Pachauri.
As 54.000 geleiras do Himalaia alimentam com água os oito maiores rios da Ásia, entre eles - Indus, Ganges, Brahmaputra, Yangtze e Rio Amarelo - suscetíveis de serem afetados pelo stress hídrico nas próximas décadas, com potenciais consequências para os 1,3 bilhão de pessoas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Cientistas descobrem os maiores buracos negros já conhecidos

                      Ilustração da movimentação de estrelas na região
                                                  central de uma galáxia elíptica gigante

Um grupo de cientistas descobriu os dois maiores buracos negros conhecidos até o momento, com uma massa quase 10 bilhões de vezes superior à do Sol, informa um artigo publicado nesta segunda-feira (5) pela revista "Nature".
Esses buracos negros, localizados em duas enormes galáxias elípticas a cerca de 270 milhões de anos-luz da Terra, são muito maiores do que se previa por meio de deduções dos atributos das galáxias anfitriãs.
Segundo os especialistas, liderados por Chung-Pei Ma, professora da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, a descoberta sugere que os processos que influenciam no crescimento das galáxias grandes e seus buracos negros diferem dos que afetam as galáxias pequenas.
Os cientistas acreditam que todas as galáxias maciças com componente esferoidal abrigam em seus centros buracos negros gigantescos
As oscilações de luminosidade e brilho identificadas nos quasares do universo sugerem ainda que alguns deles teriam sido alimentados por buracos negros com massas 10 bilhões de vezes superiores à do Sol.
No entanto, o maior buraco negro conhecido até então, situado na gigantesca galáxia elíptica Messier 87, tinha uma massa de apenas 6,3 bilhões de massas solares
Os buracos negros são difíceis de serem detectados porque sua poderosa gravidade os absorve por completo, incluindo a luz e outras radiações que poderiam revelar sua presença.
Os cientistas avaliaram os dados de duas galáxias vizinhas a Messier 87 -- NGC 3842 e NGC 4889 -- e concluíram que nelas havia buracos negros supermassivos.
Os cientistas usaram o telescópio Gemini do Havaí, adaptado com lentes especiais que permitem detectar o movimento irregular de estrelas que se movimentam perto dos buracos negros e que são absorvidas por eles.
Os pesquisadores constataram que a NGC 3842 abriga em seu centro um buraco negro com uma massa equivalente a 9,7 milhões de massas solares, enquanto, na NGC 4889, há outro com uma massa igual ou superior.
Esses buracos negros teriam um horizonte de fatos, a região na qual nada, nem sequer a luz, pode escapar de sua atração, cerca de sete vezes maior do que todo o sistema solar.
Segundo os especialistas, o enorme tamanho dos buracos se deve à sua habilidade para devorar não só planetas e estrelas, mas também pequenas galáxias, um processo que teria sido produzido ao longo de milhões de anos.
Imagens aéreas mostram grandes formações de sal no Mar Morto

 Imagens divulgadas nesta segunda-feira (5) mostram diversas formações de sal no Mar Morto, que banha Israel e a Jordânia e está localizado a 422 metros abaixo do nível do mar.
Pesquisadores do Instituto de Microbiologia Max Planck, da Alemanha, e israeleneses da Universidade Ben Gurion estudam a existência de micro-organismos vivos em fissuras no fundo do mar, que tem níveis de salinidade dez vezes superiores aos dos demais oceanos. A comprovação dos micro-organismos significaria a existência de água doce na região.
 Formações de sal são vistas na superfície do Mar Morto, em Israel
 Formações de sal vistas de cima no Mar Morto, em Israel
Imagens aéreas mostram pequenas aglomerações de água às margens do Mar Morto, em Israel
 Formações de sal são vistas na superfície no Mar Morto, em Israel
 Canal para transporte de água margeia o Mar Morto
 Praia pública de Israel no Mar Morto é vista de cima
Planeta similar à Terra é achado ao redor de estrela parecida com o Sol

 A agência espacial norte-americana (Nasa) anunciou nesta segunda-feira (5) a descoberta do primeiro planeta com tamanho parecido com o da Terra e que gira ao redor de uma estrela parecida com o Sol. O planeta fica a 600 anos-luz de distância e foi detectado pela sonda Kepler, lançada em 2009 com o objetivo de descobrir novas "Terras" pelo espaço.
Outra característica do astro é que ele se encontra a uma distância da estrela que pode permitir o desenvolvimento de água líquida e atmosfera, condições ideais para o surgimento da vida como a conhecemos. Quando um planeta se encontra nessas condições, diz-se que ele está em uma "zona habitável" (em inglês também é comum o termo "goldilocks").
O planeta recebeu o nome de Kepler 22b. Sua descoberta será relatada na revista "The Astrophysical Journal", uma das principais publicações científicas sobre astronomia.
Em fevereiro, os astrônomos da Nasa haviam anunciado uma lista com 54 astros que poderiam ser habitáveis. Desses, apenas Kepler 22b foi confirmado como planeta. O astro possui um raio 2,4 vezes maior que o da Terra e gira ao redor de sua estrela em 290 dias. Os cientistas ainda não sabem dizer o planeta é rochoso ou gasoso.
 Ilustração mostra como seria o planeta Kepler 22b

