domingo, 5 de fevereiro de 2012

Descobertos pulsares que giram em uma velocidade jamais vista



Na foto uma animação da NASA mostrando o pulsar super brilhante e super jovem J1823-2021A, que é o pulsar mais brilhante e mais jovem já descoberto e com um poderosíssimo campo magnético.
As estrelas espetacularmente rápidas, conhecida como pulsares, podem perder mais da metade da energia rotacional após sua morte, sugere pesquisa.
Os pulsares são estrelas que entraram em colapso depois de serem submetidas a uma degenerada pressão de nêutrons. Também conhecidas como Estrelas de Nêutrons, os pulsares tem seus núcleos fortemente magnetizados e emitem impulsos de duração média de 35 milésimos de segundo. Cada minúsculo pedaço de matéria da estrela de nêutrons pesa tanto quanto uma montanha de cem milhões de toneladas.
As estrelas de nêutrons podem aumentar sua matéria e energia por canibalizar as estrelas companheiras, um processo que faz com que os pulsares emitam raios-X e girem de forma extraordinariamente rápida – algumas giram mais de mil vezes em um único segundo.
No entanto, no decorrer da desaceleração os pulsares diminuem sua emissão de impulsos gradualmente e emitem ondas de rádio em seu lugar. Um novo estudo feito pelo astrofísico Thomas Tauris da Universidade de Bonn, na Alemanha, pode ter a resposta. Tauris descobriu que pulsares podem desacelerar de forma dramática, ou seja, nos estágios finais, as estrelas ‘mortas’ podem perder mais da metade de sua energia rotacional.
Modelos de computador sugerem que as magnetosferas ou conchas de partículas carregadas, em torno de pulsares de milissegundo, crescem quando suas estrelas companheiras encolhem. Este crescimento exerce um toque de frenagem sobre os pulsares. Além disso, quando a matéria das estrelas companheiras entra nestas magnetosferas, elas podem ser explodidas, o que também ajuda a retardar o pulsar."Agora sabemos que o mesmo processo responsável por girar até estrelas velhas de nêutrons, possui extraordinárias taxas de rotação, com períodos de 1 a 10 milissegundos, também faz com que os pulsares de milissegundo desacelerem", disse Tauris.
Os resultados parecem estar de acordo com as últimas observações. "Uma implicação importante deste trabalho é que a emissão de raios-X dos pulsares de milissegundo deve, em média, girar mais rápido do que os pulsares de milissegundo emissores de ondas de rádio". Tauris acrescentou: "Este é exatamente o que os atuais dados observacionais parecem sugerir”.
Tauris detalhou suas descobertas na revista Science.

Brasil quer se tornar membro de centro europeu que cuida do LHC


  O Brasil está estudando como ter dinheiro para se tornar membro associado do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern, na sigla em francês), que é responsável pelo Grande Colisor de Hádrons (LHC), segundo uma comissão de trabalho convocada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para negociar a entrada do país na organização. A pasta está na fase final da avaliação da melhor forma de obter a verba para a filiação do país ao projeto.
Em entrevista concedida ao G1, o ministro da Ciência, Marco Antonio Raupp, recém-empossado, afirmou que o governo trabalha em uma forma de “engenharia financeira” para conseguir a aprovação do investimento necessário para a entrada no Cern.
"Estamos trabalhando para construir uma ‘engenharia financeira’ para [...] a vinculação do Brasil ao Cern. Precisamos reforçar nossa base de conhecimento, visando a ampliação e qualificação da mão de obra científica", afirmou Raupp.Após a entrevista, o repórter do G1 conversou com Ronald Cintra Schellard, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e presidente da comissão que prepara a documentação necessária -- que deve ser entregue ao centro europeu até março.
Se for aprovado, o país terá que pagar uma cota anual para ser considerado membro do projeto -- esse valor ainda precisa ser definido pelo Cern, mas há dois anos era de aproximadamente US$ 15 milhões ao ano.
O número é obtido a partir de um cálculo já estipulado pelo conselho do Cern, que utiliza o Produto Interno Bruto (PIB) das nações como referência. No caso do Brasil, que será membro associado, será equivalente a 10% do total pago pelos países que já possuem cadeira efetiva no conselho como Alemanha, Reino Unido e Portugal.
O Cern é uma organização internacional que gerencia o maior laboratório de física de partículas do mundo. A estrela desse laboratório é o acelerador de partículas LHC, o maior projeto de cooperação científica mundial e também a maior ferramenta já construída pelo homem (entenda seu funcionamento). É no LHC que dois grupos de pesquisa independentes estão à procura do bóson de Higgs, apelidado de a "partícula de Deus".
De acordo com Schellard, esse relatório terá dados sobre estrutura de pesquisa, número de cientistas e indústrias voltadas ao setor existentes no país. "Nós negociamos os termos com o Cern, mas devido à falta de recursos [do ministério], esse ingresso ficou interrompido por um tempo", disse Schellard.
Segundo ele, mesmo sem ser membro efetivo, o Brasil já conta com mais de cem pesquisadores ligados aos experimentos realizados pelo Centro Europeu. "É a maior equipe entre as nações que não são membros permanentes no Conselho Superior", afirma.
De acordo com Sérgio Novaes, professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e pesquisador do Cern, o país teria vantagens científicas ao participar efetivamente do projeto. “Abre possibilidades interessantes de retorno do investimento feito pelo Brasil. Não somente em bolsas científicas e posições de pesquisa, mas também em relação à indústria nacional, que passa a ter ‘carta branca’ para participar de licitações para fornecimento de serviços e equipamentos em diversas áreas do Cern [entre elas o LHC]”, disse.
                                            Sede do Cern (Centro Europeu de Pesquisas
                                            Nucleares), em Genebra, na Suíça 

Uma das instalações do Grande Colisor de Hádrons (LHC), megatúnel para colidir partículas
Entrevista com o ministro

