quarta-feira, 7 de março de 2012

Visitantes ameaçam Antártida ao carregar espécies invasoras


Cientistas e turistas ameaçam a Antártida sem saber. Ao chegarem à região para realizar pesquisas ou turismo, eles podem ter a "companhia" de sementes de espécies invasoras que colocam as plantas nativas em risco e, por consequência, o ecossistema.
Um levantamento internacional que envolveu instituições de cinco países fundamenta o estudo, publicado na revista científica "PNAS".
Cientistas procuraram sinais de sementes e/ou propágulos (células que se desprendem das plantas para dar origem a outras) em 853 sacos, malas, bolsas, roupas e sapatos.
O resultado da busca: eles encontraram mais de 2.600 indícios. Destes, 43% eram de espécies reconhecidamente invasoras.
A pesquisa, a primeira que tenta quantificar a ameaça de espécies invasivas na Antártida, estima que uma única pessoa inadvertidamente carrega cerca de 9,5 sementes, em média, para a Antártida.
Faça os cálculos: hoje há cerca de 7.000 cientistas trabalhando no local, somados aos 33 mil turistas que viajam para lá.
As áreas de maior risco são a península Antártica, a costa não congelada que se encontra perto do mar de Ross e no Leste Antártico, aponta o estudo.
Conduzido entre 2007 e 2008, durante a estação de verão, a pesquisa envolveu a Universidade Stellenbosch (África do Sul), Pesquisa Antártida Britânica, Sociedade Japonesa para a Promoção da Ciência, Instituto de Ecologia da Holnda e Instituto Polar Francês.

Análise de DNA indica que feijão surgiu no México


Até quem tem dificuldade em encarar a apimentada comida mexicana provavelmente enche seu prato com uma dádiva do México todos os dias. Trata-se do feijão (Phaseolus vulgaris).
É o que mostra um estudo na edição eletrônica da revista científica "PNAS", no qual o DNA de mais de uma centena de variedades de feijão foi comparado, em busca de pistas sobre a história da leguminosa mais consumida no Brasil e no mundo.
Até agora, arqueólogos e botânicos apostavam nos Andes como o berço do feijão, inferindo que, a partir da cadeia de montanhas, a planta teria sido levada tanto rumo ao norte, para a América Central e do Norte, quanto na direção sul, no Brasil.
Era mais ou menos essa a distribuição do feijão doméstico antes de Colombo e Cabral, e a planta já era uma parte importante da dieta indígena em 1500.
Os Andes são um centro conhecido de origem de plantas domésticas importantes --a batata é originalmente uma iguaria andina. Mas havia evidências conflitantes apontando para o México no caso do feijão comum.
Para tirar essa dúvida, a equipe liderada por Roberto Papa, do Conselho de Pesquisa Agrícola da Itália, examinou cinco regiões do DNA de formas selvagens da planta.
Em geral, quando um ser vivo se espalha de uma região do planeta para outra, as áreas para onde ele vai abrigam menos diversidade genética do que as áreas de origem. É o caso do ser humano: os africanos são mais diversos geneticamente que os europeus, por exemplo.


DEZ MAIS
Foi essa diversidade aumentada (dez vezes maior), bem como a semelhança entre as linhagens andinas e as mexicanas, que apontou para o México como centro de origem da planta.
Um pesquisador brasileiro confessou à Folha ter ficado "muito feliz" com os resultados da nova pesquisa. Afinal, Fábio Oliveira Freitas, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, já havia identificado um possível elo dos feijões nativos do Brasil com o México e a América Central.
O dado veio à tona quando Freitas analisou amostras de feijão de um sítio arqueológico do norte de Minas Gerais, datadas de algum momento do século 17. Um gene desses feijões tinha mais semelhanças com a versão desse gene em amostras mexicanas.
Freitas explica que, embora os dados se refiram a formas selvagens do feijão, o mais provável é que as plantas tenham vindo do México para a América do Sul com um empurrãozinho humano.
"Principalmente nas fases iniciais da domesticação, é fácil a planta voltar para o estado selvagem", explica. "Um grupo indígena pode plantar uma roça e abandoná-la, o que favoreceria esse evento."
Freitas, porém, relativiza os achados, lembrando que a diversidade genética atual do feijão pode não ser um retrato preciso da origem da planta há milhares de anos.

Nasa divulga foto de missão espacial de 43 anos atrás


O site da Nasa (agência espacial americana) divulga nesta terça-feira a foto do astronauta Dave Scott tirada em 6 de março de 1969.
Scott era então parte da tripulação da Apollo 9, formada também por Jim McDivitt e Rusty Schweickart. Este último foi o autor da imagem.
A missão dos três era testar equipamentos e o módulo lunar Spider na órbita terrestre baixa, que seriam usados posteriormente em um dos pousos na Lua.

O astronauta Dave Scott; tripulação da Apollo 9 testou o módulo Spider que seria usado para pouso na Lua
O astronauta Dave Scott; tripulação da Apollo 9 testou o módulo Spider que seria usado para pouso na Lua

terça-feira, 6 de março de 2012

Matéria escura “descolada” da matéria regular está intrigando os astrofísicos


Medições e interpretações feitas pelo Telescópio Espacial Hubble têm sugerido que as porções de matéria escura em um aglomerado chamado Abell 520 pode ter se “deslocado” dos seus homólogos de matéria visível.
Um relatório publicado no Astrophysical Journal confirma a presença de um “amontoado gigantesco” de matéria escura com poucas galáxias visíveis no centro de Abell 520, um local onde ocorreu uma grande colisão de várias galáxias. Este indício foi identificado pela primeira vez em 2007, mas os astrônomos inicialmente pensaram se tratar de um falso sinal. Agora que as leituras foram checadas e confirmadas, os teóricos estão se esforçando para tentar explicá-lo.
Nós não estávamos esperando isso”, comentou o astrofísico Arif Babul, da Universidade  de Victoria. “Segundo a nossa teoria atual as galáxias e a matéria escura devem ser encontradas juntas, mesmo que ocorram colisões. Mas não é isso que está acontecendo em Abell 520. Lá, a matéria escura parece ter se unido, formando um núcleo escuro, mas na maioria das galáxias associadas no aglomerado a matéria escura parece ter seguido em frente. Esperávamos que quando olhássemos novamente, anos depois, o núcleo escuro não existisse mais, mas em vez disso, mostra-se com maior potência do que antes”, relatou o pesquisador.
Acredita-se que a matéria escura responda por 83% da matéria encontrada no Universo, e enquanto ela não emite qualquer radiação eletromagnética em si, sua presença pode ser detectada através da influência gravitacional de sua massa – chamado de lente gravitacional. A matéria escura foi detectada pela primeira vez há 80 anos, e é conhecida entre os físicos como a “cola” que mantém as galáxias juntas em aglomerados.
Um estudo prévio da matéria escura em uma colisão galáctica – no aglomerado Bullet Cluster , localizado três milhões de anos-luz da Terra – mostrou que a matéria escura passou pelo local do acidente, juntamente com suas galáxias, mas a temperatura altíssima ocasionou a emissão de raios-X, empilhando a matéria escura no centro. No aglomerado Abell 520 a matéria escura fica para trás com todo o gás, à medida que as galáxias “andam”.
Sabemos de talvez seis exemplos de alta velocidade de colisões galácticas de aglomerados, onde a matéria escura foi mapeada. Mas o Bullet Cluster e Abell 520 são os dois que mostram a evidência mais clara de fusões recentes e são incompatíveis com os outros”, comentou James Jee, astrônomo da Universidade da Califórnia.As possíveis explicações oferecidas até agora pela equipe não são particularmente reconfortante. Uma teoria é de que Abell 520 possui uma interação mais complicada do que a encontrada em Bullet Cluster, com três grupos colidindo-se, em vez de apenas dois. Outra opção é que algum tipo de matéria escura possa ser “pegajosa”, interagindo com ela mesma e com a matéria regular. Uma terceira possibilidade é de que o núcleo da galáxia contém muitas galáxias, mas que são muito tênues para serem observadas.
Jee disse: “O resultado é um quebra-cabeça. A matéria escura não se comporta como o previsto, e não é obviamente claro o que está acontecendo. Talvez uma teoria sobre a formação de galáxias e matéria escura possa explicar o que está ocorrendo...”.
O próximo passo é a construção de uma simulação de computador para recriar a colisão que formou Abell 520 para entender se nossa atual compreensão sobre a matéria escura está errada. Se for este o caso, então o problema deverá ser entregue na mão de físicos especialistas em partículas para tentarem encontrar novas teorias que explique as atuais interpretações da matéria escura nestes aglomerados.