Números da Kepler
O novo balanço da missão Kepler revelou a existência de 1.094 novos candidatos a planetas. Desses, 10 estariam na "zona habitável" das estrelas que orbitam. Observações futuras deverão confirmar se estes corpos são ou não planetas.
Atualmente, apenas 600 astros são confirmados como planetas pelos astrônomos. A sonda Kepler é, atualmente, a principal desvendadora de novos mundos. O instrumento vasculha as redondezas de 150 mil estrelas, todas localizadas em uma faixa no céu entre as constelações do Cisne e de Lira.
Para confirmar que Kepler 22b era mesmo um planeta, a sonda precisou verificar o sinal vindo daquela região pelo menos três vezes. A estrela que ela orbita é um pouco mais fria que o nosso Sol.
Desde o último balanço, em fevereiro, o número de candidatos a planetas cresceu 89% e agora chega a 2.326. Desses, 207 têm tamanho próximo ao da Terra, 680 são maiores que o nosso planeta e 1.181 são tão grandes quanto Netuno. A lista é completada por 203 astros com as mesmas dimensões que Júpiter e apenas 55 maiores que o maior astro do Sistema Solar (depois do Sol).
Existirão mamutes clonados a partir da medula dentro de 5 anos 

 Estes gigantes poderão estar andando pelo nosso planeta novamente em pouco tempo.

Os mamutes foram extintos há apenas 12.000 anos, tempo minúsculo se compararmos o tempo de extinção dos dinossauros. Os cientistas estão esperançosos que em menos de 5 anos poderemos ver manadas destes mamíferos gigantes novamente.
A pesquisa está sendo coordenada por especialistas do museu Sakha na Rússia e University Kinki do Japão. O principal objetivo é recriar um mamute utilizando a clonagem. Os cientistas pretendem iniciar os estudos já no começo de 2012.
Os núcleos dos óvulos de elefantes serão substituídos por células da medula do mamute. O feito só será possível graças a um fêmur de mamute encontrado em agosto deste ano na Sibéria, local tradicionalmente conhecido por conter grandes quantidades de fósseis deste animal. O achado paleontológico está com a medula óssea quase intacta, o que permite realizar os experimentos de clonagem.
Quase todos os anos novos esqueletos de mamutes são encontrados na Sibéria, graças ao descongelamento de imensas massas de gelo devido ao aquecimento global.
Crânio de tigre mais antigo já descoberto: eles não mudaram em 2 milhões de anos! 


A pesquisa mostrou que os tigres não mudaram em mais de 2 milhões de anos, apenas ficaram maiores.
O crânio foi encontrado no noroeste da China, datado com 2,55 milhões de anos. É considerado o mais antigo já encontrado, pertencente ao grupo dos grandes felinos que conhecemos hoje.
Os especialistas afirmam que apenas alguns detalhes como, por exemplo os dentes em tamanho maior, diferencia o crânio dos felinos atuais, mas a estrutura em si é praticamente a mesma, mostrando que em milhões de anos os grandes felinos não sofreram grandes evoluções, apenas ficaram maiores.
Os cientistas compararam o crânio encontrado com 207 crânios de tigre, 66 crânios de onças e 100 crânios de leopardos. As pesquisas demonstraram que o felino pertence a uma linhagem muito antiga de tigre, talvez os primeiros existentes. Eles eram menores que os tigres atuais, e precisou evoluir em seu tamanho para buscar presas maiores.
Este achado paleontológico é de vital importância, desencadeando novas pesquisas importantes sobre a compreensão da evolução dos felinos e a relação deles com o meio ambiente ao longo dos milhões de anos


domingo, 4 de dezembro de 2011

Asteroide Vesta tem montanha três vezes maior que Everest

 Região do polo sul do asteroide Vesta vista em uma imagem digital composta pela Nasa

 O asteroide Vesta abriga uma montanha três vezes maior que o Monte Everest, de acordo com uma nova imagem tirada pela espaçonave Dawn da Nasa.
Localizada no centro de uma cratera na região polar sul do asteroide, a montanha tem cerca de 22 quilômetros de altura e uma base de aproximadamente 180 quilômetros – em contraste, a maior montanha do sistema solar, o Monte Olimpo, em Marte, tem 25 quilômetros de altura e se espalha por 624 quilômetros. Já o Everest, a maior elevação da Terra, tem 8.848 metros de altura.
“Vesta está cheio de surpresas”, afirmou Paul Schenk, cientista da Dawn que participa da Instituto Lunar e Planetário no Texas, durante uma coletiva de imprensa. E acrescentou: “Tínhamos indicações antes da chegada [da Dawn] que a região polar sul seria interessante. Fotos do Hubble mostravam uma ondulação lá, mas com a resolução dele era difícil saber do que se tratava.”
Com a resolução da Dawn, os cientistas foram capazes de ver que a ondulação era uma cratera de impacto – chamada de Bacia Rheasilvia – com cerca de 475 quilômetros de largura dominada pelo seu monte central. ''Vesta é realmente um pequeno mundo bastante original e superou nossas expectativas'', afirmou Carol Raymond, pesquisadora principal adjunta do Laboratório de Propulsão a Jato (na sigla em inglês, JPL) da Nasa durante a coletiva.
Achatando um asteroide
Com cerca de 529 quilômetros de largura, Vesta é o segundo maior corpo no principal cinturão de asteróides do Sistema Solar, um anel de sobras da formação do sistema solar situado entre as órbitas de Marte e Júpiter.
Utilizando imagens em alta resolução tiradas de Vesta, cientistas do JPL criaram uma imagem que dá uma visão angular da região polar Sul do asteroide e destaca sua topografia tridimensional.
Vesta: uma visão da Terra quando bebê?
Estudar características como a montanha polar gigante de Vesta pode ajudar os cientistas a traçar a história geológica do asteróide, possivelmente dando pistas de como nosso sistema solar foi formado.
Pesquisas anteriores de meteoritos como Vesta mostraram que a superfície da rocha espacial foi outrora revestida por lava basáltica, dando uma dica de que Vesta hospedou um oceano global de magma semelhante ao que existiu na Lua.
Em verdade, Vesta é considerado um protoplaneta – um planeta bebê cujo crescimento foi prejudicado por interações gravitacionais com Júpiter, este gigante de gás que conhecemos hoje.
Os resultados da missão Dawn, de acordo com a Nasa, podem oferecer pistas de como planetas rochosos como a Terra e Marte poderiam parecer nos primeiros dias do sistema solar. “Estamos descobrindo -- e esperamos documentar ainda mais – que Vesta passou por processos planetários”, disse Raymond.
Dawn entrou na órbita de Vesta em julho e vai ficar um ano coletando dados antes de se mover em direção ao planeta anão Ceres, o maior corpo no cinturão.
Isótopo raro ajuda a investigar aquífero milenar