Marco Antonio Raupp durante cerimônia de posse,
em 2 de janeiro 


  Há 11 dias no cargo, Marco Antonio Raupp substituiu Aloizio Mercadante, que foi para o Ministério da Educação.
Além do Cern, Raupp conversou com o G1 sobre outros temas da nova gestão do ministério.
Segundo ele, as decisões tomadas por seu antecessor serão continuadas “já que o governo é o mesmo”. A meta é cumprir entre 2012 e 2015 o que foi definido na Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação. “Vamos nos esforçar para executar essa programação”, disse.
O físico afirma que vai tentar elevar a quantidade de recursos humanos na área científica do país e estabelecer nova infraestrutura para pesquisa. Isso tendo nos cofres um montante de R$ 8,5 bilhões, que corre risco de sofrer restrições devido à recessão econômica no exterior.
“Ano passado tivemos cortes. Esse ano já superamos, mas estamos na expectativa se vamos executá-lo [o orçamento] plenamente ou com restrições. Está em jogo a gestão da política econômica, a qual vamos nos adaptando.”, disse o ministro.Ex-presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Raupp afirma que o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) vai se tornar um braço da agência.
A proposta anterior, de fusão das duas instituições, foi descartada. “Saímos desse modelo porque achamos que não era conveniente. O que será encaminhado não só para o Inpe, mas para todos os institutos do MCTI é uma vinculação com as agências e secretarias. O Inpe ficará vinculado à AEB. [...] O Inpe mantém sua identidade como instituição de pesquisa do MCT”, afirmou.
Um dos principais desafios da agência espacial é a construção de um veículo lançador de satélites nacional. O VLS terá lançamentos não-operacionais até o final de 2012, segundo o ministro, com o apoio de empresas russas. Se tudo der certo, a fabricação do foguete completo deve acontecer a partir de 2018.
Raupp falou também sobre a produção de iPads no Brasil, pela multinacional Foxconn. Segundo ele, a pasta espera que as questões burocráticas sobre a instalação da fábrica se resolvam até o fim de junho.
“Este processo corre nos ministérios da Indústria e Comércio e Fazenda. Teve um esforço do ministro Mercadante em atrair a empresa, que tem a intenção de implantar fábricas. Mas agora, na negociação entra os municípios candidatos e os estados que vão oferecer condições para atrair a companhia. O MCT articulou tudo, mas sobre os agentes de financiamento e outras questões, outros ministérios têm que resolver. A nossa expectativa é que até o fim do primeiro semestre tudo se resolva”, afirmou.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Nasa divulga foto de fenda que pode gerar iceberg maior que Nova York

A Nasa divulgou esta semana uma nova imagem de uma fenda de 30 km de comprimento, na Antártida, que pode gerar um iceberg maior que Nova York. Ele teria 900 km², contra 785 km² da cidade americana. A área do bloco de gelo corresponderia a 60% da cidade de São Paulo.Localizada no glacial da Ilha Pine, a fenda foi descoberta em outubro de 2011 por cientistas do projeto IceBridge, da Nasa, que analisa mudanças nas camadas de gelo que cobrem a Antártida e a Groenlândia, desde 2009.
A fotografia mostra o bloco de gelo do alto, à distância. A rachadura, que tem 80 metros de espessura e 60 metros de profundidade, aparece na imagem como um risco. Já em novembro do ano passado, a Nasa havia divulgado uma foto mais próxima da rachadura.
Fotografia da Nasa mostra fenda que pode formar iceberg maior que Nova York (Foto: Nasa/ GSFC/ METI/ ERSDAC/ JAROS, and U.S / Japan ASTER Science Team)
Fotografia da Nasa mostra fenda que pode formar iceberg maior que Nova York

Segundo a Nasa, é muito difícil prever quando o iceberg pode se desprender, mas ela estima que o processo deve ocorrer nos próximos meses. A rachadura faz parte de um ciclo natural e não acarreta risco ambiental, explicou para a imprensa o chefe do projeto IceBridge, Michael Studinger.
Já Ted Sambos, especialista em glaciação do Centro de Dados de Neve e Gelo dos Estados Unidos, afirmou, em entrevista para a National Geographic nesta quinta-feira (2), que a fenda está se formando com um padrão diferente, que levaria a uma "aceleração da glaciação", ou seja, uma movimentação mais rápida do iceberg em direção ao mar.
Isso seria motivo de preocupação, já que a glacial da Ilha Pine "é a que mais contribui para o aumento do nível do mar", considerou.

Astrônomo anuncia descoberta de duas luas em Júpiter


Duas novas luas ao redor de Júpiter foram detectadas por instrumentos na Terra, aumentando para 66 o número de satélites naturais do maior planeta do Sistema Solar. As informações são do site da revista "National Geographic".
A descoberta foi anunciada nesta semana pelo astrônomo Scott Sheppard, do Instituto Carnegie para Ciência em Washington, nos Estados Unidos, a uma central de telegramas sobre astronomia mantida pela União Astronômica Internacional. Os dois novos astros receberam os nomes de S/2011 J1 e S/2011 J2.
Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar e conta com 66 satélites naturais. (Foto: Nasa)
Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar e conta com 66 satélites naturais.

A dupla foi vista pela primeira vez em 27 de setembro de 2011, no Observatório de Las Campanas, no Chile, com o telescópio Magalhães.
Ao contrário das primeiras luas do planeta, descobertas pelo astrônomo Galileu Galilei há mais de 400 anos e visíveis com pequenos telescópios, os dois novos satélites têm apenas 1 quilômetro de extensão cada e demoram 580 e 726 dias para dar uma volta pelo planeta gasoso.Os dois astros orbitam Júpiter no sentido contrário ao da rotação do planeta. Dos 66 satélites do planeta, 52 possuem esta característica. Como a maioria das luas "retrógradas", S/2011 J1 e J2 são considerado satélites irregulares por girarem muito longe do gigante gasoso e apresentarem trajetórias muito inclinadas e pouco redondas.
O formato das órbitas dos dois satélites levam os cientistas a acreditar que ambos possam ser asteroides ou pedaços de cometas "capturados" pela gravidade de Júpiter.
Os nomes das luas normalmente homenageiam amantes e filhas do deus romano Júpiter e seu equivalente grego Zeus. Mas para receber um nome mitológico, a lua precisa ter passado por, no mínimo, um ano de observações.