Oceano de Europa, uma das luas de Júpiter, pode ser muito ácido para abrigar vida


Os cientistas sempre tiveram esperança de que a vida poderia ser encontrada em Europa, uma das 64 luas conhecidas de Júpiter.
Europa sempre foi considerada “especial” por abrigar uma grande calota de gelo. Estimava-se que abaixo de todo esse gelo existisse um grande oceano, que possivelmente abrigasse vida.
Mas agora investigadores sugerem que o oceano de Europa pode ser muito ácido para abrigar vida, ao menos à grande maioria das quais conhecemos. A declaração serviu como uma notícia amarga para aqueles que apostavam suas fichas na possibilidade de vida em um dos satélites naturais de Júpiter.
Os cientistas chegaram à conclusão através de análises de produtos químicos na superfície de Europa. Estas substâncias são oxidantes, como o peróxido de hidrogênio (conhecido popularmente como água oxigenada) que forma ligações com outros produtos químicos, criando compostos que inviabilizariam a vida.
Os oxidantes podem ser um fator de impedimento ao surgimento de vida, com exceção do oxigênio que é vital para a grande parte da vida na Terra. Os astrônomos calculam que em Europa, os oxidantes possam fazer ligações com sulfetos, formando ácido sulfúrico.Isso levaria a uma total acidez do oceano, com o pH girando em torno dos 2,6 – tão ácido como uma Coca-Cola. “Este resultado certamente não é amigável para a vida”, declarou Mateus Pasek, pesquisador da Universidade do Sul da Califórnia, um dos autores da pesquisa.
Isso acaba mexendo com o desenvolvimento das membranas, dificultando a construção de polímeros orgânicos em grande escala”, concluiu o cientista.Em situações de acidez como esta, a única vida possível seria uma classe de bactérias chamadas acidófilas que suportariam viver em um ambiente com ácidos, pois ela utiliza sulfetos para sobreviver.

Marte perdeu seu campo magnético por forte impacto com asteroide há 4 bilhões de anos


  Há quatro bilhões de anos, Marte tinha um campo magnético assim como o da Terra, mas algo “desligou” este campo, deixando o planeta totalmente exposto à radiação solar.
Agora, os cientistas estão procurando um possível culpado – um impacto enorme com um asteroide que deixou uma cratera tão profunda que quase caberia o Monte Everest.
Esse impacto, e outros com asteróides de 1,5 km de largura, tiveram efeito catastrófico sobre o interior do planeta e sua superfície, desativando o campo magnético para sempre.
Uma das crateras é chamada de Bacia de Hellas, com 1,3 km de diâmetro e 6 km de profundidade, rodeado por uma camada de vários quilômetros de espessura de detritos, criados no momento do impacto. James Roberts, da Johns Hopkins University criou um modelo em computador sobre os efeitos térmicos destes enormes impactos e descobriu que um único asteróide causou uma ondulação devastadora, levando 100 milhões de anos para o planeta vermelho se recuperar.
Nós encontramos cinco impactos grandes e seus efeitos sobre o mando. Um único impacto gigante alterou o campo do fluxo total do manto. Tal impacto promoveu a formação de um afloramento abaixo do local da colisão”, afirmou Roberts.
Na foto é possível observar a bacia de Hellas em Marte (em azul), formada pelo impacto de um imenso asteroide. 

Físico do Havaí quer explicar o Universo com figura geométrica


  Douglas Adams ficaria orgulhoso. Os livros do escritor inglês, que morreu aos 49 anos em 2001, eram povoados por alguns dos mais estranhos – e adoráveis – personagens da ficção científica.
  Mas nem mesmo a imaginação fértil do autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias conseguiu imaginar um físico teórico que também fosse surfista.
Garrett Lisi é o exemplo perfeito da realidade superando a ficção. Lisi, que é Ph.D. em física pela Universidade da Califórnia e atualmente vive em Maui, segunda maior ilha do Havaí, apresentou em 2007 o que ele chama de “Uma Excepcionalmente Simples Teoria de Tudo” (o que, aliás, também daria um ótimo título para um livro de Douglas Adams).
A teoria de Lisi leva ao pé da letra a máxima de Galileu Galilei que diz que “o livro do mundo está escrito em linguagem matemática”. O físico baseia suas ideias em uma estrutura geométrica chamada simplesmente de E8.
Mas a simplicidade para por aí. Por trás do singelo nome E8 esconde-se uma das mais belas – e complexas – construções da geometria. O “E” é de “excepcional” (daí o título da teoria de Lisi), e 8 é o número de dimensões que a figura tem, além de 240 vetores. Esses vetores são os vértices (“cantos”) de um objeto octadimensional. É como um cubo representado numa folha de papel, só que é uma figura muito mais complicada. Então, na verdade, o que vemos no papel é a representação em duas dimensões de uma estrutura 8D.
  Mas o que essa estrutura matemática tem a ver com a Teoria de Tudo, o Santo Graal da física moderna? Acontece que as partículas elementares – os “tijolos” que formam a vida, o Universo e tudo mais – e todas as suas versões e interações possíveis entre elas chegam a 222; segundo Lisi, estas partículas e suas interações se encaixam perfeitamente nos vértices do E8. E isso, de acordo com o físico havaiano, não pode ser por acaso.
Há uma piada interna entre os físicos que diz que a Teoria de Tudo teria de ser tão simples e elegante que poderia ser estampada em uma camiseta. Pois foi exatamente o que Lisi fez: há vários sites que oferecem camisetas com a figura E8 na frente e equações, assinadas pelo próprio Lisi, nas costas.
E quanto às outras 18 partículas que ainda faltam para preencher as lacunas do E8? “Se o LHC [maior acelerador de partículas do mundo] encontrar partículas que se encaixem neste padrão E8, isso vai ser muito, muito legal”, entusiasmou-se Lisi em uma palestra de 2008 no TED, famoso evento de tecnologia.Se isso não acontecer, no entanto, o surfista presente no cientista parece estar pronto para “levar um caldo”: “Em ciência, se alguma coisa não está funcionando, você tem de deixá-la de lado e tentar alguma outra coisa”.
Em O Restaurante no Fim do Universo, livro temperado com a fina ironia britânica, Douglas Adams afirma que “existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável”. Adams certamente gostaria muito se um surfista descobrisse exatamente por que o Universo está aqui.
Matéria escrita e enviada via e-mail por Celso Antônio de Almeida. Para acessar o site do físico-surfista, clique aqui ou o adicione no Twitter: @garrettlisi

Novos fósseis revelam passagem dos animais da água para a terra

Fósseis descobertos na Escócia ajudaram os cientistas a preencher uma lacuna de 15 milhões de anos na linha da evolução. O estudo publicado pela “PNAS”, revista da Academia Americana de Ciências, mostra os animais que fizeram a transição da água para a terra.O artigo descreve uma variedade de invertebrados – artrópodes, parentes dos insetos – e vertebrados – tetrápodes, animais de quatro patas. A descoberta inclui animais aquáticos e terrestres.
Até a publicação desse estudo, não havia nenhum registro de animais desse tipo nessa época. Havia tetrápodes mais antigos – aquáticos – e mais recentes – já terrestres. Esses fósseis confirmam que houve uma etapa intermediária na evolução, como os especialistas já imaginavam.
Com a descoberta, os cientistas confirmam ainda com mais precisão quando ocorreu a passagem dos animais do ambiente aquático para o terrestre. Esses fósseis datam do período tournaisiano, há cerca de 350 milhões de anos.
Ilustração de um dos animais descobertos, chamado de 'Ribbo' pelos pesquisadores (Foto: Michael Coates/University of Chicago/National Museums Scotland (NMS))Ilustração de um dos animais descobertos, chamado de 'Ribbo' pelos pesquisadores.