 Oásis de Um El Ma, na Líbia: alimentado por um aquífero antigo e pouco conhecido

 O Aquífero de Núbia, fonte de oásis lendários localizado no Egito e na Líbia, se estende languidamente por quase dois milhões de quilômetros quadrados do norte da África, pincelando uma coleção de poços subterrâneos de águas que migram lentamente através de rochas e areia em direção ao Mar Mediterrâneo.

O aquífero é um dos mais antigos do mundo. Contudo, seu funcionamento -- como ele flui e com que rapidez a água da superfície o reabastece -- tem se mostrado difícil de compreender, em parte porque as ferramentas disponíveis para estudá-lo foram capazes de oferecer, na melhor das hipóteses, imagens pouco nítidas.
Agora, para resolver alguns desses quebra-cabeças, físicos do Departamento de Energia do Laboratório Nacional de Argonne, em Illinois, estão pesquisando uma das partículas mais raras da Terra: um isótopo radioativo não estável que costuma ricochetear na atmosfera a centenas de quilômetros por hora.
O primeiro sucesso obtido pela equipe foi a destilação desses isótopos não estáveis, conhecidos como criptônio-81, na água do enorme Aquífero de Núbia, parte do qual está 3,22 quilômetros abaixo do oásis do oeste do Egito, onde há templos em homenagem a Alexandre, o Grande. O segundo foi manter esses isótopos em condições de análise e medir o quanto eles tinham deteriorado desde última vez em que viram a luz do sol.
Saber quanto tempo a água ficou por baixo da terra ajuda os pesquisadores a entender quão rápido os aquíferos são reabastecidos pelas águas da superfície e quão rápido eles se movem, favorecendo a obtenção de modelos geológicos mais precisos. A água subterrânea está se tornando um fator cada vez mais relevante no tocante ao destino da água potável disponível do mundo _ e essas descobertas podem aumentar de modo significativo nosso conhecimento de como ela se comporta.
Pradeep Aggarwal, que dirige a seção de hidrologia isotópica do programa de recursos hídricos da Agência Internacional de Energia Atômica, disse que o rastreamento de massas de água mais antigas permaneceu pouco claro durante muito tempo. A datação por carbono-14, tão útil em arqueologia, só chega até aproximadamente 50 mil anos atrás.
Hoje, está claro que o Aquífero de Núbia demorou um milhão de anos para se formar.
"Estamos verificando diferentes maneiras de estudar a água há décadas ", disse Aggarwal. "Nós utilizamos vários isótopos diferentes -- e estáveis -- para rastrear a origem da chuva. Nós também utilizamos radioisótopos para descobrir quão rapidamente as águas subterrâneas se movimentam".
Durante anos, os cientistas se basearam na datação por carbono-14, o que os levou a acreditar que o aquífero tinha apenas 40 mil anos. Eles sabiam que o criptônio-81, um isótopo presente ao ar livre, mas não no subsolo, seria um marcador mais adequado para monitorar o movimento da água subterrânea. Quando a água perde o contato com o ar, o relógio da radioatividade começa a contar; o isótopo decai em um fator de dois a cada 230 mil anos, e é possível mensurar esse decaimento em até 2 milhões de anos atrás.
Porém, isolar os isótopos criptônio-81 foi terrivelmente difícil; e apanhá-los foi ainda pior.
O físico do Laboratório de Argonne Zheng Tian-Lu e seus colegas passaram 14 anos se especializando e ampliando técnicas de desaceleração de átomos -- as mesmas técnicas baseadas em lasers criadas pelo atual ministro de energia dos Estados Unidos, Steven Chu, na década de 1980, pelas quais ele recebeu o Prêmio Nobel.
Quando Lu percebeu o potencial benefício do isolamento de isótopos criptônio-81, foi "tomado pela pesquisa", contou ele. "Eu tentei usar o método de captura que eu já tinha aprendido para tentar resolver o problema de datação do radiocriptônio".
"Estamos empregando a capacidade de controlar e manipular átomos para localizar o criptônio-81 em meio a um milhão de tipos de isótopos de criptônio", acrescentou. Há apenas um átomo de criptônio em cada milhão de moléculas de água; um em um trilhão desses átomos de criptônio é o isótopo criptônio-81.