Espécie de grama marinha pode ser a mais antiga forma de vida da Terra



Gramas marinhas podem ser compostas de clones de gigantes antigos.
A Posidonia oceanica, um tipo grama marinha, se reproduz tanto sexualmente quanto por meio de floração ou assexuadamente, gerando clones de si mesma. Isso pode resultar em organismos simples que são muito grandes e muito antigos.
A pesquisadora Sophie Arnaud-Haond, bióloga marinho no Instituto Francês de Investigação para a Exploração do Mar lembra: "Organismos clonais tem essa capacidade extraordinária de um genoma perfeito e pode ser transmitido através de gerações sem ser alterado”.
No entanto, a teoria recorda que esse processo é conhecido como mutações somáticas - erros de cópia. Arnaud-Haond afirma: "Acumular as mutações, a maioria dos quais se espera que tenham um impacto negativo, e ao longo de gerações, deverão também se degenerar e eventualmente desaparecer. A idade de organismos clonal deve ser limitada também”.
Os pesquisadores analisaram 40 prados em 3,5 mil quilômetros do Mar Mediterrâneo. Nem todas as gramas marinhas são geneticamente idênticas. No entanto, nos clones eles conseguiram encontrar tamanho e idade absolutamente iguais. Alguns chegaram até 15 quilômetros de largura e podem ter mais de cem mil anos de idade. "Fileiras de Posidonia oceanica estão entre os mais antigos", declarou Arnaud-Haond disse ao LiveScience.
Modelos de computador ajudaram a demonstrar que Posidonia oceanica tem um modo de propagação comum a outras algas marinhas que permite que elas evitem o acúmulo de mutações deletérias e isso explica como ela escapa da degeneração esperada de organismos clonais. "O entendimento das particularidades que tornaram os genomas tão adaptáveis a uma ampla gama de condições ambientais podem ser o foco da pesquisa extremamente interessante no futuro", Arnaud-Haond disse.Algas marinhas são a chave dos ecossistemas costeiros, mas têm diminuído globalmente nos últimos 20 anos, com a Posidonia oceanica em declínio a uma taxa estimada de cerca de 5% anualmente. "Clones de Posidonia oceanica têm sido capazes de sobreviver. Por um lado, isso sugere uma capacidade de lidar com as mudanças ambientais que poderia ser um indício positivo sobre sua capacidade de lidar com perspectivas de médio e longo prazo da mudança global. Por outro lado, as mudanças estão ocorrendo hoje em dia a uma taxa sem precedentes, e a queda acentuada em geral e em particular levanta preocupações quanto à capacidade desta espécie de crescimento lento e sua idade.”
Os cientistas detalharam suas descobertas on-line n a edição da revista PLoS ONE.

Russos estão prestes a alcançar lago "alienígena" na Antártida


 Após duas décadas de ensaios, pesquisadores russos vão iniciar a exploração do mais alienígena dos lagos terrestres. Contudo, a falta de contato com colegas americanos por seis dias deixa todos apreensivos. Poderia ter dado algo errado?
Não, não é a abertura de mais um episódio da série de televisão "Arquivo X". Fato é que os cientistas estão no mais inóspito ambiente da Terra -o interior do continente antártico. E as águas que eles pretendem estudar ficam sob 3,6 km de gelo.
Estima-se que o lago Vostok, mantido em estado líquido pela pressão e pelo calor interno da Terra, esteja isolado do resto do planeta há pelo menos 14 milhões de anos.
Daí o interesse por ele: sabe-se lá que criaturas podem ter sobrevivido e prosperado num ambiente tão diferente.
Imagina-se que o lago tenha mais semelhança com o ambiente encontrado em Europa, uma das luas de Júpiter, do que com a Terra.
"É tentadora a analogia entre o Vostok e o oceano subsuperficial de Europa", afirma Eduardo Janot Pacheco, astrônomo do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP.
Verificar o que existe vivo no Vostok é uma forma de especular sobre a possibilidade de haver vida em luas geladas como Europa. Isoladas da luz solar, as criaturas que habitam esses ambientes têm de viver dos poucos nutrientes que ali existem.
Os russos têm perfurado o gelo que cobre o Vostok há muito tempo. Mas em 1998, a cem metros de onde começa a água, eles foram obrigados a interromper o trabalho.
A preocupação da comunidade internacional era a de que a perfuração contaminasse o lago com microrganismos de fora, eliminando o potencial para descobertas e prejudicando o ecossistema que pode existir lá.
Só em 2010, após desenvolverem um novo protocolo de segurança, os russos puderam prosseguir.
Na semana passada, a equipe liderada por Valery Lukin reportou a colegas americanos, por e-mail, que estava nos 20 a 30 metros finais. O último contato entre russos e americanos aconteceu na segunda-feira.
Desde então, a equipe antártica tem mantido silêncio, o que gera apreensão no resto do mundo.
O QUE PODE DAR ERRADO
Há a pequena possibilidade de que a súbita liberação da pressão do lago gere um gêiser gigante. Além disso, os cientistas correm contra o tempo: as perfurações só podem ser feitas durante o verão antártico, que está no fim. No inverno, as temperaturas inviabilizam os trabalhos.
Tudo faz parte de um aprendizado que pode ser útil para explorar recantos inóspitos do Sistema Solar.
"Esse é um grande ensaio técnico para perfurar capas de gelo em Europa", diz Cassio Leandro Barbosa, astrônomo da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), em São José dos Campos (SP).
O interesse maior da pesquisa, no entanto, diz respeito à biologia e à evolução da vida. "As formas de vida que estão para ser descobertas se isolaram do mundo há 20 milhões de anos", afirma. "De lá para cá, como evoluíram? Esses seres serão o paradigma a ser procurado em ambientes extraterrestres."
SEPARAÇÃO DE CONTINENTES
Hoje, o lago Vostok está sob quase quatro quilômetros de gelo, no interior do continente antártico.
Mas cerca de 65 milhões de anos atrás, quando ele estava na superfície, a configuração dos continentes era bem diferente.
A Antártida estava conectada à Austrália e ainda tinha clima subtropical, com florestas e fauna expressiva.
A separação das duas massas de terra, com o gradual avanço da Antártida para o polo Sul, levou ao congelamento permanente. Estima-se que a capa de gelo tenha selado o conteúdo do lago Vostok entre 25 milhões e 14 milhões de anos atrás.
"Ou seja, as formas de vida lá existentes evoluíram de maneira independente há mais tempo do que o passado desde que nossos ancestrais desceram das árvores", diz Eduardo Janot Pacheco, astrônomo da USP.
Dadas as atuais condições ambientais, a existência de criaturas multicelulares sofisticadas no interior do lago é altamente improvável. Imagina-se que ele seja um ambiente dos mais inóspitos, saturado em nitrogênio e oxigênio, com concentrações 50 vezes maiores do que a em lagos típicos da Terra.
Além disso, a falta de luz solar deve levar a uma baixa presença de nutrientes, que limitaria a evolução da vida. Com efeito, é o que torna tudo tão interessante.
De que maneiras os organismos teriam se adaptado a essas condições?
A regra é esperar o inesperado, segundo os cientistas. "Durante a escavação desse túnel de aproximadamente quatro quilômetros de comprimento, já haviam sido descobertos microrganismos, dos quais não sabemos nem mesmo a que reino pertencem", afirma Janot.
Por isso, os russos se animam com a possibilidade de descobertas que podem mudar completamente o panorama da biologia, tal como é ensinada hoje nas escolas.
Entretanto, para isso ainda será preciso esperar.
Mesmo que os exploradores consigam atingir a água do lago nesta temporada, o recolhimento de amostra para análise só se dará em cerca de um ano. 