Saiba o que fazer se um objeto espacial cair no seu quintal


O que fazer se um pedaço de lixo espacial cair no seu quintal? Moradores de Anapurus, no interior do Maranhão, fizeram-se essa pergunta há pouco mais de uma semana, quando uma esfera metálica com cerca de 30 kg despencou do céu a poucos metros de uma residência.
Um acontecimento como esse, apesar de ser bastante improvável, está previsto em convenções internacionais de aeronáutica e espaço.
"O mais correto a fazer é chamar as autoridades e isolar a área. É importante evitar que as pessoas fiquem tocando o material antes que ele seja analisado para ver se há risco, por exemplo, de ser algo tóxico ou radioativo", afirma Petrônio Noronha de Souza, chefe do Laboratório de Integrações e Testes do Inpe
Apesar de essa conduta ser internacionalmente divulgada e de a esfera ter caído no único Estado brasileiro que tem uma base de lançamentos de foguetes, não foi exatamente isso o que aconteceu no Maranhão.
Assustada, a população chegou a falar em invasão alienígena e até em possíveis indícios do fim do mundo.
Também não faltaram curiosos para tocar e movimentar o objeto, que virou ponto turístico para fotos e vídeo antes de ser removido pela polícia.
VAI PARA ONDE?
O destino do material recolhido foi motivo de impasse.
No fim, a esfera metálica foi recolhida pela Aeronáutica. Uma equipe do CLA (Centro de Lançamento de Alcântara) foi designada para recolher e fazer um diagnóstico preliminar do objeto.
De acordo com Noronha de Souza, pesquisador do Inpe, a confusão sobre o que fazer com o material não é exclusividade do país.
"Em nenhum lugar do mundo há uma equipe de emergência só para lixo espacial. É algo muito raro de acontecer", explica ele.
Para Thyrso Villela Neto, presidente interino da AEB (Agência Espacial Brasileira), as chances de alguém ser atingido por um pedaço de lixo espacial é tão pequena que não é necessária uma campanha de divulgação entre as autoridades responsáveis -como a polícia- sobre o que fazer nesses casos. "São eventos raros. A população pode ficar despreocupada."
Por mais improvável que seja, até reuniões da ONU já discutiram o assunto. Hoje, o consenso é que, se algo cair e danificar uma propriedade, o responsável é o país que colocou o objeto no espaço.
"É, grosso modo, o mesmo procedimento que haveria se uma casa fosse atingida por um avião. A companhia aérea teria de ser responsabilizada", afirma Villela Neto.
Ou seja, os moradores do Maranhão poderiam mandar a conta para a Europa. Centros de monitoramento indicam que um pedaço de foguete Ariane 4, usado para cargas pesadas, estava previsto para reentrar mais ou menos no mesmo horário e local do incidente no Estado.
A origem do objeto ainda não foi confirmada.
Em 2008, o Brasil devolveu aos Estados Unidos um pedaço de foguete americano que caiu em Goiás. Segundo os especialistas, será esse o provável destino da esfera.
A ÚNICA ATINGIDA
Embora a quantidade de lixo espacial não pare de crescer, até hoje os objetos não mataram ninguém. Acredita-se que a única pessoa atingida por lixo espacial tenha sido a americana Lottie Williams, em 1997. Ela não se feriu.
Em entrevista a uma emissora de televisão, ela contou que estava caminhando no Estado de Oklahoma quando viu um objeto incandescente no céu.
Algum tempo depois, ela sentiu uma espécie de tapa no ombro. Ao olhar para trás, Williams viu só um pedaço de metal retorcido no chão.
Ela levou o material à biblioteca da cidade. Foi então que entrou em cena um grupo de estudiosos de astronomia, que logo percebeu a conexão entre os incidentes. O pedaço de metal e o objeto que rasgou o céu eram parte de um foguete Delta da Nasa.
Episódios como esse são raros. A Terra tem um tipo de escudo protetor. Ao voltar ao planeta, os detritos enfrentam um atrito fortíssimo, além de temperaturas altas, o que faz com que boa parte do lixo seja destruída.
Além disso, mais de 70% da superfície da Terra é coberta de água, e a maior parte do que consegue resistir à reentrada acaba nos oceanos. Mesmo em terra firme, há largas extensões onde quase não há ninguém, como o deserto do Atacama.
A chance de alguém ser atingido é de 1 em 3.200. O risco de que um objeto caia em uma pessoa específica, como você, é de 1 em trilhões. É mais fácil ser atingido por um raio.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Erupção solar envia partículas na direção da Terra, diz Centro Espacial

Uma forte erupção na superfície do Sol, somada com a temporada de tempestades, enviou ondas de plasma e partículas que alcançarão a Terra, conforme informou nesta segunda-feira o Centro de Prognósticos Climatológicos Espaciais (SWPC).
O SWPC, operado pelo Serviço Meteorológico Nacional dos Estados Unidos, indicou que o clarão foi de classe X1.1, o que significa que se trata de uma das mais poderosas das erupções solares. O fenômeno aconteceu às 1h13 desta segunda-feira.
A expectativa é de que a onda de plasma e partículas solares alcance a Terra em dois ou três dias.
As erupções solares interferem no campo magnético da Terra e as ondas, que obrigaram a mudar a rota de alguns aviões comerciais que sobrevoavam os pólos, continuarão se intensificando, segundo os especialistas.
O Sol passa por ciclos regulares de atividade, que a cada 11 anos aproximadamente se intensificam e provocam tempestades que às vezes deformam e inclusive atravessam o campo magnético da Terra.
Os especialistas indicaram que a atual temporada de tempestades é a mais intensa registrada desde setembro de 2005 e que estas provocam efeitos especiais únicos como as auroras boreais, além de interferir nas comunicações.
Além disso, as redes de transmissão de eletricidade, as comunicações via rádio e os sistemas de satélites são afetados, mas a Nasa afirmou que os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) não correm perigo.
Em janeiro, os cientistas detectaram duas erupções no período de quatro dias seguidos por ondas com bilhões de toneladas de plasma viajando a cerca de 8 milhões de km/h.
A onda causada pelo segundo dos dois clarões alcançou a Terra cerca de 34 horas depois da erupção, em vez dos dois ou mais dias que habitualmente esse deslocamento demora.  