O segredo, segundo ele, é a utilização de lasers para detectar a frequência em que os átomos oscilam _ algo equivalente a tentar determinar a altura exata de uma nota musical. Detectar as diferenças infinitesimais da ressonância de isótopos é difícil, mas quando se consegue fazê-lo, os lasers podem ser ajustados para captar a frequência de cada isótopo. Quando átomos de criptônio-81 passam por um laser adaptado a eles, brilham intensamente e se desaceleram, possibilitando que os cientistas visualizem com mais facilidade as partículas que devem isolar.
O processo começa quando a água é extraída do aquífero sem ter qualquer contato com o ar. O criptônio é retirado da água por um sistema a vácuo. Uma vez identificados e desacelerados, os isótopos de criptônio-81 são capturados por seis feixes de laser que incidem sobre eles a partir dos quatro pontos cardeais da bússola, vindos de cima e de baixo. É possível, então, medir o seu decaimento.
"A partir desse levantamento acerca do passado da água, você observa a forma como ela costumava fluir em um passado muito remoto", disse Lu. "Mas há também implicações a respeito de como manejar as águas hoje". Ele acrescentou: "Para manejar um recurso hídrico, é necessário construir um modelo hidrológico realista".
Futuro do aquífero
É aí que entra Neil C. Sturchio, geólogo da Universidade de Illinois, em Chicago. Ele trabalha com o modelo mais bem aceito de como a água flui através do Aquífero de Núbia.
"A razão pela qual este modelo foi elaborado", disse ele, "é a existência de um acordo internacional entre os países que partilham essa água" -- a saber, Egito, Líbia, Chade e Sudão.
"A questão é: com a Líbia bombeando suas águas a sério e o Egito fazendo a mesma coisa em suas áreas de oásis", o que acontece com o resto do aquífero? Se um bombeamento pesado chegar muito perto do litoral, a água salgada pode ser arrastada para a depressão hidrológica criada pelo bombeamento.
O Aquífero de Núbia não está exatamente em um processo de seca; ele está preenchido pelo equivalente a mais de 500 anos de fluxo do rio Nilo; estima-se que suas águas subterrâneas, se considerarmos apenas a porção egípcia, excedam 41 mil quilômetros cúbicos.
Aggarwal, da Agência Internacional de Energia Atômica, no entanto, chamou atenção para o seguinte: "Como resultado do bombeamento pesado, secamos os oásis em alguns lugares. Na Líbia, eles secaram o Lago Kufra". Ele contou que a National Geographic publicou, em 1920, uma foto do lago em um momento de cheia. "Agora ele é um leito seco, porque tem gente bombeando com muita força", disse ele.
E mesmo que o aquífero seja enorme, seu índice de reabastecimento, na melhor das hipóteses, "é medido em milímetros por ano", disse Aggarwal -- muito pequeno se comparado ao que é bombeado.
Além disso, segundo Sturchio, resta descobrir qual a melhor forma de extrair água: em outras palavras, "onde você coloca os poços, com qual profundidade, quão próximos uns dos outros".
"Se planejarmos tudo isso da maneira correta, podemos obter muito mais água sem problemas", continuou. "Mas se colocarmos todos os poços em um único ponto, podemos dar um tiro no próprio pé".
Ele prevê que gestores de recursos hídricos de todo o mundo venham a considerar o levantamento da equipe como sendo algo útil.
Além de serem aplicadas em outros aquíferos, em lugares como Filipinas e Austrália, as técnicas que envolvem o criptônio-81 estão sendo utilizadas como forma de rastrear soluções salinas em lugares como o sudeste do Novo México, onde resíduos radioativos provenientes de navios, submarinos e porta-aviões estão armazenados no subsolo .
Afinal, a gestão dos resíduos nucleares, assim como a gestão da água, é uma questão política.
"Há uma grande quantidade de variáveis que são levadas em conta ao se explorar um recurso", disse Aggarwal. "Na maioria dos casos, as decisões de se usar ou não se usar -- ou de quanto se deve usar -- são decisões sociais, políticas e econômicas".
Ainda assim, segundo ele, "quanto mais confiáveis forem os dados que pudermos fornecer para respaldar essas decisões, melhor -- o que queremos é obter as informações mais precisas possíveis".

"Ouro de tolo" ilumina caminho para nova geração de células solares
 Apesar de sua semelhança com o ouro, a pirita não passa de um sulfeto de ferro. Mas ela está abrindo o caminho para uma nova geração de células solares