Seca de 600 milhões de anos pode ter eliminado vida em Marte


 Cientistas disseram que a vida nas primeiras camadas do solo marciano pode não existir em um novo estudo, já publicado no jornal "Geophysical Research Letters". Ela teria sido eliminada ao longo de uma superseca com cerca de 600 milhões de anos e só poderia ser encontrada em regiões bem mais profundas do planeta.
A afirmação é baseada na análise de uma amostra coletada durante a missão Phoenix, em 2008. Durante três anos, os pesquisadores do Imperial College London estudaram as partículas da terra para determinar se o planeta era ou não habitável. Elas indicaram que o solo marciano se formou em condições áridas, da mesma forma que a Lua, o que dificultaria a sobrevivência de algum tipo de vida.
Mais: apesar de estar originalmente em uma região gelada ao norte de Marte, a terra, segundo pesquisas prévias, também cobriria o restante do astro. Ou seja, a mesma hipótese de "clima seco acaba com vida" valeria para o resto do planeta.
Tom Pike, que liderou o grupo, disse que o planeta que conhecemos hoje não se parece com o antigo, que tinha períodos quentes e úmidos e era mais propício para abrigar formas de vida.
Como há indícios de que Marte tenha tido água, os cientistas acreditam que ela existiu 5.000 anos atrás, mas não houve tempo suficiente para que a vida ressurgisse na superfície.Solo congelado em Marte; estudo atual contradiz os anteriores, que defendem a existência de bactérias adormecidas

Turismo espacial pode ter viagens já em 2012


 O ano de 2012 está repleto de propostas de viagens turísticas ao espaço oferecidas por companhias como a Virgin Galactic, que mesmo incertas já possuem uma longa lista de espera.
Sir Richard Branson, fundador e dono da Virgin Galactic, informou que a primeira viagem com turistas a bordo - ele e sua família - poderá ser feita no final deste ano ou início de 2013.
A companhia selecionou um grupo reduzido de agências no mundo para oferecer as viagens, como a de Lynda Turley Garrett, presidente da Alpine Travel of Saratoga na Califórnia, e a de Bill Rubinsohn, presidente da Rubinsohn Travel na Pensilvânia, que já tem uma lista de clientes desejando experimentar esse tipo de turismo.
"A data do primeiro voo ainda não foi definida, mas os testes terminaram bem e dentro do programa previsto", disse Lynda à Agência Efe, especificando que a Virgin Galactic "tem atualmente 475 reservas de clientes de todo o mundo".
Por enquanto, já há uma infraestrutura no deserto do Novo México, onde está sendo erguido o "Spaceport", um complexo futurista, obra do arquiteto Norman Foster, de onde está previsto que saiam as nave mãe WhiteKnightTwo (WK 2) e as SpaceShipTwo (SS2).
A nave SpaceShipTwo, com o tamanho de um jato particular e capacidade para transportar seis passageiros e dois pilotos, realizou com sucesso seu primeiro voo de teste tripulado sobre o deserto do Mojave (Califórnia) em outubro de 2010.
De acordo com Lynda, há uma série de assentos reservados para personalidades de diferentes países do mundo que irão viajar convidadas pela Virgin Galactic. "Sir Richard quer que isto seja um evento global, com um primeiro viajante de cada país do mundo - dos Estados Unidos, Canadá, Espanha e Japão".
O restante dos interessados, acrescentou, pode comprar uma passagem para o primeiro ano de voos por US$ 200 mil ou um bilhete para o segundo, com uma entrada de US$ 20 mil e pagamento do resto quando o voo estiver confirmado.
Além disso, as famílias aventureiras ou grupos de amigos que, entediados com os destinos convencionais na Terra, queiram fretar uma nave, terão um desconto de 10%.
 Planeta Terra visto a partir da Lua; imagem do planeta poderá ser apreciada por turistas espaciais

 Este valor não inclui só a passagem, mas os três dias de treinamento no aeroporto espacial em regime de pensão completa - excluindo a viagem da cidade de procedência do turista.
Os pioneiros espaciais têm a oportunidade de participar de eventos organizados pela Virgin e inclusive conhecer Branson, que segundo Lynda é uma pessoa "encantadora", "inteligente" e "criativa", não só no sentido empreendedor, mas também filantrópico.
O voo é suborbital, portanto não chega a sair da órbita terrestre, mas será possível experimentar a sensação de falta de gravidade e fazer algo que só poucos privilegiados podem: olhar a Terra de longe.
A SpaceShipTwo irá decolar acoplada a nave mãe e subirá por 45 minutos até 15 quilômetros de altura onde irão se separar. Após alguns segundos de queda livre, o motor entra em ignição e a nave é propulsada a 4 mil km/h atingindo os 110 quilômetros de altura em 90 segundos.
Os motores serão então desligados para que os viajantes possam desfrutar da falta de gravidade por alguns minutos e observar a Terra antes de apertar os cintos para realizar a aterrissagem no "espaçoporto".
Entre os que reservaram uma passagem há famosos e empresários, "mas também há pessoas que querem realizar seu sonho de ir ao espaço ou pôr seus nomes nos livros de história", garantiu Lynda.
Tanto Lynda como Rubinsohn acreditam que daqui a um prazo máximo de cinco anos as passagens irão ficar mais baratas.
"Como todo novo produto, o primeiro a sair é mais caro que os seguintes. Espero que o custo diminua em dois ou três anos", disse Rubinsohn.
Na opinião de Lynda, "os custos de pesquisa e desenvolvimento são sempre mais altos em um projeto como este - mas com o passar dos anos, o preço irá diminuir".
Lynda lembrou que outras empresas como a SpaceX, de Elon Musk, cofundador da PayPal; e mais recentemente o fundador da Amazon.com, Jeffrey P. Bezos; e Paul G. Allen, um dos fundadores da Microsoft; também demonstraram interesse no espaço.
Seus projetos, por enquanto, "estão focados principalmente em pôr satélites em órbita e ganhar contratos da Nasa, mas já disseram que as viagens de passageiros também poderão fazer parte de um plano futuro". 