Programa espacial brasileiro evolui com lançamentos de satélites


Se durante a Guerra Fria a corrida espacial envolvia apenas os Estados Unidos e a antiga União Soviética, atualmente esse quadro apresenta mudanças. "Naturalmente, as grandes potências estão recebendo concorrência de outros países, mesmo que atualmente o mercado aeroespacial seja basicamente dominado por Rússia, Estados Unidos e Europa. Assim, países como Ucrânia, Índia e China estão entrando nessa disputa também", afirma o professor de engenharia mecânica da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Alberto Gurgel Veras.
Dentro desse aumento de importância dos países emergentes no mercado aeroespacial, qual o papel do Brasil? "O País está entrando no mercado em um nicho, lançando satélites comerciais em órbitas mais baixas, mas com a vantagem de ter a melhor posição geográfica para a atividade. Nós podemos lançar sete satélites por ano, no máximo, e não temos condições de fazer o lançamento de satélites muito grandes", detalha Veras.
Para entender o avanço da participação do Brasil na área é preciso voltar às origens da Agência Espacial Brasileira (AEB), fundada em 1994, durante o governo Itamar Franco, para substituir a Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (COBAE), com caráter militar, criada na década de 1970. Com o fim da Guerra Fria e da bipolaridade entre Estados Unidos e União Soviética, muda o contexto mundial e surge a necessidade do País ter um órgão de instância civil para lidar com a cooperação internacional na área espacial, que até então era responsabilidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entidade focada principalmente na área de pesquisas.
Inicialmente, a AEB era vinculada diretamente à Presidência da República, mas, a partir do governo Fernando Henrique Cardoso, passou a fazer parte do Ministério da Ciência e Tecnologia, enfrentando dificuldades para coordenar, com cerca de 50 pessoas, o projeto espacial de um país com pouca experiência na área. "A agência enfrentou vários problemas para exercer a tarefa de executar a política espacial brasileira, pois precisava de gente especializada, o que conseguiu pouco no início, fator determinante para que não tivesse muita força durante vários anos. Com a crise no governo FHC, as verbas diminuíram, e só depois, por volta de 2004, a situação começou a melhorar, com mais verba do que antes", relata José Monserrat Filho, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB.
Atualmente, após projetos de parceria com potências e empresas estrangeiras nas décadas de 70, 80 e 90, com um projeto de cooperação com a China - iniciado em 1988, interrompido durante o governo Collor e retomado na gestão seguinte - o País tem planos de aumentar suas atividades espaciais. Dentro dessa diretriz, estão fora de cogitação interesses militares e tentativas de explorar o espaço ou mandar o primeiro brasileiro à Lua.
"Em 1988, o Brasil fez um acordo de assessoramento remoto com a China, e, desde então, lançamos três satélites - em 1999, 2003 e 2007. O próximo, CBERS 3, deve ser lançado em 2012 e, em 2014, será lançado o CBERS 4. A nossa grande missão é aumentar consideravelmente a atividade espacial brasileira: enquanto cinco satélites foram lançados em 19 anos, nós queremos lançar quatro em quatro anos. Missões à Lua, por exemplo, não são nossa prioridade, e o programa espacial brasileiro na era civil não tem fins militares, tampouco temos programas tripulados. A atividade espacial tem de atender às necessidades do País, melhorando o desempenho da indústria e a vida das pessoas. Se no passado, o poder militar foi indispensável para um país se tornar uma grande potência, hoje isso provavelmente não é mais verdade", conta Monserrat Filho.
Gurgel Veras afirma que, apesar de não ter interesses de realizar viagens à Lua, o País tem recursos para criar o seu próprio satélite e crescer dentro do quadro espacial mundial. "O Brasil quer se colocar entre as dez maiores potências da área, e, para isso, é necessário ter um programa espacial, pois todas as demais têm, mudando a imagem que ainda passamos de país agrícola e atrasado nesse quesito", analisa.
Diferentemente do Brasil, a China segue firme em seu objetivo de mandar um homem à Lua entre 2020 e 2030. Mas, depois de tantas expedições que já mostraram tudo o que se poderia saber sobre o solo lunar, qual a necessidade real de uma viagem tripulada ao satélite? "Os chineses querem ir à Lua simplesmente para mandar uma mensagem política e econômica ao mundo de que só eles e os Estados Unidos foram lá, e que eles são tão bons quanto os americanos. É muito mais para se posicionar como uma liderança mundial, é pura propaganda; e como não falta dinheiro a eles, a China vai mesmo mandar um homem para a Lua", declara o professor de Engenharia Mecânica da UnB.
Outras potências da área, como os russos, apesar de poderem, não têm interesse em tripular uma viagem à Lua. "Eles não se interessam por isso. Se quisessem, já teriam conseguido também. Com um pouco de tempo, eles poderiam mandar uma nave para o espaço e depois mandar suprimento para lá, mas não é algo que lhes parece importante", afirma Veras.
Além dos interesses ambiciosos dos ricos países emergentes, o professor aponta outras interessadas em crescer dentro do setor aeroespacial. "Novas empresas americanas, criadas por bilionários da internet, como o cofundador da Space X Elon Musk, estão entrando com tudo no mercado, fazendo contato com a Nasa (a agência espacial americana) e produzindo foguetes poderosos", assegura.

Arqueólogos egípcios descobrem nome de faraó achado em Luxor


Na foto, cedida pele Conselho Supremo de Antiguidades Egípcias (CSA), detalhe de uma porta de pedra com um símbolo real a partir de onde se conseguiu .... Foto: EFE Na foto, cedida pele Conselho Supremo de Antiguidades Egípcias (CSA), detalhe de uma porta de pedra com um símbolo real a partir de onde se conseguiu descobrir o nome do faraó. Sen Negt N Ra pertence a dinastia XVII (1680-1580 a.C)
Uma equipe de arqueólogos descobriu na cidade monumental de Luxor, no sul do Egito, o nome de um faraó até agora desconhecido, pertencente à XVII dinastia (1680-1580 a.C.), informou neste domingo o Conselho Supremo de Antiguidades egípcias (CSA).
Em comunicado, o CSA revelou que o nome do rei é Sen Negt N Ra. Ele foi localizado em um cartucho real - medalhão de formato oval com o hieróglifo do faraó - em uma porta de pedra caliça durante escavações no templo de Karnak, em Luxor, a 700 km ao sul do Cairo. Pelas inscrições na porta, este faraó dedicou em Karnak várias construções ao deus Amon-Ra, a principal divindade de Tebas, onde hoje fica Luxor.

Com essa descoberta, a história antiga egípcia acrescenta um novo faraó à XVII dinastia, cujos reis libertaram o Egito da ocupação dos hicsos, povo guerreiro semítico procedente da Ásia que dominou o país do Nilo durante 150 anos a partir de 1730 a.C.

Astrônomo amador tira foto de Júpiter e duas de suas luas; veja


A foto tirada de Júpiter por um astrônomo amador, Damian Peach, está na homepage da Nasa (agência espacial americana) desta segunda-feira (5).
A imagem mostra o planeta em detalhes, em clique produzido em 12 de setembro de 2010, na companhia de duas de suas luas --Io (embaixo, à esquerda na foto) e Ganímedes (em cima).
O trabalho de amadores como Peach será usado na missão da sona Juno, que partiu da Terra em agosto de 2011 e cuja previsão de chegada é em julho de 2016.
As observações feitas por amadores ajudarão a equipe da Nasa a estimar quais serão os primeiros enquadramentos do planeta cujo diâmetro é 11 vezes maior do que o planeta no qual vivemos.
A Juno também coletará informações sobre o campo magnético e a composição de Júpiter, além de medir a quantidade de água e amônia na atmosfera.
Imagem de Júpiter e suas luas Io (esq.) e Ganímedes (dir.) tirada por um telescópio de um astrônomo amador
Imagem de Júpiter e suas luas Io (esq.) e Ganímedes (dir.) tirada por um telescópio de um astrônomo amador 

sábado, 3 de março de 2012

Cientistas criam 1º banco de material genético de aves em risco de extinção

Um grupo de cientistas mexicanos criou o primeiro banco de germoplasma (material genético) de aves em risco de extinção da América Latina, entre elas o quetzal de cauda longa, para facilitar a preservação e a reprodução dessas espécies.
"Nossa intenção é aplicar técnicas que permitam obter, recolher e guardar células de aves e utilizá-las para a reprodução artificial", disse à Agência Efe Mary Palma, responsável pelo projeto.
O banco está localizado nas instalações do santuário das aves de El Nido, em Ixtapaluca, no estado do México, que abriga mais de três mil pássaros de 600 espécies, muitas delas em risco de extinção.
Esse refúgio, que pertence a um grupo civil fundado há 47 anos pelo veterinário Jesús Estudillo, que morreu em 2010, ampara cada uma das espécies por casais e em pequenas comunidades, o que transforma o local "em um habitat favorável para a proliferação".
Segundo a pesquisadora, esse projeto, o primeiro na América Latina, e "talvez no mundo", deve ser desenvolvido "imediatamente", por causa do perigo "latente de desaparecimento de importantes espécies que estão começando a sentir as mudanças climáticas e outros fatores como a poda de florestas e a devastação da fauna".
A cientista explicou que há vários anos o México, assim como outros países, conta com bancos de material genético para conservar o sêmen de mamíferos, principalmente do gado.
No entanto, Mary disse que os sistemas utilizados para a preservação criogênica (técnicas de congelamento) de sêmen de aves não são iguais ao dos mamíferos, já que "são células mais frágeis".
A especialista, responsável pela saúde das aves de El Nido, comentou que nos últimos anos a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) começou a organizar seus próprios bancos de germoplasma, mas por enquanto "estão destinados apenas a aves de gaiola".
Esse projeto será liderado por pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde Pública do estado de Morelos, além da Universidade Autônoma Metropolitana (UAM) da Cidade do México.
O santuário de aves, chamado por seus funcionários de "Arca de Noé aviária", é reconhecido internacionalmente por ser um dos primeiros a conseguir com sucesso a reprodução de espécies ameaçadas, e recebeu do Fundo Mundial para a Vida Silvestre e as Nações Unidas o prêmio Global 500 em 1993.
O centro é sustentado pelas doações e a participação de 2 mil voluntários que dividem todos os dias da semana o trabalho árduo de limpeza e manutenção do local.
O santuário está aberto ao público para sensibilizar as pessoas e convencê-las sobre a importância de proteger o meio ambiente.
Mais de 600 espécies como águias, falcões, corujas, periquitos, cacatuas, araras, tucanos, faisões-argus, quetzais e aves ancestrais como ou casuar, originário da Nova Guiné e Austrália e uma das mais antigas do planeta, podem ser vistas em ambientes que tentam recriar o habitat do qual procedem.  