Ouro dos sábios
A pirita é conhecida como "ouro de tolo" por muito boas razões - apesar de parecer ouro, ela não passa de um sulfeto de ferro.
Mas agora os não tão ingênuos "garimpeiros de novos materiais" podem ser os últimos a dar suas risadas, sobretudo porque eles estão interessados em uma riqueza renovável.
E a pirita pode ser a fonte para uma nova geração de células solares, muito mais baratas de se fabricar.
As células solares hoje são caras porque são difíceis de fabricar e usam matérias-primas caras. Já a pirita é barata e ambientalmente benigna.
Pirita grau solar
A pirita tem uma capacidade enorme para absorver energia solar, além de poder ser fabricada em películas 2.000 vezes mais finas do que as películas de silício.
No entanto, ela não converte a energia que absorve em eletricidade.
"Nós sabemos há muito tempo que a pirita tem propriedades interessantes para a energia solar, mas acontece que, na prática, ela não funciona. E nós sabemos realmente por que," conta Douglas Keszler, da Universidade do Estado de Oregon, nos Estados Unidos.
Ou, pelo menos, não sabiam.
Keszler e seus colegas acabam de descobrir que isso acontece porque o calor gerado pela grande absorção de energia solar faz com que a pirita comece a se degradar, formando compostos que impedem a geração da eletricidade.
Quase de graça
Também enganados pelo ouro de tolo, os cientistas então começaram a garimpar materiais que imitem a pirita - se possível, com suas vantagens e sem suas desvantagens.
Eles descobriram que o sulfeto de ferro-silício (Fe2SiS4) é o candidato ideal.
"O ferro é um dos elementos mais baratos para se extrair, o silício é o segundo, e o enxofre é virtualmente grátis," entusiasma-se o pesquisador. "Esses compostos são estáveis, seguros e não se decompõem. Não há nada aqui que possa acabar com a festa da criação de uma nova classe de materiais para células solares".
A pesquisa ainda não está finalizada, e os cientistas afirmam que poderão encontrar compostos similares - o germânio é uma das opções, uma vez que ele pode entrar no composto em substituição ao silício, criando um Fe2GeS4.
Agora a tarefa está a cargo da engenharia, que deverá construir as primeiras células solares com o novo material e confirmar se ele justifica todo o entusiasmo inicial - ou se não se transformará em uma pirita dos tolos.

 


ONU discute plano para refletir o sol em tentativa de resfriar o planeta 
 
 O problema do aquecimento global está deixando os cientistas em alerta, a ONU acaba de assumir um papel neste cenário caótico
 
 
Vários filósofos, cientistas e juristas estão planejando uma atitude radical. Com auxílio da geoengenharia, produzir algum mecanismo que reflita a luz solar, em uma tentativa “desesperada” de reverter o aquecimento global.
A conferência climática da ONU que ocorreu ontem na África do Sul, debateu sobre uma teoria que é chamada de “plano B”. Segundo os pesquisadores, seria possível refletir a luz do Sol de volta para o espaço antes que ela chegasse à superfície da Terra. Isso provocaria mudanças em nossa temperatura imediatamente.
Os cálculos estimam que em menos de 8 anos, a temperatura global retrocederia para os mesmos patamares que existiam há 250 anos, antes mesmo da Revolução Industrial.
O grande problema de um plano como este é que ninguém saberia dizer ao certo os efeitos maléficos que esta medida provocaria. Pesquisadores dizem que é uma “faca de dois gumes”, podendo dar muito certo ou muito errado. Alguns alertam que o clima da Terra poderia ser modificado radicalmente, alterando os padrões climáticos atuais e ritmo de chuvas.
O veredicto será dado em um relatório final que contará com a participação de 22 países. Este projeto foi solicitado devido ao aparente fracasso de fazer os países compreenderem a seriedade sobre a diminuição do gás carbônico produzido em processos industriais. O progresso parecer estar lento em demasia e talvez as metas estipuladas não sejam alcançadas
O grande problema é que ninguém até agora pensou que o fato de refletir a luz solar não vai diminuir a quantidade de gás carbônico acumulada no planeta e muito menos reduzir o ritmo da produção anual. Os cientistas concordam que o plano principal deve ser a luta pela conscientização na redução da produção dos gases de efeito estufa.
As pesquisas no Painel Intergovernamental alertam para aumento de 6,4 graus em todo o planeta no ano de 2100. Teorias de manipulação artificial da natureza estão sendo propostas em várias convenções. Chegou a cogitar a hipótese de pulverizar o ar com enxofre ou água salgada nas nuvens, em grande escala, para que elas possam refletir mais luz. As idéias são as mais mirabolantes possíveis, tudo na tentativa de encontrar uma segunda alternativa caso os países não cumpram seus papéis na proteção do planeta.
Até pouco tempo atrás, projetos para manipular a natureza era visto como algo a parte da ciência, com tom irônico e debochado. Isso já não é mais encarado com maus olhos, pois o assunto é sério e estamos ficando mais encurralados a cada ano. Os Estados Unidos está reunindo um grupo de 18 grandes especialistas em geoengenharia para começar pesquisas em como fazer para “defender” a Terra dos raios do Sol caso a situação fique insustentável.

Ainda com “fome”: Via Láctea está devorando seus vizinhos galácticos 

 Astrônomos conseguiram provas de que a nossa galáxia ainda está em formação, devorando seus vizinhos.

 Os registros mostraram que a Via Láctea está capturando estrelas da galáxia anã mais próxima de nós. Os astrônomos, chefiados por Sergey Koposov e Belokurov Vasily, ambos da Universidade de Cambridge, descobriram que existem duas correntes de estrelas que estão sendo arrancadas com brutalidade da galáxia anã de Sagitário, devido à grande atração gravitacional. Os pesquisadores já sabem que quando galáxias pequenas perdem corpos celestes para outras gigantescas, formam-se coroas alongadas com grande brilho. Isso acontece por que as estrelas são puxadas e acabam perdendo parte de sua massa.
A galáxia anã de Sagitário costuma ser um corpo celeste bastante brilhante quando observamos em telescópios potentes. É tão diminuta que ao longo dos bilhões de anos, perdeu mais de 50% de suas estrelas e boa parte da poeira e gás para a Via Láctea.
Os pesquisadores imaginam que a galáxia anã tenha se chocado com algum corpo estelar gigante ou uma grande massa de matéria escura há bilhões de anos, o que provocou uma instabilidade na aglomeração de seus componentes, promovendo uma espécie de divisão, na qual o lado esquerdo é mais denso com grande aglomeração e o lado direito possui estrelas com grandes distâncias uma das outras, o que favorece o “roubo” por outras galáxias de grande tamanho, como a Via Láctea.
Na imagem é possível observar artisticamente quatro caudas brilhantes da galáxia anã de Sagitário que está perdendo corpos celestes para sua “irmã” gigante. Na figura, o ponto amarelo do lado direito é o nosso Sol.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Estudo mostra como estrela induz outra à morte e cria buraco negro