Astronautas registram o leste da América do Norte à noite; veja


 A última foto tirada pelos astronautas que se encontram em missão na ISS (Estação Espacial Internacional), divulgada nesta sexta-feira pela Nasa, mostra o leste da América da Norte.
A câmera captou o corredor de cidades formadas pela Filadélfia, Nova York e Boston nos Estados Unidos (a parte toda iluminada à direita).
O fundo verde são as luzes da Aurora Boreal, no hemisfério Norte. 
Foto divulgada nesta sexta-feira (4) pela Nasa mostra de o corredor formado pela Filadélfia, Nova York e Boston

Hubble fotografa galáxia espiral parecida com Via Láctea


 O telescópio espacial Hubble fotografou a NGC 1073, que está localizada na constelação da Baleia, a 55 milhões de ano-luz, e é conhecida por ser parecida com a Via Láctea.
A ESA e Nasa divulgaram a imagem nesta sexta-feira. As duas agências espaciais --da Europa e dos Estados Unidos-- estudam a NGC 1073 para entender o sistema cósmico onde vivemos.
A NGC é uma galáxia espiral barrada. Essa classificação se deve a várias "linhas" (barras) de estrelas que se encontram na região central.
Segundo os pesquisadores, essas barras provavelmente são criadas pela força gravitacional local, que faz com que gases sejam atraídos para dentro e sirvam de material para a formação de novas estrelas.
 A galáxia espiral barrada NGC 1073 se encontra na constelação da Baleia, a 55 milhões de anos-luz

'Super-Terra' pode ter água líquida como nosso planeta


 Um planeta rochoso com 4,5 vezes a massa da Terra e que orbita uma estrela a "apenas" 22 anos-luz daqui é o mais novo candidato a conter água no estado líquido fora do Sistema Solar.
O GL 667Cc, que em termos astronômicos está na nossa "vizinhança", é o quarto a ser identificado na chamada zona habitável de sua estrela.


 Essa zona é a faixa onde os astrônomos calculam que o planeta possa receber uma quantidade de energia semelhante à que a Terra recebe do Sol.
Isso permite que a superfície do planeta tenha temperaturas semelhantes às daqui. O novo planeta é, agora, o que tem melhores chances de ter água líquida e condições de abrigar vida.
No entanto, para o astrônomo Fernando Roig, do Observatório Nacional, o que mais chama atenção são as características da estrela que ele orbita, a Gliese 667C.
Parte de um sistema com duas outras estrelas na constelação de Escorpião, ela tem uma atmosfera muito mais pobre em metais do que o Sol.
"Sempre se considerou que a presença desses elementos seria fundamental para a formação de planetas do tipo terrestre", afirma Roig.
NADA A VER
A descoberta indica que a formação de planetas rochosos pode não ter nada a ver com a atmosfera da estrela que eles orbitam. "Esse é o primeiro exemplo de um planeta desse tipo orbitando uma estrela pobre em elementos pesados".
Uma outra característica importante da Gliese 667C é o fato de ela ser uma anã vermelha do tipo M. Isso significa que ela é bem mais fria que o Sol, cuja superfície tem temperatura de 5.500ºC.
Na 667C, a temperatura da superfície está por por volta de 3.500ºC. E como sua massa é de 38% a do Sol, sua luminosidade equivale a apenas 0,3% a da nossa estrela.
Apesar disso, o que garante o potencial de vida no novo planeta é sua proximidade da estrela. Ele está a uma distância equivalente a três quartos do espaço entre Mercúrio e o Sol.
Essa proximidade dá ao planeta um período orbital muito curto, completando uma translação em 28 dias.
Além disso, grande parte de sua luz está na faixa infravermelha, que é bem absorvida na forma de calor.
Conforme explica a astrônoma Lucimara Pires Martins, professora do núcleo de astrofísica teórica da Universidade Cruzeiro do Sul, é ao redor desse tipo de estrela que há esperança de encontrar planetas "promissores".
"Para encontrar água líquida, é preciso ter temperaturas amenas, então a busca vem se concentrando naquelas com temperatura equivalente ou mais frias que o Sol."
O planeta foi detectado por meio das pequenas oscilações que sua gravidade provoca na órbita da estrela, que abriga ainda outro planeta, o GL 667Cb, localizado ainda mais perto. Seu período orbital é de apenas sete dias, o que o deixa muito quente para ter água líquida.
A descoberta das condições do novo planeta foi feita por astrônomos independentes a partir da análise de dados do ESO (Observatório Europeu do Sul), no Chile, e será publicada no "Astrophysical Journal Letters". 