Sonda Cassini detecta oxigênio em lua de Saturno


A sonda espacial Cassini detectou oxigênio em uma baixa concentração em Dione, uma das luas de Saturno, o que indica que o planeta teria uma tênue atmosfera, embora muito menos densa que a da Terra. "A sonda Cassini encontrou pela primeira vez íons de oxigênio molecular na gelada lua de Saturno de Dione", anuncia um comunicado emitido nesta sexta-feira pela equipe encarregada da missão.
No entanto, os íons de oxigênio estão muito dispersos - um por cada 11 centímetros cúbicos -, o que faz esta concentração equivalente à da atmosfera da Terra a uma altura de 480 quilômetros.
"Agora sabemos que Dione, da mesma forma que os anéis de Saturno e sua lua Rhea, é uma fonte de moléculas de oxigênio", indicou Robert Tokar, um membro da missão Cassini no Laboratório Nacional de Los Álamos (EUA).
Em sua opinião, esta descoberta confirma que o oxigênio é comum no sistema de luas de Saturno e que pode surgir em processos que não implicam formas de vida.
O oxigênio, elemento básico para a vida na Terra - onde sua concentração na atmosfera chega a cerca de 21% -, poderia se originar nas luas de Saturno devido a fótons solares ou partículas de energia que impactam contra a superfície de água gelada do satélite.
Os cientistas não pensavam que Dione, devido a seu pequeno tamanho, pudesse abrigar uma atmosfera. A nova descoberta faz deste pequeno satélite um objeto de estudo muito mais interessante.
A sonda Cassini, lançada em 1997, é uma missão que conta com a participação da Nasa, da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Italiana, cujo objetivo é estudar as mudanças climáticas em Saturno e em suas luas.  

As estrelas piscam, afirmam cientistas

Sim, as estrelas piscam. Pelo menos as embrionárias

O piscar das estrelas, uma impressão produzida pela atmosfera terrestre - e isto continua sendo uma impressão - mostrou ser um fato real no caso das estrelas-bebês, ainda em processo de gestação. 

Região de formação de estrelas
Uma equipe de astrônomos detectou, através dos telescópios espaciais Herschel, da ESA e Spitzer da NASA, mudanças surpreendentemente rápidas no brilho de estrelas embrionárias dentro da bem-conhecida Nebulosa de Órion.
As imagens obtidas pelo detector de infravermelho do Herschel, e por dois instrumentos do Spitzer, trabalhando em comprimentos de onda mais curtos, mostram uma imagem mais detalhada das estrelas em formação no coração deste que se tem como um dos objetos mais estudados pelos astrônomos.
A 1.350 anos-luz da Terra, esta é uma das poucas nebulosas visíveis a olho nu.
Ela contém a região de formação de grandes estrelas mais próxima da Terra, com uma luz ultravioleta intensa proveniente das estrelas jovens e quentes que transformam gases e poeira em uma zona brilhante.


Nascimento de uma estrela
O que agora se descobriu é que, dentro dessa poeira - oculta aos comprimentos de onda visíveis - há uma série de estrelas ainda mais jovens, na primeira fase da sua evolução.
A nova combinação de imagens de infravermelho longo e médio penetrou através da poeira obscura e revelou essas estrelas embrionárias.
Uma estrela se forma, acreditam os astrônomos, quando uma densa nuvem de gás e poeira se funde e colapsa sob a sua própria gravidade, criando uma proto-estrela quente central, rodeada por um disco em espiral e envolvida por um halo maior.
Grande parte desse material vai-se juntando em um redemoinho ao longo de centenas de milhares de anos, antes de ser acionada a fusão nuclear no coração da estrela, e esta se tornar uma estrela de pleno direito.
Alguns dos gases e da poeira remanescentes no disco podem passar a formar um sistema planetário - como se acredita ter acontecido com o nosso Sistema Solar.


Estrelas que piscam
Uma equipe de astrônomos liderados por Nicolas Billot, do Instituto de Radioastronomia Milimétrica, na Espanha, usou o telescópio Herschel para "fotografar" a Nebulosa de Órion uma vez por semana, durante seis semanas, no inverno e primavera do ano passado.
A câmara fotodetectora e o espectrômetro PACS do Herchel detectaram poeiras de partículas frias rodeando as proto-estrelas mais jovens em comprimentos de onda de infravermelho longo.
Estas observações foram combinadas com imagens de arquivo do Spitzer, obtidas em comprimentos de onda na zona dos infravermelhos curtos e médios, que mostram objetos mais velhos e quentes.
Os astrônomos ficaram surpresos ao ver que o brilho das estrelas jovens varia em mais de 20% em poucas semanas - deve-se levar em conta que o processo de acreção deveria levar anos ou mesmo séculos.


Em busca de novas teorias
Em certo sentido, o que os astrônomos descobriram é que sim, as estrelas piscam, e muito - então, que mudem as teorias.
Eles terão agora que encontrar uma explicação para este novo fenômeno, ainda não contemplado nos modelos de formação de estrelas atuais.
Uma possibilidade é que os filamentos de gás irregulares estejam afunilando do disco externo para as regiões centrais perto da estrela, aquecendo temporariamente o disco interior e fazendo-o brilhar.
Outro cenário possível é o material frio estar-se acumulando na borda interna e criando sombras no disco externo, fazendo com que este escureça temporariamente.
Em qualquer dos casos, está claro agora que a gestação de estrelas bebês é tudo, menos um processo suave e uniforme.
"Mais uma vez, as observações do Herschel nos surpreenderam e nos deram pistas interessantes sobre o que acontece durante as fases mais precoces da formação de estrelas e dos planetas," comentou Göran Pilbratt, do projeto Herschel da ESA.

Marte é um planeta vermelho ou possui tons de rosa?


Marte pode parecer vermelho quando visto da Terra, mas olhando mais de perto, observa-se um mix de cores.
  As dunas em latitudes mais setentrionais de Marte, como a figura exposta na matéria, parecem um pouco rosadas, e não vermelho. Apesar da ilusão do tom rosado, o planeta vermelho ostenta este nome por ser, verdadeiramente vermelho. Tons que variam de rosado ao salmão são provenientes da interação de dióxido de carbono congelado na superfície do planeta.
A cientista Cindy Hansen, da NASA, deu uma declaração sobre este fato: “No inverno marciano, as dunas localizadas a 70º de latitude ao norte, são cobertas por uma camada de gelo sazonal de dióxido de carbono (conhecido como gelo seco). Na primavera o gelo sublima (evapora, passando diretamente do estado sólido para gasoso), formado numerosos fenômenos sazonais, como o observado na foto”. Ela continua: “Dunas de Marte são formadas por areia escura, mas parecem rosadas porque elas ainda estão cobertas por gelo. Onde o gelo se racha, a areia torna-se visível. Nas encostas das dunas íngremes, a areia desliza para baixo de finos filetes de gelo”, explicou.
  De acordo com a cientista, as imagens obtidas pelo HiRISE da NASA, mostram grandes mudanças sazonais na superfície do planeta. As manchas escuras seriam uma derivação de uma sublimação onde o gás foi “jogado” para todos os lados, carregando areia em várias direções, formando assim locais escurecidos.