Pesquisadores espanhóis descobriram como uma estrela induz outra à morte, em uma espécie de "assassinato estelar", que ocorre em pouco mais de meia hora e origina um buraco negro com uma massa maior que a do Sol e com diâmetro de 20 quilômetros.
A descoberta é fruto de uma pesquisa liderada por Christina Thöne e Antonio Ugarte Postigo, do Instituto de Astrofísica da Andaluzia, em colaboração com Miguel Ángel Aloy e Petar Mimica, da Universidade de Valência, e foi divulgada pela revista "Nature".
O inovador estudo traz uma explicação plausível ao enigma conhecido como "Erupção do Natal", uma erupção de raios gama (GRB, na sigla em inglês) de mais de meia hora de duração, que ocorreu no dia 25 de dezembro de 2010.
Esta "Erupção do Natal", ou GRB101225A segundo sua identificação científica, é o resultado de uma estrela de nêutrons se fundindo com o núcleo de hélio de uma estrela gigante e antiga, a uma distância de 5,5 bilhões de anos-luz da terra.
Este exótico sistema binário passou por uma fase em que a estrela de nêutrons penetrou na atmosfera da estrela companheira gigante e, ao alcançar seu núcleo, se fundiu com ele, sendo o resultado uma gigantesca explosão, inicialmente invisível da terra. O fenômeno possivelmente também origina um novo buraco negro.
A tremenda quantidade de energia liberada pela explosão foi canalizada longe do centro da estrela a velocidades próximas às da luz. Aloy explicou à agência de notícias "Efe" que antes se pensava que a maioria das GRB se associava às estrelas maiores que o Sol, que acabam produzindo supernovas.
No entanto, a "Erupção do Natal", segundo Aloy, é uma GRB "rara", com propriedades distintas das que se conheciam até agora, podendo considerar o fato como uma evidência de que existe uma nova forma de se produzir buracos negros estelares.
"Uma estrela em massa morre formando uma supernova, enquanto esta foi induzida à morte por sua companheira, que chega ao núcleo da estrela, onde se induz uma explosão supernova incomum (de fato passaria despercebido se não fosse pela detecção da GRB) e um objeto muito compacto, possivelmente um buraco negro", indicou.
Aloy assinalou que são frequentes os casais de estrelas (sistemas binários). "Mas nunca tinha visto quase que ao vivo este assassinato estelar". A propriedade mais incomum desta GRB é que ela contém uma "contribuição térmica extraordinariamente potente", segundo Aloy.
As erupções de raios gama são flashes de radiação ultraintensos, que podem chegar à Terra de qualquer direção do espaço. São fenômenos tão potentes e energéticos que apenas um deles pode ser tão luminoso como todas as estrelas visíveis simultaneamente no céu, embora ocorra somente em poucos segundos.
"A classificação das GRB pode ter que ser revisada à luz destas recentes observações, já que as estrelas parecem ter encontrado novas formas de morrer", concluíram.
Marte pode ter água suficiente para abastecer missões, diz ESA


A ESA (Agência Espacial Europeia) informou nesta sexta-feira que a sonda Mars tirou fotos da cordilheira de Phlegra Montes que dão indícios da existência de água sob a superfície de Marte. Os cientistas especulam que os reservatórios poderiam abastecer futuras missões tripuladas ao planeta.
De acordo com a ESA, as imagens permitem observar de perto a cadeia montanhosa e constatar que praticamente todas as suas montanhas estão rodeadas por "leques de detritos em formas de lobo". Morfologicamente, são muito similares aos acúmulos de detritos que cobrem as geleiras na Terra.
"Este fato sugere que talvez existam geleiras enterradas sob a superfície de Marte nesta região", apontou a agência em seu site.
A ESA insistiu que as observações por radar provam que a presença de tais leques de detritos --estruturas arredondadas que aparecem com frequência em torno de planaltos e montanhas da região-- está quase sempre relacionada à existência de água em estado sólido sob a superfície. "Às vezes a apenas 20 metros de profundidade."
"As crateras de impacto nos arredores de Phlegra apresentam marcas que indicam uma recente atividade glacial na região", disse a agência.
As teorias apontam que as cristas desse sistema montanhoso se formaram quando as crateras mais antigas se encheram de neve e, com o passar do tempo, foram se solidificando.
Além disso, a ESA explicou que estas geleiras se originaram em épocas distintas ao longo das últimas centenas de milhões de anos, quando o eixo polar de Marte era muito diferente do atual e, consequentemente, também o eram as condições meteorológicas na região.
"Todos estes indícios sugerem que poderia haver grandes quantidades de água oculta sob a superfície de Marte na região de Phlegra" e, "se assim for, essas grandes reservas poderiam abastecer os futuros astronautas que explorem o planeta vermelho", concluiu.
Astrônomos descobrem 18 novos planetas fora do Sistema Solar