Nasa recebe 6 mil solicitações para nova turma de astronautas


  A Nasa, a agência espacial norte-americana, anunciou na sexta-feira (3) que recebeu 6.372 solicitações de candidatos, o dobro do habitual, para fazer parte da turma de astronautas que iniciará os treinamentos em 2013.
Trata-se do segundo maior número de solicitações recebidas desde 1978, quando mais de oito mil candidatos enviarma seu currículo com o sonho de fazer parte do corpo de astronautas da Nasa.Em novembro de 2011, a agência espacial americana anunciou que abria o processo de seleção para recrutar os astronautas que continuarão com as missões à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), mas que também se prepararão para futuras explorações além da órbita terrestre.
"Uma combinação adequada de habilidades, educação e experiência proporcionará uma maior capacidade para trabalhar com sucesso em uma ampla gama de situações operativas", afirmou em comunicado Janet Kavandi, diretora do departamento de operações da tripulação de voo.
A Nasa recebeu solicitações durante dois meses, prazo que venceu no dia 27 de janeiro.
O diretor do escritório de seleção da Nasa, Duane Ross, admitiu a surpresa já que em convocações anteriores "recebemos entre 2,5 mil e 3,5 mil solicitações", comentou.
"Estamos um pouco surpresos, mas muito contentes pela resposta que demonstra que o publico mantém seu interesse na exploração espacial", embora para seu departamento "isto significa que vamos estar ocupados por uma temporada", brincou.
Uma vez recebidas as solicitações, começa um longo processo de crivo antes de convocar os pré-candidatos para as primeiras provas.
Durante os próximos dois meses aproximadamente, o pessoal do escritório de seleção de astronautas revisarão os currículos e os compararão segundo uma barema de qualificações.
Os candidatos que passarem nesta fase serão analisados por um comitê de seleção que identificará os "altamente qualificados" e determinarão quem continua para os testes médicos e as primeiras entrevistas.
O processo de entrevistas é realizado em duas etapas: primeiro é realizada uma do comitê de seleção de astronautas entre agosto e outubro, e posteriormente, segundo o calendário estabelecido, entre novembro e janeiro de 2013, acontece outra série de entrevistas nas quais são avaliados também os testes médicos.
A expectativa é que o comitê tome sua decisão final na primavera de 2013 e a nova turma comece então os dois anos de treino antes que possam ser enviados em uma missão.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Planeta com três sóis pode ser habitável

Os astrônomos demonstraram que planetas habitáveis podem se formar em uma variedade de ambientes muito maior do que se imaginava.

Riqueza de ambientes planetários
Se um planeta com dois sóis já impressiona, imagine então um planeta com três sóis.
Foi justamente isso que uma equipe internacional, coordenada por Guillem Anglada-Escudé, da Universidade de Gottingen, na Alemanha, acabam de descobrir.
Mas o melhor está por vir: segundo eles, o planeta está na zona habitável, ou seja, a uma distância adequada de seus três sóis para manter água líquida em sua superfície.
Logo depois de revelar que há mais planetas que estrelas na Via Láctea, e que mesmo planetas com dois sóis são comuns, agora os astrônomos demonstram que planetas habitáveis podem na verdade se formar em uma variedade de ambientes muito maior do que se imaginava.
Planeta com três sóis
O planeta, chamado GJ 667Cc, orbita uma pequena estrela muito diferente do Sol, uma anã-branca, situada a 22 anos-luz da Terra.
Essa estrela, por sua vez, orbita um binário formado por duas estrelas, estas sim, mais parecidas com nosso Sol.
Mas deve haver noite no planeta, porque a anã-branca e seu sistema planetário - há pelo menos dois outros planetas no sistema - orbitam o binário à mesma distância que há entre o Sol e Plutão.
Já foram localizados mais de 100 planetas na zona habitável, mas a maioria é de gigantes gasosos, como Júpiter, e não planetas rochosos como a Terra.
O recém-descoberto GJ 667Cc parece ser do tipo certo, residindo bem no meio da zona habitável de sua estrela.
Contudo, a técnica usada para detectar o GJ 667Cc não é precisa o suficiente para permitir o cálculo exato de sua massa. Segundo os pesquisadores, sua massa mínima equivale a 4,5 vezes a massa da Terra, mas esse número pode chegar a 9.
Para determinar com segurança a composição de um planeta - se ele é rochoso - é necessário saber sua densidade, que por sua vez é calculada a partir da sua massa e do seu diâmetro.
Assinaturas de vida
Contando com seus três sóis, o planeta recebe 90% da luz que a Terra recebe. Entretanto, como a maior parte dessa luz está na faixa infravermelha do espectro, um percentual maior dela deve ser absorvida pelo planeta.
Juntando os dois efeitos, dizem os cientistas, o GJ 667Cc absorve mais ou menos a mesma energia de suas estrelas que a Terra absorve do Sol, o que permite temperaturas superficiais similares às da Terra e, por consequência, água em estado líquido.
Mas serão necessárias novas observações, e eventualmente o desenvolvimento de técnicas mais aprimoradas de observação, para confirmar todos esses dados.
Anglada-Escudé está entusiasmado, e fala em muito mais do que confirmar suas descobertas.
"Com o advento de uma nova geração de instrumentos, os pesquisadores serão capazes de pesquisar muitas anãs brancas classe M em busca de planetas similares e eventualmente buscar assinaturas espectroscópicas de vida em um desses mundos," vislumbra ele.

Átomo gigante simula asteroides troianos de Júpiter

À esquerda, o Sistema Solar, com Júpiter e seus dois grupos de asteroides troianos. À direita, o elétron-onda, mantido concentrado pela influência de um campo eletromagnético.