Macarrão inspirou os cientistas a criarem ondas de rádio “potencialmente infinitas”





Tentou enviar uma mensagem de texto no Natal ou na véspera do Ano Novo e não conseguiu? Isso pode estar com os dias contados.
  Uma equipe de cientistas desenvolveu ondas de rádio inspiradas no trançado do macarrão parafuso; tal descoberta permitiria um número de canais “potencialmente infinitos” a seres transmitidos simultaneamente.
  Parece ridículo, mas na verdade é um truque muito inteligente. O segredo está em forças ondas de rádio para torcerem sobre o seu eixo à medida que viajam, ficando trançados exatamente como um macarrão (como o da foto), movendo-se sempre para frente, é o que explicou o pesquisador Dr. Frabrizio Tamburini na publicação da revista New Journal of Physics.
 “É uma perspectiva tridimensional; esta torção parece um feixe de massa italiana. Cada uma dessas vigas retorcidas pode gerar formas independentes, propagando e detectando em várias faixas de freqüência, se comportando como canais de comunicação independentes”.
 A equipe demonstrou a técnica em Veneza, Itália, transmitindo ondas de rádio torcidas, na banda 2,4 GHz, a uma distância de 442 metros. Os cientistas afirmam que seria fácil manter e adicionar ondas cada vez mais torcidas, para aumentar o número de sinais que poderiam ser enviados. A descoberta promete revolucionar as telecomunicações.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Fóssil de animal pré-histórico inédito passa 20 anos em galpão no RS


Fóssil foi entregue a museu em Candelária após 20 anos guardado (Foto: Maieve Soares/Prefeitura de Candelária/Divulgação)
Fóssil foi entregue a museu após 20 anos 
Um fóssil de um animal pré-histórico inédito ficou durante 20 anos guardado em um galpão em Candelária, na Região Central do Rio Grande do Sul, informou a Prefeitura Municipal. O Museu Aristides Carlos Rodrigues, da cidade, recebeu um crânio fossilizado em dezembro de 2011, doado por uma pessoa que não quis se identificar. A peça foi encaminhada para análise na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, onde foi constatado que a espécie não consta nos registros dos paleontólogos.“Depois de três horas de análise e comparações, evidenciou-se tratar de mais um animal desconhecido, inédito, tanto para a ciência quanto para o mundo, lembrando que já é a sexta nova espécie na história do museu”, disse o cientista e coordenador remoto nos projetos de paleontologia da universidade, Cesar Leandro Schultz.
Segundo o curador voluntário do museu Carlos Nunes Rodrigues, o crânio do animal é compatível com a biozona de dinodontossauro, que viveu durante o período triássico e habitou a terra há cerca de 230 a 235 milhões de anos. Um dos dentes que estão fixados evidencia que se tratava de um animal carnívoro. Rodrigues afirma que se trata de um "animal muito primitivo, com espécime exibindo as expressões dos arcossauriformes (arcossauro basal)”.
No início do ano, Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), foram a Candelária para conhecer o achado. Eles deram à peça o nome de "Papai Noel", por ter sido doada no final do ano.

Derretimento de geleira provoca aumento de tempestade de poeira


Da Patagônia até a Islândia, a diminuição das geleiras descobre solos de onde se levantam tempestades de poeira que afetam a vida marinha e o clima global. O estudo consta na edição desta quinta-feira (1º) da revista "Science".
"A presença crescente de poeira minerais em altas latitudes é surpreendente", disse Joseph Prospero, pesquisador da Universidade de Miami e autor do trabalho, à agência de notícias Efe.
Pesquisas realizadas por Prospero indicam que a poeira de regiões tropicais da África é transportada para boa parte do sul e do leste dos Estados Unidos e é causa de entre 75% a 80% do pó que cai sobre a Flórida.
Este não é um fenômeno somente contemporâneo. Amostras de sedimentos da terra e do gelo profundo mostram incrementos da circulação de poeiras relacionados aos períodos glaciais.
"Existe um interesse considerável pela distribuição global das fontes de poeira, os fatores que afetam sua emissão e as propriedades das partículas emitidas", disse Prospero. Ao longo dos anos, ele criou 12 estações de observação no mundo.
Nos últimos seis anos, Prospero desenvolveu um estudo na Islândia. Os resultados estabelecidos indicaram que grandes tempestades de poeira se originam ali e vão para o norte do oceano Atlântico.
"O pó contém ferro, que é um micronutriente essencial para os organismos marítimos, o fitoplâncton", explicou o professor. "Assim como o nitrato e o fosfato são essenciais para os micro-organismos, estes também necessitam de pequenas quantidades de ferro, importantes para a fabricação de enzimas e a conversão do dióxido de carbono em massa corporal."
Desta maneira, o ferro nas águas oceânicas estimula o crescimento do fitoplâncton. Isso, por sua vez, afeta a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera.
"A Islândia aparentemente desempenha um papel importante como abastecedor de nutrientes para os organismos marítimos, mas não determinamos a magnitude desse papel", disse.
AQUECIMENTO
Segundo Prospero, as tempestades de poeira na Islândia estão aumentando conforme as geleiras diminuem devido ao aquecimento global.
"Por meio de satélites, observamos a diminuição de geleiras na Islândia, no Alasca e na Patagônia. E em todas as partes vemos um aumento da poeira", continuou.
"Esse pó provém do solo em torno da geleira que, conforme vai diminuindo, deixa materiais expostos que são suspensos no ar."
De acordo com Prospero, no ritmo atual, em cem anos as geleiras da Islândia desaparecerão.
A própria poeira contribui para aumentar a velocidade da diminuição das geleiras.
"Quando as geleiras estão fortes e limpas, sua cor é branca, brilhante, refratária à luz", disse. "Mas quando começam a acumular pó em seus sulcos, na parte alta da geleira, absorve-se mais calor da luz do Sol e o derretimento é mais rápido."

Embriões de corais são capazes de se clonarem, diz estudo


Cientistas australianos descobriram durante um estudo marinho que embriões de corais são capazes de se clonarem. A pesquisa foi divulgada na edição desta semana da revista "Science".
Frágeis a ponto de serem fragmentados pelas ondas, os embriões de corais se dividem em pedaços que conseguem gerar clones dos originais. Este modelo de reprodução é algo inédito no reino animal, segundo os autores do estudo.Os embriões de corais não possuem uma capa protetora como no caso de animais maiores como os mamíferos. Quando bilhões de embriões "desprotegidos" de corais são lançados ao oceano perto de recifes gigantes como a Grande Barreira de Corais, na Austrália, eles continuam a sobreviver e começam a se dividir.
Os cientistas Andrew Heyward e Andrew Negri, responsáveis pelo estudo, notaram que mesmo brisas suaves conseguem fragmentar os embriões. Os clones são normalmente menores que os embriões normais, mas conseguem se desenvolver como larvar e se fixar a rochas para formar corais juvenis.
Essa alternativa à reprodução comum dos corais pode ser uma estratégia de sobrevivência desses animais a mudanças imprevistas em ambientes.
Fragmentos dão origem a clones de embriões de corais. (Foto: Heyward & Negri / Science)Fragmentos dão origem a clones de embriões de corais. 

Foto tirada na Estação Espacial Internacional mostra Itália de noite


Uma imagem divulgada pela agência espacial norte-americana (Nasa) mostra a península itálica repleta de luzes acesas durante a noite. A foto foi tirada por integrantes da Estação Espacial Internacional, que sobrevoava a região da Itália a 240 quilômetros de altitude.
Na foto, é possível ver duas manchas mais claras, nas quais se concentram mais luzes: são as cidades de Roma e Nápoles, duas das principais na nação cujo território lembra o formato de uma bota. Mais acima, a luz opaca de outras nações da região como Áustria e Suíça está visível.
Roma (no centro, mais à esquerda) e Nápoles são visíveis na imagem aérea da Itália noturna. (Foto: Nasa)
Roma (no centro, mais à esquerda) e Nápoles são visíveis na imagem aérea da Itália noturna. 