Uma equipe de astrônomos do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos, anunciou a descoberta 18 novos planetas fora do Sistema Solar. Segundo os pesquisadores, este é o maior número de exoplanetas encontrados de uma só vez percorrendo a órbita de estrelas com massas maiores que o Sol.
Apenas a sonda Kepler, lançada em 2009 pela Nasa somente com o objetivo de detectar exoplanetas que possam reunir condições para abrigar a vida, conseguiu encontrar um número superior: até agora foram mais de 1,2 mil possíveis novos planetas, que ainda precisam ser confirmados por novos estudos.
Já os cientistas californianos usaram telescópios do Observatório Keck, localizado no Havaí, e confirmaram os dados coletados com a ajuda dos observatórios McDonald, no Texas, e Fairborn, no Arizona.
Para encontrar novos planetas, os astrônomos buscam por estrelas com pertubações no brilho, que podem ser traços de astros que orbitem ao seu redor. No caso da pesquisa agora divulgada em uma publicação especial da revista "The Astrophysical Journal", todos os exoplanetas possuem uma massa parecida com a de Júpiter e orbitam a distâncias parecidas com a Terra em relação ao Sol. Ao todo, foram pesquisadas 300 estrelas.
Os autores do estudo acreditam que os novos planetas reforçam a ideia de que planetas podem ser gerados a partir de discos de poeira e gás ao redor das estrelas em formação. Eles ainda argumentam ser possível que o tamanho da estrela determine planetas maiores ou menores.
Outra interpretação seria o acúmulo de gás e poeira em grandes "bolas" que eventualmente se transformariam em planetas, tese que não condiz com as observações feitas pelo time californiano.
Atualmente, o número de exoplanetas conhecidos e confirmados já ultrapassou 600.
Exoplaneta GJ 1214b 1 (Foto: L. Calçada / ESO)Exoplaneta GJ 1214b, um dos astros descobertos por pesquisas recentes
Astrônomos descobrem galáxias totalmente vermelhas
 Os cientistas ainda não sabem explicar porque as quatro galáxias, que parecem estar fisicamente associadas, são tão vermelhas.


Vermelhidão galáctica
Astrônomos descobriram uma "família" de quatro galáxias absolutamente vermelhas.
Eles ainda não sabem explicar a razão dessa "vermelhidão".
"Nós tivemos que levar nossos modelos ao extremo para explicar nossas observações," afirmou Jiasheng Huang, coordenador da equipe que utilizou o Telescópio Espacial Spitzer para fazer a descoberta.
O Spitzer encontrou as galáxias vermelhas onde o Hubble havia visto apenas poeira porque ele observa o Universo na faixa do infravermelho - as galáxias super-vermelhas são 60 vezes mais brilhantes no infravermelho do que na cor mais vermelha que o Hubble consegue detectar.
As quatro galáxias formam um grupo e parecem estar fisicamente inter-relacionadas. Devido à sua enorme distância, nós as vemos como elas eram poucos bilhões de anos após o Big Bang, ou seja, quando elas ainda eram muito jovens.
Galáxias vermelhas
As galáxias podem ser vermelhas por várias razões.
Uma das possibilidades é que uma galáxia contenha muitas estrelas velhas, que são avermelhadas, mas este não parece ser o caso.
Ou elas podem ser muitíssimo "empoeiradas" - ricas em poeira interestelar.
Uma terceira possibilidade é que uma galáxia seja vermelha porque está muito distante de nós, quando então a expansão do Universo estica o comprimento de onda de sua luz, que tende para o lado vermelho do espectro.
Os cientistas acreditam que, com base nos dados dessa primeira descoberta, poderão agora encontrar outras galáxias super-vermelhas, uma vez que já sabem onde e como encontrá-las.
Nesse meio-tempo, eles pretendem levantar hipóteses para tentar explicar essa vermelhidão galáctica.
Pólos magnéticos da Terra invertem o tempo todo - geologicamente falando

 A inversão do campo magnético da Terra é um fenômeno contínuo, e que não produziu catástrofes sobre a vida no planeta no passado