Modelo de Bohr
Físicos construíram um modelo preciso de uma parte do Sistema Solar no interior de um único átomo de potássio.
Eles fizeram com que um elétron orbitasse o núcleo do átomo exatamente da mesma forma que os asteroides troianos de Júpiter orbitam o Sol.
Os átomos são comumente representados como sistemas planetários, graças ao modelo criado por Niels Bohr em 1913.
Contudo, apesar de o modelo de Bohr ser bem ilustrativo, a mecânica quântica estabelece que o elétron pode ser encontrado em muitos lugares, o que transforma sua órbita em um espaço grande, difuso e incerto.
Na física quântica, o elétron é definido como uma onda, ou uma "nuvem de probabilidades". Simplesmente não faz sentido perguntar qual é a "posição real" de um elétron, porque ele está situado em todas as direções possíveis ao redor do núcleo ao mesmo tempo.
Átomo planetário
Mas, curiosamente, os cientistas da Áustria e dos Estados Unidos descobriram que, afinal de conta, os átomos têm algo em comum não apenas com os sistemas planetários, mas com o nosso Sistema Solar em particular.
Mais especificamente, eles descobriram que um tipo especial de átomo pode simular os asteroides troianos de Júpiter, asteroides que viajam à frente e atrás do planeta, em pontos de equilíbrio gravitacional conhecidos como pontos de Lagrange.
Da mesma forma que Júpiter estabiliza a órbita dos seus asteroides troianos, a órbita dos elétrons ao redor do núcleo atômico pode ser estabilizada usando um campo eletromagnético.
No experimento, a influência estabilizadora da gravidade de Júpiter foi substituída por um campo magnético precisamente ajustado. O campo oscila precisamente com a frequência correspondente ao período orbital do elétron ao redor do núcleo.
Isso estabelece um ritmo para o elétron, de forma que o elétron-onda é mantido em um ponto específico por um longo tempo.
Com isto, o elétron pode até mesmo ser empurrado para outra órbita - mais ou menos como se os asteroides troianos de Júpiter fossem subitamente forçados a orbitar Saturno.
Maior átomo do mundo
Para fazer isto, o grupo usou um raio laser para excitar o elétron mais externo do átomo de potássio para números quânticos - descritivos da "órbita" do elétron - entre 300 e 600, criando um assim chamado átomo de Rydberg.
Isto significa que eles construíram um átomo gigante, eventualmente o maior átomo do mundo - o elétron orbita o núcleo a uma distância tão grande que o átomo inteiro ficou do tamanho do pingo desta letra "i".
Os cientistas se entusiasmaram com o feito, e agora planejam preparar átomos com vários elétrons se movendo em órbitas planetárias ao mesmo tempo.
Isto permitirá que eles estudem como o mundo quântico dos objetos em escala atômica correspondem ao mundo clássico, como nós o percebemos com nossos sentidos.
"A zona de transição entre a mecânica quântica e a física clássica é a mais fascinante e menos compreendida fronteira da física," afirmou Joseph Eberly, membro da equipe.

Irã anuncia lançamento de satélite de observação espacial


  O Irã anunciou nesta sexta-feira (3) o lançamento com êxito de um pequeno satélite de observação experimental, o terceiro desde 2009.
"O satélite Navid foi lançado com sucesso e deve ser colocado em uma órbita de 250 a 370 km", afirmou Hamid Fazeli, o presidente da Organização Espacial Iraniana.
"O satélite pesa 50 quilos e foi enviado pelo lançador Safir", completou.
O lançamento, no momento em que o Irã celebra o aniversário da Revolução Islâmica de fevereiro de 1979, aconteceu na presença do presidente Mahmud Ahmadinejad, segundo a imprensa oficial.
O Irã lançou com êxito dois pequenos satélites experimentais: Omid em 2009 e Rassad em junho de 2011, com o foguete Safir.
Os lançamentos de satélites iranianos preocupam a comunidade internacional, que teme que o programa espacial permita ao país desenvolver mísseis balísticos capazes de transportar cargas nucleares, o que Teerã nega.

Telescópio Hubble faz imagem de galáxia mais brilhante já descoberta


  O Telescópio Espacial Hubble obteve imagens sem precedentes da galáxia mais brilhante descoberta até agora, graças a um fenômeno conhecido como lente gravitacional.
Uma lente gravitacional ocorre quando a gravidade de um objeto gigantesco, como o Sol, um buraco negro ou um conjunto de galáxias, causa uma distorção no espaço-tempo.
A luz procedente de objetos mais distantes e brilhantes se reflete e aumenta quando passa por essa região distorcida pela gravidade.
             Galáxia mais brilhante já detectada foi flagrada pelo telescópio Hubble. 

  A Nasa (agência espacial norte-americana) informou que "esta observação proporciona uma oportunidade única para o estudo das propriedades físicas de uma galáxia que formava, de maneira vigorosa, estrelas quando o universo tinha apenas um terço de sua idade atual".
Jane Rigby e sua equipe de astrônomos no Centro Goddard de Voo Espacial da Nasa em Greenbelt, Maryland, apontaram o telescópio Hubble em direção a um dos exemplos mais notáveis de lente gravitacional, um arco de luz de quase 90 graus no conjunto galáctico RCS2 032727-132623.A vista que o Hubble obteve da galáxia distante é muito mais detalhada que a imagem que seria obtida sem a presença da lente gravitacional. A presença deste "amplificador" mostra como as galáxias evoluíram em dez mil milhões de anos, segundo a Nasa.
Enquanto as galáxias mais próximas à Terra estão plenamente maduras e se aproximam do fim de sua história como criadouro de estrelas, as galáxias mais distantes proporcionam testemunho dos tempos de formação do universo.
Estão tão distantes que a luz daqueles eventos cósmicos só alcança a Terra agora. As galáxias mais distantes não só brilham mais tênues no espaço, como também aparecem muito menores.
Em 2006 uma equipe de astrônomos que usou o Very Large Telescope (VLT, literalmente Telescópio Muito Grande, o instrumento óptico mais avançado do mundo) no Chile, mediu a distância do arco e calculou que esta galáxia aparece três vezes mais brilhante que as outras galáxias, vistas também através de lentes, descobertas antes.
Em 2011 os astrônomos usaram o Hubble para captar imagens e analisar a galáxia com o telescópio orbital.
Como é típico nas lentes gravitacionais a imagem distorcida da galáxia se repete várias vezes no conjunto de lente que aparece à frente. A tarefa dos astrônomos é reconstruir como se veria realmente a galáxia sem o efeito de distorção.
A aguda visão do Hubble permitiu que os astrônomos eliminassem as distorções e reconstruíssem a imagem como seria vista normalmente. A reconstrução mostra as regiões brilhantes onde se formam as estrelas, muito mais iluminadas que qualquer região de estrelas jovens na Via Láctea.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Turistas espaciais poderão dar a volta na Lua em 2017