Computador roubado da Nasa tinha dados de controle da estação espacial


A Estação Espacial Interncional (ISS) em foto de maio de 2011 (Foto: Nasa)
A Estação Espacial Internacional (ISS) em foto de
maio de 2011 
A Nasa foi alvo de mais de 5 mil ciberataques entre 2010 e 2011 que conseguiram ou invadir os sistemas ou instalar vírus nos computadores da agência, informou um funcionário em depoimento à Câmara dos Estados Unidos nesta quarta-feira (29).
Além disso, entre abril de 2009 e abril de 2011, 48 computadores usados em programas espaciais foram roubados. Um deles continha os dados usados para controlar a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).
O número de unidades roubadas pode ser ainda maior, porque a Nasa não rastreia seus equipamentos. A perda de um computador só é registrada se for comunicada por um funcionário. Segundo o inspetor geral da Nasa Paul Martin, nos notebooks roubados estavam dados sigilosos, incluindo propriedades intelectuais e informações sobre as novas naves espaciais, que estão em construção, da agência.
De acordo com Martin, a Nasa é um “ambiente rico em alvos para ciberataques”. Em um deles, um hacker romeno de 20 anos conseguiu acessar o servidores do Centro Espacial Goddard, que, entre outras coisas, é responsável pela operação do telescópio Hubble.
O custo, ao todo, para resolver o problema foi de US$ 7 milhões.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Problema em cabo pode ser o responsável por neutrinos serem “mais rápidos” que a luz


  O sensacional resultado encontrado pelo LHC de que os neutrinos são mais rápidos que a velocidade da luz pode falso, graças a um simples erro mecânico.
Cientistas no Gran Sasso National Laboratory, Itália, identificaram dois problemas que podem afetar significativamente o resultado proposto. A primeira questão é uma conexão defeituosa em um cabo de fibra óptica, interferindo em dados de um GPS.
  O GPS usado na experiência, fornecendo dados sobre a experiência, pode ter fornecido dados errados durante a sincronização do evento. “Algumas questões podem modificar o tempo do neutrino em voos de direções opostas”, comentou Ereditato, porta-voz do Gran Sasso.
  Em setembro de 2011, os pesquisadores afirmaram que os neutrinos chegam 60 nanossegundos antes da luz. A experiência foi realizada em Genebra, Suíça, onde um neutrino foi “lançado” do Cern até outro ponto, com 272 km de distância. Os resultados pareciam contradizer a famosa teoria da relatividade de Einstein, que afirma que nada pode se mover mais rápido que a luz. Muitos cientistas da comunidade física mantiveram uma visão cética sobre este experimento, sugerindo que algo estava errado.
Apesar da suspeita, ainda não existem provas que possa afirmar ou refutar a conclusão de que os neutrinos são mais rápidos que a luz. A imprensa mundial aguarda novas informações provenientes do Grande Colisor de Hádrons sobre isso.

O ano de 2020 poderá ser assolado por mega tempestade solar catastrófica


A Terra tem uma chance de 12% de ser alvo de uma enorme erupção magnética do Sol. Um evento tão extremo como este é considerado como relativamente raro.
A última tempestade solar de grandes proporções ocorreu 150 anos atrás, sendo considerado o evento solar mais poderoso já registrado. Este evento poderia causar trilhões de dólares em prejuízos, levando o planeta a se recuperar totalmente apenas após uma década.
A pesquisa é liderada pelo cientista sênior Peter Riley da Predictive Science em San Diego, Califórnia. Durante o máximo solar, a superfície do Sol fica pontilhada com várias manchas e grandes tormentas magnéticas, rompendo-se em seguida. Ocasionalmente, essas tormentas explodem para fora do Sol, expelindo grande quantidade de partículas carregadas para o espaço.
Pequenos flares (também chamados de nanoflares) ocorrem com bastante freqüência, ao passo que flares gigantes são incomuns. Riley conseguiu estimar, através de uma distribuição matemática conhecida como lei de potência, a chance que o Sol terá de sofrer um enorme surto, olhando para o histórico de erupções anteriores e calculando a relação entre o tamanho e o tempo das ocorrências em explosões solares.
A maior explosão solar foi o Evento Carrington, em 1 de setembro de 1859. O astrônomo Richard Carrington visualizou um enorme clarão de energia solar que se rompeu na superfície do Sol, emitindo grande fluxo de partículas para a Terra, viajando pelo espaço em uma velocidade de 4 milhões de quilômetros por hora.
Quando essas partículas atingem a atmosfera da Terra, são gerados “fantasmas de luz” chamados de auroras. Embora ocorra com mais freqüência nas partes norte e sul do planeta, o fenômeno pode chegar em locais como Cuba, Havaí e norte do Chile.
As auroras podem ser eventos magníficos, mas causam grandes estragos em sistemas elétricos. No momento que o Evento Carrington ocorreu, estações de telegrafo pegaram fogo. Em um mundo eletricamente dependente como é nossa sociedade moderna, uma tempestade solar como essa poderia ter consequências catastróficas.Podem ocorrer defeitos em redes elétricas, erosão em oleodutos e gasodutos, perturbação de sistemas de GPS e interferência severa na comunicação de rádio. Sinais de TV por assinatura poderiam ficar fora do ar por meses, talvez anos. Celulares poderiam ficar mudos e uma infinidade de inconvenientes afetaria bilhões de pessoas.
Durante uma tempestade geomagnética ocorrida em 1989 no Canadá, redes elétricas foram derrubadas deixando milhões de canadenses no escuro por 9 horas.
Segundo o Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA, se o Evento Carrington ocorrer novamente, os Estados Unidos poderia ter um prejuízo de 1 trilhão de dólares no primeiro ano e 2 trilhões de dólares no segundo ano, com recuperação completa do país após 10 anos. 

Computador quântico é a próxima revolução, dizem especialistas


A empresa americana IBM revelou um grande avanço no desenvolvimento de um computador baseado na mecânica quântica, a física dos elementos infinitamente pequenos regida por leis diferentes das do mundo visível, a próxima revolução informática, segundo os especialistas.
"O trabalho que fazemos no computador quântico não é apenas uma experiência das forças brutas da física", afirmou em um comunicado Matthias Steffen, cientista-chefe de pesquisa da IBM, cujo objetivo é desenvolver sistemas de computação quântica que possam ser aplicados à solução de problemas reais no mundo.
Watson, supercomputador da IBM localizado em Yorktown Heights, nos EUA
Watson, supercomputador da IBM localizado em Yorktown Heights, nos EUA
"É hora de criar sistemas baseados na ciência quântica, que levará o cálculo nos computadores a uma nova fronteira", acrescentou. Os pesquisadores acreditam que conseguirão isso entre dez e 15 anos.
Diferentemente da física clássica, em que os conceitos de onda e partícula estão separados, no universo quântico são as duas faces de um mesmo fenômeno, uma propriedade que, teoricamente, permite multiplicar as capacidades dos computadores.
A parte da informação mais básica que um computador atual pode entender é um bit.
Esse é um dígito binário ou de dois valores, isto é, 0 ou 1, que também é uma unidade de medida no computador que designa a quantidade elemental de informação.
No mundo quântico, essa unidade básica, chamada qubit, pode ter valor 0 ou 1 como um bit, mas também possuir os dois valores ao mesmo tempo, uma estrutura descrita como "superposição".
Essa característica, em teoria, permitirá aos computadores quânticos realizar milhões de cálculos simultaneamente.