Aceleração da reversão
Os pólos magnéticos da Terra invertem-se o tempo todo - geologicamente falando.
Se você voltasse no tempo cerca de 800.000 anos, e levasse consigo uma bússola, descobriria que a ponta da agulha apontaria para o que hoje chamamos de sul.
Os geólogos sabem há muito tempo que os pólos magnéticos da Terra se invertem ao longo das eras.
O que eles não sabiam é que a inversão dos pólos é mais a regra do que a exceção, e que ela vem se acelerando.
No tempo dos dinossauros, os registros fósseis indicam que havia uma reversão dos pólos magnéticos a cada 1 milhão de anos. Nos tempos mais recentes, essa reversão tem ocorrido a cada 200.000 a 300.000 anos.
Por outro lado, já se passou mais do que o dobro desse tempo - 780.000 anos - desde a última reversão, sem que se saiba a razão para isso.
Inversão magnética contínua
Um grupo de cientistas da NASA agora descobriu também que o fenômeno da inversão nada tem de suave ou de rápido.
Ela ocorre ao longo de centenas ou milhares de anos.
Durante esse período, os campos magnéticos parecem se misturar, puxar e empurrar uns aos outros, com múltiplos "pólos" emergindo aqui e ali, nas mais diversas latitudes, até que a situação se equilibre novamente
O pólo magnético da Terra está-se deslocando continuamente. Ele já se moveu 1.100 quilômetros desde que foi medido com precisão pela primeira vez, no século 19.
Esse deslocamento vem-se acentuando nos últimos anos: os pólos magnéticos estão migrando rumo ao norte geográfico a uma razão de cerca de 65 km por ano, contra cerca de 15 quilômetros por ano no início do século 20.
Sem catástrofes
Os cientistas conhecem o processo analisando a magnetização da lava conforme ela escorre dos vulcões, sobretudo submarinos - conforme a lava se solidifica, ela "grava" a orientação do campo magnético naquele momento.
Felizmente, os registros geológicos não mostram qualquer alteração drástica na vida vegetal ou animal nesses períodos.
Os dados também indicam que a reversão dos pólos magnéticos não guarda qualquer correlação com a atividade glacial.
Isto, segundo os cientistas, é uma prova de que a reversão da polaridade não afeta a inclinação do eixo de rotação da Terra, já que a alteração do eixo tem influências significativas sobre o clima e a glaciação.
Há hipóteses que consideram que a reversão geomagnética deixaria a Terra sem o campo magnético que nos protege das ejeções de massa coronal e das tempestades solares.
Mas os dados indicam que esse campo nunca desapareceu completamente, não gerando nenhuma influência catastrófica sobre a vida do planeta na época de cada inversão.
 Diagrama do interior da Terra e o movimento do norte magnético de 1900 a 1996.
Laser entre satélites vai monitorar atmosfera terrestre

 
Laser entre satélites
A agência espacial europeia (ESA) demonstrou a viabilidade de usar um raio laser para monitorar os gases com efeito estufa.
O objetivo é usar o laser entre dois satélites no espaço.
Para aferir a técnica, contudo, os experimentos foram feitos nas ilhas Canárias onde foram disparados feixes de laser de La Palma para Tenerife.
Durante duas semanas, o céu noturno entre as duas ilhas iluminou-se de luz verde - o que parecia mais uma cena do filme Guerra das Estrelas do que uma experiência para compreender a atmosfera terrestre.
Espectroscopia com infravermelho
A experiência foi concebida para testar a técnica de "espectroscopia de absorção diferencial no infravermelho" para medições de grande precisão de gases como o dióxido de carbono e o metano.
Esta técnica irá ligar dois satélites em órbita da Terra: um funcionará como transmissor e o outro como receptor. Enquanto o feixe viaja de um para o outro, a atmosfera é analisada.
 A estação terrestre de Tenerife é usado para comunicações com satélites

Espectroscopia com infravermelho
A experiência foi concebida para testar a técnica de "espectroscopia de absorção diferencial no infravermelho" para medições de grande precisão de gases como o dióxido de carbono e o metano.
Esta técnica irá ligar dois satélites em órbita da Terra: um funcionará como transmissor e o outro como receptor. Enquanto o feixe viaja de um para o outro, a atmosfera é analisada.
A técnica conhecida como "ocultação" baseia-se no acompanhamento de sinais de satélites à medida que estes surgem ou desaparecem no horizonte, e é um método bem estabelecido de estudo da atmosfera.
Já a nova técnica usa lasers infravermelhos, em vez das micro-ondas usadas no método mais comum.
No comprimento de onda certo, as moléculas da atmosfera alteram o feixe de laser. Esta informação pode ser usada para calcular a concentração de gases e potencialmente medir a intensidade do vento.
Pela aplicação da técnica a diferentes altitudes é possível estabelecer um perfil vertical, das mais baixas camadas da estratosfera às camadas mais altas.
 O Observatório del Roque de los Muchachos fez a transmissão dos dois feixes de laser, verde e infravermelhos, dirigidos para a estação de Tenerife.

Testando a teoria
Mas isto era apenas teoria até agora, e ela precisava ser testada.
Para isso, o equipamento foi colocado nas duas ilhas, aproveitando a estação terrestre da ESA em Tenerife. Este observatório, construído a 2.390 metros de altitude, faz parte da instalação astronômica Observatório del Teide, dirigido pelo Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC).
A estação oferece a localização perfeita para a instalação do receptor, que foi integrado no telescópio principal. O IAC dirige também o Observatório del Roque de los Muchachos, no cume de outro monte, em La Palma.
Montadas nestas montanhas vulcânicas e separadas pelos 144 km de Oceano Atlântico, não há obstáculos entre as duas instalações, o que faz das Canárias um dos melhores locais do mundo para se fazer uma experiência deste tipo.
Durante as duas semanas que durou a experiência, os cientistas do Wegener Center da Universidade de Graz, na Áustria, e as equipes da Universidade de York e Manchester, no Reino Unido, recolheram os primeiros dados do gênero.
Laser verde
O feixe de laser infravermelho é invisível a olho nu, mas o impressionante laser verde, usado em paralelo para registrar a turbulência atmosférica, era bem evidente.
Gottfried Kirchengast, do Wegener Center, admitiu que "esta campanha foi um passo crucial para que se possa usar as técnicas de ocultação por infravermelhos no espaço. Estamos muito entusiasmados por esta demonstração inter-ilhas, de medição do dióxido de carbono e do metano, ter sido um sucesso."
 Um laser verde foi usado para guiar o feixe de laser infravermelho, que é invisível, de La Palma até Tenerife