 Os turistas espaciais poderão dar a volta na Lua a partir de 2017, quando é comemorado o 50º aniversário do início do programa americano Apolo, informou nesta quinta-feira a companhia Space Adventures (SA).
"Já vendemos uma vaga e a outra planejamos vender muito em breve. Devemos lançar a missão no 50º aniversário do programa Apolo", disse Eric Anderson, co-fundador e presidente da SA, citado pela agência "Interfax".
A SA, companhia que organiza os voos cósmicos para novatos conhecidos como turistas espaciais, disse no ano passado que uma personalidade famosa já pagou US$ 150 milhões por um dos bilhetes com destino ao satélite da Terra a bordo de uma nave russa Soyuz.
Anderson lembrou que o lançamento do Apolo 1 terminou em tragédia e que não há melhor maneira de homenagear os três tripulantes americanos mortos do que "realizar um voo ao redor da Lua".
Após mais de dois anos de provas fracassadas, o Apolo 11 pousou na lua dia 20 de julho de 1969, mais de oito anos depois de o soviético Yuri Gagarin se transformar no primeiro astronauta da história.
A corporação espacial russa Energia, fabricante das Soyuz, está construindo uma nova nave tripulada especialmente para "a realização de programas comerciais com participantes não profissionais".
Caso a Soyuz com os turistas a bordo se limitar a rodear a Lua e retornar à Terra, o voo se prolongará durante 8 ou 9 dias, mas se a viagem incluir uma visita à Estação Espacial Internacional (ISS) pode durar até três semanas.
A ISS abriu suas portas a sete turistas espaciais: o americano Denis Tito (2001) foi o primeiro a viajar à plataforma, seguido pelo sul-africano Mark Shuttleworth (2002) e o americano Gregory Olsen (2005).
A americana de origem iraniana Anousha Ansari foi a primeira mulher turista a viajar à estação (2006), seguida pelo americano de origem húngara Charles Simonyi (2007) e de Richard Garriott, filho do ex-astronauta dos EUA Owen Garriott (2008).
Simonyi foi o único turista a repetir a experiência em março de 2009, enquanto o fundador do Cirque du Soleil, o canadense Guy Laliberté, foi o último a se alojar na ISS.
A Rússia recorreu ao turismo espacial no início da década passada, por causa da grave crise de financiamento que afetou seu programa espacial após a queda da União Soviética.
Em 2009, a Rússia decidiu acabar com as visitas perante a falta de espaço, já que agora a tripulação da ISS foi duplicada, com até seis tripulantes.
O diretor da Roscosmos, a agência espacial russa, Vladimir Popovkin, manifestou nesta quinta-feira que até 2020 o ser humano voltará à Lua, odisseia na qual poderiam colaborar Roscosmos, Nasa e a Agência Espacial Europeia. 

Descoberta gravação da voz de Otto von Bismarck feita em 1889


 Escondida por décadas em um armário no laboratório de Thomas Edison, uma coleção de cilindros fonográficos de cera foi trazida de volta ao uso depois de mais de um século de silêncio.
Em uma das gravações está a voz do "chanceler de ferro" da Alemanha, Otto von Bismarck (1815-1898), registrada por um colaborador de Edison durante uma visita à Europa em 1889.
Com duração de cerca de 1 minuto e 20 segundos, a gravação permite ouvir Bismarck recitando palavras de uma canção americana do século 19, um canto em latim, o que parecem ser conselhos para seu filho e, com forte sotaque alemão, as palavras do hino francês, "A Marselhesa".
O cilindro estava entre outros 17 encontrados em 1957 em uma caixa na biblioteca do laboratório de Edison, transformado em museu em Nova Jersey (EUA).
"É o único registro da voz de Bismarck, o que tem um significado histórico inestimável", disse Stephan Puille, da Escola de Economia de Berlim, um dos estudiosos que decifraram a gravação usando tecnologia digital.
Cilindros de cera como esses foram os primeiros "discos" comerciais. Outros exemplares já revelaram músicas de compositores alemães e húngaros, incluindo o que se acredita ser a primeira gravação de Chopin. 

Nasa mostra outro lado de foto em alta definição da Terra


  A agência espacial americana (Nasa) divulgou nesta quinta-feira (2) o outro lado de uma foto em alta definição feita da Terra, que foi divulgada em 25 de janeiro.
Na imagem original era possível ver as Américas Central e do Norte e parte da América do Sul. Na desta quinta (2), são mostrados o Oriente Médio, a África e o Sudeste Asiático.
As duas imagens foram feitas pelo satélite Suomi NPP em 4 de janeiro.
As fotos da Terra são uma tradição da Nasa que começou com a Apollo 17, que tirou uma das mais famosas fotografias já feitas do espaço. Chamada de "Blue Marble" (que significa tanto "Bola de Gude Azul" quanto "Mármore Azul", em inglês), ela foi capa de revistas por todo o mundo.
Veja as duas imagens abaixo. Primeiro, a desta quinta.
Foto em alta resolução divulgada em 2 de fevereiro mostra África, Oriente Médio e Sudeste Asiático
               Fotografia de 25 de janeiro mostra as Américas 

Vaticano vai apresentar meteorito de Marte em exposição de astronomia


  Um meteorito proveniente de Marte, minerais trazidos da Lua, telescópios do século 19 e astrolábios do século 17 formam a exposição "Histórias do outro mundo. O Universo dentro e fora de nós", que será inaugurada em Pisa, norte da Itália, a partir do dia 10 de março.
A exposição, apresentada nesta quinta-feira (2) no Vaticano, foi organizada pela Specola Vaticana, o Observatório Astronômico do Vaticano, e pelo Instituto Nacional de Física Nuclear Italiano. A mostra será apresentada no Palacio Blu, em Pisa, a cidade toscana onde nasceu Galileu Galilei."Se quiser ver Marte, vá a Pisa", afirmou nesta quinta-feira o jesuíta José Gabriel Funes, diretor da Specola Vaticana, que assegurou que a mostra busca contar a história do Universo, desde as partículas que formam os átomos do corpo até as distantes galáxias.
Segundo o astrônomo, os destaques da exposição passam por um meteorito encontrado no Egito, que supostamente provém de Marte, assim como outros provenientes da Lua e outros materiais vindos do espaço.
Funes também contou que o papa Bento 16 já viu o meteorito quando visitou a sede da Specola, situada nos arredores de Castel Gandolfo, um município a cerca de 30 quilômetros ao sul de Roma.
"Nem mesmo o papa pôde tocá-lo diretamente no meteriorito, já que o mesmo teve que usar um lenço", disse.
Segundo Funes, a exposição será realizada em Pisa pelo fato da cidade ser a terra natal de Galileu e também do cardeal Pietro Maffi, um apaixonado pela astronomia e principal responsável pela renovação do observatório. Maffi foi nomeado presidente da Specola pelo papa Pio 10 em 1904.
A exposição, que ficará aberta de 10 de março até 1º de julho, "conduzirá o visitante por uma interessante viagem pelo nosso Sistema Solar", como descreve Cosimo Bracci Torsi, presidente da Fundação Palacio Blu.