CIFRAS
Atualmente, as unidades informáticas de maior desempenho podem decifrar um número de até 150 cifras, mas um número de mil dígitos requereria praticamente toda a potência de cálculo disponível no mundo, enquanto que um computador quântico o faria em apenas algumas horas, segundo explicam os pesquisadores.
O avanço divulgado pelos cientistas da IBM reunidos na conferência anual da Sociedade de Física Americana, que é realizada nesta semana em Boston (Massachusetts), proporcionará uma redução das margens de erros dos cálculos elementares.
Isso permite manter por mais tempo a integridade das propriedades da mecânica quântica nos qubits.
O problema é que um qubit tem um tempo de vida muito curto, de apenas alguns bilionésimos de segundo, quando os pesquisadores começaram a trabalhar com ele, há cerca de dez anos.
A IBM criou recentemente um qubit tridimensional a partir de circuitos feitos de materiais dotados de uma supracondutividade, que conduzem a eletricidade sem resistência. Quando são resfriados a uma temperatura próxima do zero absoluto, esses circuitos se comportam como qubits estáveis por até cem microssegundos, um avanço multiplicado por de duas a quatro vezes em comparação com os recordes anteriores.
Entre as outras aplicações potenciais do computador quântico estão a pesquisa nos bancos de dados de informação não estruturada, a execução de um conjunto de tarefas extremamente complexas e a solução de problemas matemáticos que ainda não foram resolvidos.


RELATIVIDADE
A Física Quântica, que se baseia em novos postulados, e a Teoria da Relatividade de Einstein são consideradas as teorias mais importantes do século 20.
Ela descreveu o comportamento dos átomos e das partículas que a Física clássica, sobretudo a mecânica Newtoniana, não conseguia fazer, permitindo revelar algumas propriedades do radiação eletromagnética.

Pesquisadores encontram pulgas pré-históricas gigantes


Cientistas descobriram pulgas gigantes fossilizadas na China, as mais antigas já encontradas na Terra. O achado foi descrito na edição desta semana da revista "Nature".
Os fósseis encontrados na província de Liaoning e na região autônoma da Mongólia Interior indicam que esses invertebrados mediam de 0,8 até 2 centímetros. Parece pouco, mas esses insetos eram sim gigantes em comparação com seus parentes modernos. Em geral, as pulgas têm entre 0,1 e 0,3 centímetros.
Os ancestrais das pulgas não tinham algumas características das espécies atuais, como pernas retráteis para saltar. O corpo era adaptado para viver entre pelos, mas os mamíferos da época eram muito pequenos. Por isso, os cientistas acreditam que as pulgas poderiam viver nos ninhos, mas não conseguiriam parasitar um animal específico.
Eles também trabalham com a possibilidade de que a pulga seria um parasita de dinossauros, porque a tromba era longa e forte o suficiente para perfurar a pele dos répteis.
Os animais estudados viveram entre 165 milhões e 125 milhões de anos atrás. Ao todo, dois gêneros cientificos foram identificados no material.
Fêmea (à esquerda) e macho de pulgas gigantes fossilizadas na China. (Foto: D. Huang / Nature)Fêmea (à esquerda) e macho de pulgas gigantes fossilizadas na China.

Telescópio ajuda a desvendar vida extraterrestre ao olhar para a Lua


Uma equipe internacional de astrônomos desenvolveu uma nova técnica para determinar indícios de vida em outros planetas por meio da qual analisa a luz terrestre refletida na Lua, o que poderia superar dificuldades de métodos convencionais.
Os resultados do teste foram publicados na revista científica "Nature". O método estudou a Terra como se ela estivesse fora do Sistema Solar. A observação foi feita por meio do reflexo que o planeta projeta sobre seu satélite natural.
A equipe observou o fenômeno com o telescópio de longo alcance VLT, situado no deserto do Atacama, no Chile.
Lua na região do telescópio VLT, no Chile, refletindo parte da luz que a Terra recebe do Sol. (Foto: ESO/B. Tafreshi/TWAN)
Lua na região do VLT, no Chile, refletindo parte da luz que a Terra recebe do Sol. 
O sol brilha sobre a Terra e sua luz se reflete por sua vez sobre a superfície lunar. Isso faz o satélite atuar como se fosse um grande espelho, que devolve a luz de volta para a Terra, segundo explicou Michael Sterzik, pesquisador do Observatório Europeu Austral e principal autor do estudo.
Os investigadores procuraram indicadores, como por exemplo certas combinações de gases na atmosfera terrestre, que são considerados indícios de vida orgânica, como a presença simultânea de metano, vapor de água e oxigênio.Ao contrário de pesquisas anteriores, a nova técnica explora a polarização. Quando a luz se polariza seus campos magnético e elétrico têm uma orientação determinada (as ondas vibram numa direção concreta).
Precisamente, o que os investigadores mediram neste trabalho é como luz se polariza dependendo da superfície sobre a qual se reflete, explicou Enric Pallés, do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), que também faz parte do estudo.
O gelo, as nuvens, a terra ou os oceanos podem fazer a superfície se polarizar em graus e cores determinadas.
O grupo analisou a luz que refletia a Terra sobre a Lua como se fosse a primeira vez que vissem o planeta e essa luz indicou que a atmosfera terrestre é parcialmente nublada, que parte de sua superfície está coberta por oceanos e outro "dado crucial": existe vegetação.
Os cientistas puderam inclusive detectar mudanças que se produzem na cobertura das nuvens da Terra e na quantidade de vegetação em diferentes partes do planeta (tudo isso com o reflexo sobre a Lua).
Esta nova forma de buscar vida extraterrestre busca superar métodos convencionais: a luz de um planeta distante é muito difícil de se analisar porque é eclipsada pelo brilho da estrela que o ilumina.
Para Stefano Bagnulo, pesquisador do Observatório de Armagh, no Reino Unido, a tentativa "é comparável a observar um grão de pó junto a uma lâmpada potente".
No entanto, o reflexo do planeta sobre seu satélite está orientado numa direção, o que permite sua análise de forma simples mediante técnicas que separam a luz polarizada da não polarizada.
Na sede do Observatório Austral Europeu em Garching, na Alemanha, analistas disseram que a descoberta pode contribuir para futuros descobrimentos em outros lugares do Universo.
"Se existe vida fora do Sistema Solar, encontrá-la depende exclusivamente da existência de técnicas adequadas", disse Pallés. Ele afirma que daqui a 10 ou 12 anos, o metódo poderia ser utilizado em telescópios.
A equipe do IAC admitiu que este novo "método não revelará dados sobre homenzinhos verdes ou vida inteligente, mas sua aplicação nas novas gerações de telescópios mais potentes poderia facilmente brindar a humanidade com a notícia de que há vida além de seu planeta".

Floresta mais antiga do mundo era mais diversa do que se pensava


Uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (29) pela revista “Nature” traz uma análise da floresta fossilizada mais antiga do mundo. É uma área de cerca de 1,2 mil metros quadrados, situada no estado norte-americano de Nova York, onde viveram árvores bem diferentes das que existem hoje em dia.
O estudo revelou uma diversidade de espécies maior do que se imaginava e trouxe novos e importantes dados sobre a evolução das plantas.
Imagem reproduz como seria a antiga floresta Gilboa. (Foto: Frank Mannolini / Science)Imagem reproduz como seria a antiga floresta Gilboa
Na década de 1920, foram descobertos pedaços de tronco fossilizados na escavação de uma pedreira, de onde se retiravam rochas para a construção de uma barragem. Esse fóssil – chamado de árvore de Gilboa, que era o nome da barragem – foi retirado e a pedreira foi preenchida novamente com terra.
Até recentemente, essas peças de museu eram a única fonte de informações dos cientistas. Em 2010, obras de manutenção da represa abriram a área novamente, e permitiram o trabalho da equipe na região, que levou ao mapeamento da floresta pré-histórica.
Estudo da floresta pré-histórica foi feito com análise de rochas (Foto: William Stein/Divulgação)
Estudo da floresta pré-histórica foi feito com
análise de rochas
Quando os pesquisadores conseguiram fazer essa análise, descobriram que a floresta não tinha apenas as árvores de Gilboa. Além dessas árvores de grande porte – semelhantes a palmeiras –, eles encontraram outras duas espécies menores no entorno, o que foi uma surpresa.
“Tudo isso demonstra que a ‘floresta mais antiga’ em Gilboa era muito mais complexa ecologicamente do que suspeitávamos, e provavelmente continha mais carbono na madeira do que sabíamos antes. Isso permitirá uma especulação mais refinada sobre a maneira como a evolução das florestas mudou a Terra”, afirmou Chris Berry, um dos autores do estudo, em material divulgado pela Universidade de Cardiff, no País de Gales, onde ele trabalha.